nos dias chuvosos como o de hoje
chove nas minhas palavras
e uma lágrima abre fundo no meu olhar
ganha raízes, e a alegria me foge,
trago os fios do tempo presos ao rosto
e não o posso parar...
no firmamento uma lua como nunca se viu
e mais um dia me fugiu
pareceu um dia de Verão tardio,
e a vida tão frágil, caindo no vazio.
desfio palavras por não saber que dizer
falo do passado, porque o futuro,
não sei, nem quero antever!
a luz do dia virá mais aveludada,
far-se-á de tudo ou nada neste sonho de almofada
talvez surja o sonho da esperança,
e eu discreta tão menina,
talvez ainda criança,
à espera da procissão que já vem ali à esquina.
tão menina!
na boca um sorriso
saiote engomado
neste momento preciso,
abro meu cofre de ilusões
onde te tenho encontrado,
guardas o meu retrato? vê bem onde o pões
que o sonho pode voltar!
enquanto a memória não envelhece
e seja águia a mergulhar
eu verei borboletas azuis no teu olhar.
natalia nuno
rosafogo