terça-feira, 13 de julho de 2021

rosas do meu jardim...



acende-se a noite de palavras
que com as mãos vou semeando
preparo- as devagarinho
aguardo a lua cheia e vou sonhando
no doce silêncio da noite, com carinho,
somos tão íntimas, que as sinto
perdidas em mim, dentro de mim
num enorme labirinto.
palavras que me deixam a sonhar 
enquanto o tempo me foge
palavras sem amanhã, que escrevo hoje.

a noite persegue, lembro a vida inteira,
palavras, que me enlouquecem 
e em mim permanecem, companheiras,
que teço com fios de luar
e ao mais longe da memória
me levam a sonhar.

é preciso semear, é o destino a que vim
palavras em poesia deixar
que são rosas do meu jardim.

natalia nuno
rosafogo




domingo, 11 de julho de 2021

o rumor da solidão...


só a solidão me amedronta
gosto de sentir a cadência da água
esquecer da solidão a afronta
e da saudade a mágoa
de ver o tempo fugir
ficar neste melancólico outono
sentir o abandono
perdida no meu divagar
como se fora gaivota perdida
no mar...
gosto de lembrar o tempo
em que subias pelo meu corpo
como o sol, em que eu era para ti
um girassol, que te envolvia
como atiçado vento,
gosto de ter-te em meu pensamento
invento sonhos, quando a solidão
me apoquenta e a vida se espalha lenta,
no coração neste final de estio
onde só a saudade corre como rio.

arrasa-me o tempo
meu olhar perde-se na vastidão
deixo poucas palavras por dizer
ainda bate meu coração
vai-se apagando em si mesmo
na inquietude que é viver.

natalia nuno
rosafogo




sexta-feira, 9 de julho de 2021

partida...




grita o vento, vem tempestade
nunca o ouvi gritar assim,
grita no peito a saudade
com a saudade, que tem de mim.
quieta a noite, abismo, obsessão,
as estrelas estão agitadas
em mim ferida no coração
p'lo rosto lágrimas choradas

destilam as horas, desde que partiste
da mente não sai o instante,
procuro esquecer o que já não  existe
mas é duro calar e aceitar 
a sombra da tua ausência,
um destroçado muro no peito, 
abandono-me em lençóis de esquecimento
e como náufraga, afundo-me como sonânbulo
vento...

à tua espera fica esta ferida aberta
vou olvidar meu instinto, nesta noite deserta.

natalia nuno
rosafogo

espelho meu...



em linhas ordenadas
escrevo um poema com palavras
desirmanadas, acato que o espelho
me engane, seja comigo desleal
diga que o tempo é que é velho
e ele embaciado...eu estou igual!

desisto de apagar seja o que fôr
existirá sempre este amor-ódio
já nele mal me reconheço
nem nestas palavras desarrumadas
há uma dor que sopra fina
alguma coisa dentro de mim
a não deixar morrer a menina

poema que como o cristal é belo
ante a noite obscura penso
que não voltarei a lê-lo
resisto mais e mais, resisto imenso.

natalia nuno
rosafogo
imagem pinterest



quinta-feira, 8 de julho de 2021

digo-te adeus...



trago um sonho fechado,
 na palma da mão
enquanto fecho as pálpebras,
 para sossegar o sono, ilusão
julgo-me adormecida deixo-me neste abandono,
 na ternura e no enleio
afastei a cortina, cá dentro a saudade 
da tua voz a enlear-me por perto, e meu anseio
meu coração um deserto
digo-te adeus, o tempo destrói 
e a saudade dói!
lá fora florescem os cardos
a lembrar o S. João
ergo minha mão
digo-te adeus e sinto-me só
fica a tua imagem
na garganta um nó
e o sonho é agora frágil miragem.

hoje todo o céu arde
e eu sem ti neste vermelho ardente
embriago-me com o perfume da tarde
e penso em ti docemente...

natalia nuno
rosafogo
02/2002



quarta-feira, 7 de julho de 2021

amor louco...





meus olhos perdem-te de vista
no peito fica a saudade
lâmina que corta sem dó
que tortura sem piedade,
quase à dor me ofereço
e padeço,
se meu olhar não te avista
porque me sinto só.

sorri e chorei
sofri e amei
agora meus olhos sol não têm
lágrimas são vagaroso rio
águas que não se retêm
a vida presa por um fio
e como se a dor fosse pouco
dissolve-se a mente
a alma sente
o morrer deste amor tão louco.

natalia nuno
rosafogo
02/2005

segunda-feira, 5 de julho de 2021

enamorada...



meu olhar é suplicante
a cada hora e momento,
assalta-me o desejo
cada instante...
causando dor e tormento.
faminta e obstinada
morrendo de desejo
por ti enamorada,
abandono-me ao ardor
do teu beijo
de prazer e júbilo estremeço,
adormeço, acordo e recomeço
nosso amor é gigante
e eu tua mulher e amante.

sou como andorinha
voltando ao ninho acostumado
trago uma pena levezinha
doce, como o mel perfumado.

natalia nuno
rosafogo
imagem pinterest
02/2005