sábado, 14 de janeiro de 2023

agitação...





as minhas mãos escrevem às cegas
os amores e desamores
nada tenho se me negas
nada sou quando te fores.
nada tenho para desejar
a vida não é minha aliada,
meu corpo só quer alcançar
que eu seja por ti amada.

irrompe esta saudade danada
que nas minhas mãos é utopia
esta vida não me dá nada
atropela-me turbulenta,
ah meu Deus, como eu queria!
fugir do que me atormenta.

no peito uma dor se aninha
na vidraça a chuva cai
goteja uma lágrima... pobrezinha,
da minha boca nem um ai!

natalia nuno
na sebenta desde 2014


quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

venho costurando no silêncio a solidão...

 venho costurando no silêncio a solidão

carrego o grito até tarde se perder
ergo palavras vindas do coração
até o sol no horizonte enfraquecer,
há palavras com que não sei lidar
que falam da saudade, amor e dor,
que seja lá como fôr
hão-de passar!
diz-me a minha estrela que não sou nada,
tropeço no que fui e já não sou,
só sei, que trago a vida rememorada
e em águas profundas é onde estou.

às vezes fantasio e o dia fica risonho,
outras vezes é como se fosse um remendo
uma outra história que crio,
e é nesse sonho, o sonho a que me atenho.
às vezes as saudades fazem doer
quem nunca as experimentou?
eu sofro só por saber, que a saudade
sempre em mim morou.
saudade é fala do coração
e dela pode morrer-se, 
tamanha é a solidão
a que o coração tem de ater-se.
....................
saudade tenho de ti
agora tenho por fim
saudade de ti e de mim.

natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

este amor à vida...


este amor à vida
é como uma luz ufana que se vai perdendo
numa inquietude que me arde nas veias
lenta mas já quase perdida, a vida,
deixa-me nos braços o peso dos dias
e a alma solitária plena de nostalgias,
enquanto a tarde perde esplendor
uma invisível presença se acerca de mim
como se a tarde fosse o fim... 
fixo o olhar no ramo ainda florido
da roseira, com rosa entreabrindo,
e o pensamento quer ou não queira,
fica de mim fugindo...

e a sombra que me ameaça
nos meus olhos perdura
é quando a saudade me abraça,
e o aroma do alecrim surge na noite escura.

fecho os olhos para decifrar a obscuridade
amo a vida, cada dia que passa
cresce em mim a saudade!

natalia nuno 
rosafogo



terça-feira, 6 de dezembro de 2022

A amizade faz acontecer...


poema ao Menino Jesus

Ouve-se música na velha catedral
Velas acesas é noite de Natal
O menino é de madeira esculpida
A seu lado o olha sua Mãe Querida.

Recitam-se em voz alta orações
Silêncio, ouvem-se até os corações.

O hino é cantado pelo coro
Os meninos o entoam como um choro
As naves cheiram a brancas rosas
Aquietam-se as almas ansiosas.
Vem do céu toda esta harmonia
A noite é velha e traz estrela
Ninguém esquece a noite deste dia
Suspensa a hora nos altares da capela.

Há amor
E comoção nos sentidos
Missa do galo redobra o sino
E há calor
Nos corações em Amor envolvidos
Faz-se oração, nasce Jesus Menino.

natalia nuno

Interação com o Blog Espiritual-Idade a convite da amiga Rosélia Bezerra,
a quem agradeço o carinho...
participo com este pequeno poema sobre a época Natalícia, pedindo Paz para o Mundo e saúde para todos nós.

Aproveito para desejar a todos os amigos que visitam o Orvalhos Poesia umas BOAS FESTAS, com Saúde, Paz e Amor.



sábado, 3 de dezembro de 2022

esquecida ainda que não de tudo..




ao longe avisto a lua cheia
com negros olhos, estrelas semeia,
não lembro meu começo
nem sei como acabo, só sei,
o jogo interrompido que sempre recomeço
faminta e silvestre, e assim partirei...
as mãos pendentes horas a fio
envelhecem as palavras na boca sem uso,
na mente poema sem sol que não desafio
e o esquecimento que se faz intruso,
nesta página branca transparente como água
amarelecem pensamentos como uvas na videira
à semelhança da dor e da mágoa
deste amor que ainda é
em mim  cegueira.

trago floresta verde no olhar
passa por ela a minha vida inteira
de improviso lanço versos ao ar
que falam d' amor e saudade,
e que são uma leira
de sementes desta vida, deste entardecer,
que me vêm a enlaçar.

natalia nuno
rosafogo


segunda-feira, 28 de novembro de 2022

recanto da névoa...




cansei de escutar o pássaro em mim
aquela canção outrora pura
que ainda entoa
e me leva à loucura
e faz com que a alma e o corpo me doa.
passo os dias perseguindo uma ideia
levo-a no silêncio até de madrugada
construindo com ela uma teia
onde sonhando, ainda sou amada.

enquanto a memória vai caindo
em escombros
sofrendo do tempo a erosão
a saudade levo aos ombros
 e por dentro a nostalgia no coração.

sigo trémula nesta travessia
é quase noite a tarde vai baça
assim levo meu dia
e o tempo passa...

natalianuno
rosafogo



do canto ao pranto...

canta-me o mar numa linguagem apaixonada
canta e encanta,
julgando-me sua amada
mar íntimo que me sussurra ao ouvido
num lamento, parecendo reza,
em mim brotam os sonhos
no pensamento uma luta acesa
deixo-me afastada do presente
neste mar do entardecer,
à noite com ele me enlaço
e vou até à infância sem me perder,
à juventude veemente
que não quero esquecer.
aspiração a que submeto o coração

trago agora o mar em repouso
e a vida sem luta e sem rumor
onde só a saudade entra, e ouso
arrancar de mim, da morte o temor.

os sonhos são uma utopia
e a vida uma celebração
este meu mar dia a dia
onde me levará então?
talvez ao fracasso da recordação
e do canto ao pranto!

natália nuno
rosafogo