palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sábado, 7 de setembro de 2019
o mosto do amor...
olho os teus olhos que brilham constante
quando me olham de frente
e me dizem verdades
cegamente afirmo exaltante
que nos corações trazemos saudades.
no meu âmago com amor te soletro
para ti foram meus primeiros versos,
salpicados de alegria, com o coração em chamas
e o despontar da brisa, na hora
a que me amas,
- e escrevo cada verso
com a força do aço, e somos nós em cada
pulsação, em cada abraço...
a felicidade amanhece nos nossos olhos
tudo o resto, é resto, e pouco importa
ai de mim a respirar para viver d' amor,
não me fechem a porta,
quero ouvir a música das ramagens,
permanecer acordada enquanto os sonhos
não se desfazem e o arauto da morte
não surgir pela calada.
quero olhar teus olhos onde os pássaros fazem ninho
e me leves p'la mão no que resta do caminho
natalia nuno
rosafogo
imagem do pintarest
quinta-feira, 5 de setembro de 2019
o cantar que hoje canto...
liberto a minha angústia
dos dias que me deixam a alma turva
ouço as folhas que estremecem
e me inundam de música
e sem palavras não sei como falar
à minha gente...
por razões que só eu entendo
e o meu coração sente
vou cantando meus sonhos sombrios
sentindo-os presentes nas águas que correm
transparentes, na alegria que eu quisera
que ainda fosse, a menina que levassem pela mão
seria a vida de novo quase perfeição.
sonhos, sonhos que da minha nascente brotam
minhas mãos, à minha sede servem de taça
são elas que fazem moer a mó das recordações
que a memória lembra enquanto o tempo passa
e o cantar que hoje canto
será extinto um dia
ficará o tempo adormecido
esse tempo que já não fará sentido
não mais poderei tocar o mar, nem olhar
as estrelas e o luar, mas estarei com a minha gente
num tempo prenúncio que já me sente.
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 4 de setembro de 2019
solto a imaginação...
o fogo no coração esfria
foi-se a antiga alegria
e meu peito se debate, com falta
de vigor, falta de amor!
só minha alma ainda canta e a poesia
é meu céu aberto de par em par,
é meu alicerce, minha saudade
solto a imaginação... deixo-me levar
esqueço a decrepitude da idade
acendo as candeias que na minha infância
havia, e assim iluminada, vivo mais um dia
lembrando coisas sem idade
hoje sou alguém de alma já gasta
mas o sonho ainda é meu, e, isso me basta
sinto o desgaste da memória
que já se deteriora, algum dia vou
encontrar a paz, aí terei os grilos cantando
à minha surdez, e depois talvez, oiça
o marulho das águas, que não têm parança
e o riso da criança, agora de sol vazio
entrando no crepúsculo do outono
remando ao frio inverno, ao abandono.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 3 de setembro de 2019
arder de amor...
todo o sonho acaba... inacabado
como um dia vazio e cinzento
perde-se o encanto a cada momento
e o sonho foi isco, mas é passado.
a m'alma está fora de mim
como se levada por um tornado
fica a saudade dum amor maior
abrigo o meu desejo de ti,
acolho-me na recordação plena que vivi.
todo o sonho acaba em desalento
e eu perdida na noite caída
sem que o coração sossegue,
ele que fabrica o sonho
e recria a vida.
todo o sonho nasce com sina de acabar
às vezes traz da meninice o odor
da juventude o amor, fonte de calor
no coração incandescente, logo vento forte
faz acordar, e a realidade tocar
o sonho acontece como por encanto
tudo me foge menos o amor
pois se te AMO tanto!
natalia nuno
rosafogo
sábado, 31 de agosto de 2019
mágoas que se prendem...
as coisas do dia a dia
são coisas com que me entretenho
como pequenos frutos que vou colhendo
desde o imenso tempo de onde venho
as lembranças vêm devagar até mim
e a vida parece-me imensa
e por fim, chego exausta ao anoitecer
o silêncio é meu chão e a saudade é
intensa em meu coração
os dias são de colheita, mas nem todos iguais
de mel ou de fel, de sentimentos desiguais
pequenas coisas na memória cansada
o coração nem sempre adormece feliz
e já nada vai mudar
e eu digo, sou a que nunca soubeste amar.
as coisas do dia a dia
são mãos vazias cheias de nada
são a alegria, de quando tudo acontecia
pequenas pontes que não chegámos a atravessar
pouca coisa que escoo calada
pensamentos a fazer de conta que meu céu é de luar
as coisas do dia a dia
são pequenas asas que me ajudam a voar
são de mim o retrato a preto e branco
são meu tempo de criança a brincar
vozes perdidas que consigo escutar
o caminho do rio a quem oiço o eco
que me segue, quando já me perco.
natalia nuno
volto a ser rio...
a amarga flor da saudade
traz lágrima que desce pelo rosto
curva-se este até os joelhos tocar,
e traz à vontade, a vontade de adormecer
sem tempo nem medida
e, calar a dor, desta saudade sentida
o rumor seco dos ventos,
uma ausência infinita,
as mãos caídas no ventre
num adeus mudo que a saudade
faz crescer de repente.
há sempre uma ânsia em mim
a pernoitar
volto a ser rio, como se ainda não tivesse
secado, deixo-me ao mar levar...
aceito este meu fado,
sonhos e alegrias ardem, na cegueira
das utopias...
e na passividade dos dias
que são uma eternidade,
de enfado, deixo na saudade o pensamento
abandonado,
na alma é sol posto,
a névoa encobre meu rosto
e o coração bate num silêncio agitado.
ainda assim, perdida num mundo sem espaço
quero sentir a terra de pé descalço
a ternura pelo cantar dos pássaros quero sentir
e brindar à vida enquanto ela em mim existir.
natalia nuno
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
libertação...
sinto-me solta na imensidão das palavras
perco o frio que à alma andava colado
e a vida em mim se ateia
e tudo vem à ideia
corre um tempo de memória, como
um encontro marcado, e um abraço estreito
dum amor que trouxe ao peito
liberto-o no sonho da viagem,
não ficou nada por dizer
junto ao peito só fez paragem
ficou tudo por acontecer.
e lembro este amor com ousadia
sem arrependimentos, com uma certa nostalgia,
ficou a sombra desse raio de sol
na memória que já se esboroa
vapor de água que escoa,
doce libertação nesta escrita
do que ainda sinto no coração
volto a ser daquele tempo
escrevo poema sem fim
com ilusões e verdades
poema a morrer em mim
nas traças das saudades.
natalia nuno
rosafogo
imagem pintarest
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