olho para trás
e vejo uma mão erguida
a dizer-me adeus
será a vida
será a paz
ou será o adeus dos meus?
ouço o ranger
das tábuas do sobrado
meus pais passando furtivamente
finalmente dou conta
de ter sonhado
deixo nuvens
de poeiras, atrás de mim
os vizinhos espreitam aos postigos
meu Deus ninguém sabe ao que vim
nem os amigos!
vou avançar, sem parar
levo a mão ao coração
se não soubesse que estava a sonhar
tinha caído redonda no chão
desapareci na esquina
ali onde fui menina
com todas as minhas fantasias
onde sonhei em dó maior
e o coração ardia dentro do peito
se a felicidade não é isto?!
seja lá o que fôr.
vão meus passos
sussurrando na folhagem
olham-me os salgueiros chorões
com olhar comovente
conhecem-me desde que sou gente
sinfonia em dó menor
há felicidade maior?!
inacreditável, um sonho
uma oportunidade
para falar do que me dá saudade.
natalia nuno
imagem pintarest

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