sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

gargalhadas do vento...








há dias que incendeiam a memória
já não se oculta o pensamento triste
a saudade atenua a resignação
lembrar a nossa história
o coração sempre insiste

as gargalhadas do vento
o mar em rebentação
e o coração que sobrevive
como o mar e o vento
até à exaustão.

sombras caem, surge o esquecimento
lamento, ruídas memórias
são agora rumores
delirantes, da mocidade
com odor a saudade

natalia nuno


sábado, 17 de fevereiro de 2024

folhas caídas...

 



trago no olhar estrelas distantes
no corpo remotíssima fragrância
a memória se esfuma por instantes
sonhos tranquilos em abundância

mas não me vou fico-me por aqui
soando por entre os meus versos
tudo ficou remoto, tudo que vivi!
são folhas caídas, sonhos dispersos

seres sem alma, essas folhas caídas
horas que choram, cansados papéis
e as palavras no poema embutidas
«fiquem-se os dedos, vão-se os anéis»

quem sente o esquecimento, severa
desgraça, dia a dia apertando a mente
encerra-nos na velhice, fica-se à espera
como casa destruída, silêncio somente,

natalia nuno





sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

basta um abraço, um sorriso...


levo dentro de mim
pedaços de recordação
daquele tempo que fluía
poderoso, com alegria
dentro do coração

a intensidade dos momentos
que cumpriam cada esperança,
ainda os trago na lembrança

cruzam-se os meus olhos
com antigas imagens
e faço com que renasçam
não caiam no esquecimento,
algumas já miragens
fruto da imaginação,
- meu pensamento
tem medo da destruição!

às vezes pareço uma sombra
em busca de mim
uma procura amarga
caminho indeciso, mas por fim
basta um  abraço, um sorriso
e logo a felicidade se alarga

meu olhar ainda tem tantas recordações
e o coração tantas ilusões,
momentos que sinto ser a que já nada possui
noutros com paixão pela vida ainda sou,
e sempre, lembro com saudade a que fui.

natalia nuno
rosafogo
imagem pinterest






 


sábado, 10 de fevereiro de 2024

sopro de emoção...



bate a chuva, chega a noite
e o vento como açoite
traz a saudade que a abraça
e acorda-lhe a memória,
que a ameaça!

lá acorda emotiva
e lá se encontra com o passado,
dele fica cativa
com o chão que a viu nascer,
ali mesmo ao lado

de coração partido ao meio
e a lágrima já sem água
pergunta ela ao que veio,
se o coração acumula mágoa

este poema não sabe que é esmola
para alguém que padece
nem que o coração consola!
neste dia que anoitece.

assim fica mais um poema
a esconder da chuva e do vento
que foram conjectura do tema
onde a saudade foi sustento.

natalia nuno 

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

uma trégua que me adie a morte...



as aves do céu
recordam-me o tempo que se foi
e o que me resta,
a nostalgia que dói
como se o coração fosse muro
embaciado, 
e dentro dele o sol quebrado.

na mente, claro escuro
sobressaltos violentos 
que me avisam os sentidos,
já se despenham pensamentos
enegrecidos.

vejo a passar nuvens vazias
vão como a minha viagem em quietude
surgem para dar-me os bons dias
trazendo uma trégua que me adie a morte
o fluir da minha mão, e com sorte
voltar livre, o sol ao coração.

natalia nuno



sábado, 3 de fevereiro de 2024

o jogo da vida...

 

um tímido riso, uma lágrima
solitária, seu mundo de luas e marés
uma criança confusa, 
numa terra de ocasos, fincados os pés
no chão,
na mente letras mágicas, balbucia
sonhos dia após dia que são
nostalgia no coração a quebrar

na mente, ignota realidade
é a infância que tenazmente a ilumina
na fronte de menina
transborda a saudade!

nesta tentativa de se agarrar
a tudo o que a vida lhe deu,
a esperança é a palavra luz 
o pulsar de águas cristalinas 
no olhar, que espelham do céu,

os dias parecem desdenhar
da sonolência de seus traços,
da incerteza de seus passos,
da insistência do seu sonhar

encontra em si a utopia que 
a leva pela mão
imune à sentença dos anos,

mas, dias difíceis e desenganos
são a dor que lhe quebranta
o coração.

natalia nuno





domingo, 28 de janeiro de 2024

prosa poética




 meus poemas são um jogo para iludir a morte, dura é a solidão da minha mão que sonha e escreve, embora pressinta que o seu desempenho, não traz prémio, nem milagre, serve, ou não serve para nada, talvez incendeie o fervor extraviado de alguns corações.

nos meus poemas, mora a minha idade sem datas, palavras recolhidas por decifrar, só o tempo comprovará a minha intuição, são memórias livres, sem servidão ... os anos apagaram-se lentamente, e neles as palavras fui transformando em sonhos, na procura duma obsessiva felicidade.