quarta-feira, 18 de agosto de 2021

dependurada no teu sol...



deixa-me permanecer neste letargo
deixa-me assim  até de madrugada,
quero esquecer este poema amargo
deixar a mente de sonhos povoada.
 
deixa-me povoar de sol a mente
voltar a ser de verdade a primavera,
voltar a viver a vida teimosamente
iludir a solidão perpétua q' me espera.

venho de longe abrindo minha estrada
como se atrás da felicidade viesse...
quando o sol nascia ainda madrugada

longas horas onde pouco me reconheço
meigo o amor é inda o sol  q' me aquece
assim feliz... sucessivamente recomeço!

natalia nuno
rosafogo
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segunda-feira, 16 de agosto de 2021

a vida tem o prazo estreito...



tenho a tristeza por companhia
e é tamanha a aspereza
que não merece minha alegria
encaro os dias com firmeza
que a vida tem o prazo estreito
arredo maus pensamentos,
desde que levanto até que me deito,
deito fora suspiros e lamentos.

para viver basta-me desejar-te
não quero riquezas nem tesouro
basta ver a luz nos teus olhos ao olhar-te
nosso amor vale ouro
a minha vida nada mais pretende
a felicidade no coração se dilata
só quem ama a mim me entende
contemplo o entardecer, à vida estou grata!

deixa que me perca e me encontre em ti
numa desvanecida fantasia,
que a vida corre e o que já vivi
na alma persiste, e o corpo se desvia
a esperança em mim não morre vã
minha visão ao olhar-te se deteve
há sempre mas um beijo e uma manhã,
e minha alma sempre presa à tua esteve.

natalia nuno
rosafogo
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domingo, 15 de agosto de 2021

a chama...






ternura que brota incessante
da inesgotável fonte do amor
afecto profundo do coração
é sol que cintila mostrando fulgor
doce e louca ilusão...
tudo rodopia à nossa volta
na memória, um mundo de recordações
pensamentos à solta,
tantas emoções
fragmentos do passado
que a memória ressuscita
e nossos sonhos agita.

os corações ansiosos a bater
a nossa pele a recordar o intenso viver
fá-la-emos das cinzas renascer
numa ternura efémera e real
e o coração reviver
até aos limites de quem ama
e assim nos amaremos até morrer a chama.

natalia nuno
rosafogo



sexta-feira, 13 de agosto de 2021

miragem...




já não sei o que dissemos
de tanto que falámos
de tanto que vivemos
de tanto que amámos
já não sei dos afectos
nem do amor em voo alto
dos sonhos de amor repletos
só sei da vida em sobressalto.

não sei do amor que em mim se agita
que é como areia do deserto
ora certo, ora incerto
em desespero no íntimo grita...
amor feito de plenitude e liberdade
perfeito, amor que é agora saudade.

hibernaram as palavras entre nós
já não sei o que dissemos
a vida deu tantos nós
que com calados silêncios a pusemos.
no sonho que não fecundámos,
dos versos que não te li,
à tona de água naufragámos,
eu na dor da ausência morri.

nas horas amargas da solidão
sombras  adensam no pensamento
são tudo o que resta da paisagem
surgem com a força do vento
e rugem como trovão, 
são da vida, uma miragem...

natalia nuno
rosafogo



quarta-feira, 11 de agosto de 2021

de pedra e cal...



a esperança já pouco me aquece a mão que escreve, as palavras ficam na fronteira da solidão, e eu respiro devagarinho para não me perder p´lo caminho... vou olhando dentro de mim, procurando sonhos de vela acesa, já não tenho a certeza se a minha pele era de marfim, vem-me o desejo romântico de voltar atrás, cerro os olhos e por momentos sou capaz, estranha fantasia, quantos anos passados, escritos alguns versos de pouca valia, e vem-me à lembrança o pulsar do tempo, a aceitação da vida, tudo o que me traz saudade, as noites de luar que me faziam sonhar, as folhas rasuradas com palavras de amor bordadas, nesse tempo em que o amor era chama, canto e desencanto, tempo sem prazo que prometia ser eterno por acaso... entre mim e estes anos há memórias de cristal, que durarão pra sempre, de pedra e cal, a suavizar os meus dias...

natalia nuno
rosafogo
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segunda-feira, 9 de agosto de 2021

ressonâncias...




voltei à rua soalheira, rua agora sombria que existe na minha memória, a que eu subia e descia, e onde o fresco era forte, onde esperava a primavera, uma lufada de sorte e o prenúncio do amor, era eu essa flor, apertada de sensações, deleitada de ilusões, era o abrir da flor de sorriso na boca, feliz com coisa pouca, a vida era então alucinação, enquanto o tempo passava com lentidão...que travessura o tempo nos faz, cada dia que passa a rua fica mais sombria, e eu já só procuro a paz, esqueço versos da juventude exaltada, esqueço a saudade chorada, trago o pensamento despido e o coração apaziguado, caminho na rua a quebrar de cansaço, com uma comoção grata seguindo o teu passo...deslizo por entre as sombras outonais, na inocência dos silêncios, apenas oiço o chilrear dos pardais e no vazio das minhas letras, oiço o entoar do sino e a cada esquina o meu olhar de menina enche-se da luz do arco-íris...

natalia nuno
rosafogo
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voltar à nascente...




ser poeta é ter no olhar uma luz
brilhante, um coração que sente
trazer nele dor e tormento
amor e contentamento
um labirinto de sentidos
pastorear o céu imenso
colher estrelas e luar
e amar...amar, amar...

ser poeta, é viver
trazendo a paz eleita
é morrer e renascer
caminhar suavemente ora emotiva
ora satisfeita...
o importante é ser, a vida é pouco mais
que nada, a caminhada é apressada.

enquanto a memória estiver viva
o poeta vai voltando à nascente
a saudade fica nele cativa
dizendo-lhe que é urgente
aproveitar a vida!

natalia nuno
rosafogo

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