sexta-feira, 25 de junho de 2021

quando o poema acontece



quando o poema acontece
é sempre um acontecimento
os olhos não perguntam nada,
nasce nas dobras do pensamento
desce à minha mão fatigada

os sonhos correndo atrás, 
quando é vasto o amor no coração
que apenas quer amar e ter paz!


quando o poema acontece
vai nascendo numa parede nua,
e é sempre entrega e adoração
é Avé Maria quando chega a lua,
é noite e é escuridão,
é sede infinita é tempo em que os olhos
choram, é a velhice que nos grita
é a vida apenas, ou só ilusão.

há poemas que me amam cruelmente
outros há que a mim se enlaçam
outros doem-me duramente
outros ainda, onde lembranças passam
são cartas d'amor lembradas
ao amanhecer, mais à tarde e ao anoitecer
o poema acontece, mas pode morrer!

morre e vestígio não deixa
morre sem lei, nele se fecha
se ele morre, eu também  morrerei.

natalia nuno
rosafogo
imagem do pinterest

adorno...




é um adorno, nada mais
a rosa que trago ao peito
ninguém sabe, ninguém toca
só os beijos da tua boca
sente-a com as mãos
é rosa que colheste 
e me ofereceste
para o peito adornar
quando um abraço me deste
e me falaste do teu amar
hoje a rosa,
ainda traz o peito a pulsar.

no regaço as pétalas caídas
de saudade estremecidas
e nestas linhas caladas
há lembranças e há lágrimas
rolando pela face
há coisas de amor eternizadas
passe o tempo...o tempo passe.

quando já nada tiver retorno
lembrarei o teu amor 
na rosa que trago ao peito
que nada mais é que adorno.

natalia nuno
imagem pinterest
11/2014


quarta-feira, 23 de junho de 2021

voar pela vida...





a minha saudade não cabe num verso
o silêncio é vazio, uma imensidade
onde choro a tua ausência
e ignoro,
minhas arranhadas memórias
o destino obscurecido
como o negro da noite desolada
e eu menino perdido
dando louca gargalhada
mais perdido ainda, numa lágrima
resignada...
no horizonte dos sonhos
onde sou feliz às vezes
mergulho sem recomendação
ouvindo o coração
e esquecendo a razão.

natalia nuno
12/2014

a lembrança demora...



o tempo me esquece
eu esmoreço
é tanto o esquecimento
que mal me conheço
foi tanta a flor 
e tanto o aroma
harmonia de sobra
agora é o tempo
que tudo me cobra.

viver por viver
na incerteza ficar
se o sonho perder
seja breve o agonizar

quase acreditei
ser menina com asas
papoila em seara,
hoje nas horas rasas
a apatia não sara,

saudade é pássaro que voa
a alma sem dor que não doa!
a coragem esgotei,
passos são de vidro
no tempo parei...

a lembrança demora
caíu no esquecido
que é de mim agora?!

natalia nuno
07/2014

sexta-feira, 18 de junho de 2021

dói-lhe a recordação...




tende seu sonho
como se tende o pão
e deixa a alma a levedar
em sonhos brancos de luar
mas dói-lhe a recordação,
de tudo e coisa alguma
sorri à menina das tranças
que lembra, como a nenhuma,
dependurada no baloiço
de saia rodada ao vento
- «a menina que inda oiço»
na brisa do arvoredo
num quimérico lamento.

ah! o sonho se esfuma!
gargalhadas caem ao chão
acata o destino e em suma,
dói-lhe a recordação.
uma linha azul côr de céu
na palma da sua mão
mistério que aí se esconde
são seus os rastos escritos,
que a vão levando pra onde
vai vivendo de seus mitos.

natália nuno
rosafogo
09/2003

afectos...



fecha a porta silenciosamente
fica pássaro na gaiola
doente da alma, de amor querer
por esmola...
o pensamento já se afasta
e a saudade é o sentimento 
da vida, mas o amor lhe basta,
sem ele vive no vácuo
ou numa procura constante de afecto,
com timidez nos braços
- que aguardam os abraços.

afeição é só deixar abrir a porta
do coração, 
estender a mão e sorrir
deixar-se misturar nessa estranha
felicidade...porque razão?
porque não há nada melhor que inundar
de amor o coração.
e o modo de entender, é deixar-se amar.

natalia nuno
rosafogo
08/2007
imagem pinterest

quarta-feira, 16 de junho de 2021

entre tu e eu...



faz das tuas palavras o meu sonhar
faz deste dia, um dia perene
de alegria a transbordar,
deixa-me em ti aninhar,
antes que a vida inverne,
deixa que o tempo se detenha
que incendeie o meu sonho
me deixe perto de ti,
e me extasie,
e depois, se vier a morte
pois que venha!
nada mais quero entre tu e eu,
que esse aroma que a tua boca
me traz...o céu!
e depois se vier a morte, tanto
me faz!
só a lua nos vê abraçados
nossos corpos desnudados
nosso amor é como sonho
embriagado em medronho.


natalia nuno
rosafogo
2/2007