domingo, 17 de abril de 2022

pensamentos que desato...



mãos que trago ainda atadas pela vida, que importa isso agora, vêm de longes ignorados, só as palavras vivem o prazer de conhecer seus desejos incontidos, às vezes vazias, adormecidas no regaço, alheadas de tudo...quando deste pelas minhas mãos? - sôfregas, desenhando carícias em teu corpo, na melancolia duma qualquer tarde doce...como o tempo voa, são agora mãos cheias de nada!

natalia nuno

sábado, 16 de abril de 2022

os dias todos iguais...








volteiam asas de borboletas
dentro do meu pensamento
pairam sobre as violetas
do jardim do meu lamento,
enquanto passa por mim a aragem
e a vida sobra, da que levo já vencida
e no anseio da viagem
sinto a vontade perdida.
sinto as horas a correr
e à noite pela calada
é a tua ausência a doer.

é como se não se passasse nada!

os dias todos iguais
penso eu com insistência
que nada valem meus ais...
do que foi minha existência
embalo ainda o que me basta
para a vida ter sentido,
mas o coração não se afasta
de andar p'lo teu tão perdido.

há sempre um sopro que corta
o vôo dos pássaros em sintonia
ao passarem rente à minha porta
acalentam o sonho por mais um dia,
e quando a noite cobre de escuridão
há sempre um pouco de luar
neste meu coração
que tem por vício te amar.

natalia nuno
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asas do silêncio...



nosso jardim tem uma palmeira
que ao sol estende os braços...
voam pássaros mansamente à sua beira
enquanto morro na voragem dos teus abraços
que loucura nos invade?
de tanto sonho perdido,
resta em nós só a saudade.

natalia nuno
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quinta-feira, 14 de abril de 2022

saudade...



recordei este pequeno e modesto poema... escrevi-o,  teria os  meus 16 anos, quando os rapazes da minha aldeia morriam na  desastrosa Guerra do Ultramar,  tal como a que a Rússia provocou agora na Ucrânia.



Calado este entardecer!
não se ouve nem um rumor
alguém acabou de morrer
não voltará a ver seu amor,
nem terá beijo de despedida
porque a guerra de horror...
lhe tirou a vida!

A chorar fica, 
quem o amou na vida
cultiva uma rosa branca,
no seu coração ele vive
do lá ninguém lho arranca,
de dor agora sobrevive!

Prá morte a guerra lho levou.
o matou sem dó nem piedade
ela tanto por ele chorou
e hoje morre de saudade.

Restam-lhe as juras de amor
e lágrimas dos olhos caídas
as lembranças são de dor!
recorda horas d' amor vividas.


natalia nuno
imagem pinterest


quarta-feira, 16 de março de 2022

que louco engano é viver...



rua longa é a vida
caminhada breve e logo perdida...
lembranças presas na retina
lembranças que deslizam 
na memória, de menina
que esqueceu seu rosto... a vida
é já sol posto
a vida correu tão rápido como o desviar
dum breve olhar,
há sempre um fio no pensamento
pronto a desdobrar
a memória dos verdes anos,
a verde idade da que trazemos
saudade.

que louco engano é viver!
a quem tão depressa há-de partir
quem sonhos quiser escrever
com  labirinto vai coexistir
sonhando-se em difusas recordações
que não passam agora de ilusões.
sob uma indiferente solidão
na despedida sem retorno,
pulsação, após pulsação
vai esperando, enquanto a tarde declina
e seu rosto de menina, adormece
olhando o poente morno.

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 2 de março de 2022

fruto dos meus silêncios...



já não choro devagarinho
já não é segredo meu chorar
o choro na garganta segue caminho
fica a dor no peito a rasgar,
o que digo e desdigo
o que nos versos lamento,
deu-me a vida por castigo
trazer de amor o coração sedento,
meus queixumes são saudade
são dor que ainda não domino
do fogo aceso da felicidade
que ao relembrar, dói quando termino.
nesta febre que sempre dura,
há tanto tempo por resolver
procuro a paz e a ternura, 
na memória, fonte onde vou beber.

natalia nuno
rosafogo


domingo, 13 de fevereiro de 2022

nesta dor sentida...



esmorecem as vontades, o olhar agora baço e a cada passo, dou conta que as saudades descansam no meu regaço, o tecido do meu rosto inquietou-se com rugas de cansaço, no pensamento como que um aturdimento, e deixei de contestar, os braços sem abraçar, perdeu-se o permanente sorriso, no meu pedaço de mundo, nada mais se altera, finjo que não estou à espera, e quando chegar a hora vou pensar em liberdade, lembrar as cartas d' amor que escrevi ao homem que amei, das juras que jurei... eram então as noites longas e sem sono, o amor era tentador e ali ficávamos ao abandono...revivo nossos momentos íntimos, até onde a lembrança me leva, os sons do amor vêm aos meus ouvidos para encantar, quanta ingenuidade ainda me vem esperançar, o pensamento tanto tenta, na coragem perdida, nesta dor sentida, a saudade sempre me acalenta.


natalia nuno

rosafogo