murcham as flores que coloquei
num verso onde não havia água,
morreram os amores que amei
no coração, a sofrer de mágoa.
chegou a minha vez
agora murcho eu
murcha a minha tez.
por tanto tempo correu
a vida que Deus me deu,
que resta,
este poema sem valor
e aperta-se no peito a dor.
na memória momentos partilhados
recolho todos os instantes
gestos e ternuras não esquecidas
e tuas mãos acompanhantes
fazendo de meu corpo avenidas
intensas madrugadas
estremece a claridade,
quando nos vê abraçados
amanhece, e aos ouvidos a música
de sonhos sonhados.
perdura nos meus olhos a sombra
que os ameaça
desvanece o coração e o tempo passa.
natalia nuno
rosafogo