palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quinta-feira, 21 de março de 2019
palavras d'água...
os meus olhos embriagam-se de poesia
e florescem neles as mimoseiras
os pensamentos se dispersam
e logo as saudades são as primeiras
a afagar-me o coração,
a levar-me ao passado, às manhãs solarengas
às papoilas cor de carmim
que ainda chamam por mim,
e nos meus sonhos canta ainda o rouxinol
e só de o ver naquele ramo
fico de sorriso inteiro, criança à solta
neste dia de sol que não volta
e que é tudo o que mais amo.
vou ao mais fundo de mim
acordar as lembranças
e nos meus sentidos, floresce o jardim
da mãe, é primavera, e eu fico ali
sentada à espera...
vou ficar, há coisas que me fazem chorar
vou ao rio escrever palavras d' água
ouvir o zumbido do zangão, esquecer a mágoa
e na saudade seguir serenando meu coração
hoje o azul do céu está mais intenso
esvoaçam as andorinhas
meu passo é agora mais lento
mas eu invento que corro carreiro acima,
com um ramo de flores na mão.
assim sou feliz, criança a sorrir, leve
como a aragem do vento, e
como dizia a mãe, sempre cheia de razão.
natália nuno
rosafogo
terça-feira, 19 de março de 2019
quis o destino...
quando a alegria me era presente
e o silêncio não era de arrepiar
a vida era sonho e de contente
os meus olhos aos teus a felicidade
íam buscar
quis o destino a tal sorte
que eu ingénua borboleta a ti me entregasse
nada mais há para lembrar que me conforte
que este sonho belo, que não deixo desfazer
e com ternura nos teus braços
me deixo ainda envolver
dentro dos meus olhos o teu olhar
onde cintilam desejos
e este sonho que contigo criei
e que é imenso como o mar.
sinto-te quando estou longe de ti
minhas palavras ficam orfãs
como se o tempo fugisse em delírio
a maior saudade que já vivi
a de não poder estar contigo,
e assim a vida foi crescendo
entre rajadas de vento e mel quente
e hoje sinto de novo,
a sabedoria do teu corpo no meu
o ardor fragrante que inda volta
como uma quimera, a todo o instante.
natalia nuno
rosaofgo
domingo, 17 de março de 2019
em solidão me queixo
sinto a marcha dos meus passos
e ouço o som que o vento move
sinto a falta dos abraços
murmúrios que ninguém ouve
arrepia-me o pó da estrada
duma lembrança à outra o pensamento vai
enquanto triste, baloiçando,
vão-se os meus braços embrulhando
e o desejo com a idade cai...
arrasto-me como uma sombra inquieta
meu coração abre-se às mágoas de todas as mágoas
o mundo piora, murcham as flores da paz hora a hora
meus dedos escrevem saudade, dor, também alegrias
com a força que inda resta nestes meus dias.
ainda assim, o alento de hora a hora me vem
sempre me restam algumas vãs esperanças
exausta fujo para a terra de ninguém
levo comigo apenas lembranças
assim na minha alma chove outra doçura
recordo com saudade o que me treme na mente
e o passado trago ao peito ligado com laço docemente
então meu rosto de ternura e nostalgia se tinge
e o sonho suavemente a mim se cinge.
e em solidão me queixo de sentir-me tão frágil
barca..........
se nem sei o que quero, quando a vida já me é tão
parca.........
natalia nuno
rosafogo
sábado, 9 de março de 2019
rebeldia...
minha esperança inda é verde
como a estação da primavera
mas logo o vigor já se perde
e o tempo por mim não espera
vejo o sol de cor descolorida
a esperar anos, agora me retiro
a aguardar do tempo à outra vida
flor em seara de mãos amigas
em tempo mau e tempo brando
de tanto, tanto amar, minhas fadigas
agora só a saudade vai apertando
os pensamentos levo a correr
que a rebeldia me vem de pequena
já não mudo o meu modo de ser
quando olho atrás tudo valeu a pena
aos meus dias vou fazendo aceno
nas noites vou contando estrelas
delas recolho tanta luz que sereno
e os meus sonhos se recolhem nelas.
natalia nuno
rosafogo
meu choro calado...
cantam os rouxinóis,
florescem malmequeres mimosos
começo a sentir-me cansada
meus passos mais vagarosos.
vou percorrendo a estrada
e se a força já declina
já se levanta no olhar o negrume
ainda afloram lembranças
as que trago de menina,
embora a memória se esfume.
trago no peito o querer a q'me enleio
e a liberdade que ninguém me corta
sigo com os olhos o que me agrada
e tudo o resto a mim me é alheio
esta vida é como um grande mar
às vezes me deixa o ânimo extraviado
mas há sempre um dia que a saudade vem avivar
rapidamente se esboroa o meu choro calado...
esqueço a angústia e o pranto, e canto
sigo aqui e além e já outro dia vem
sou como rouxinol que se escapa e foge
até que de novo a nostalgia à solidão me arroje.
natalia nuno
rosafogo
trago no peito o querer a q'me enleio
e a liberdade que ninguém me corta
sigo com os olhos o que me agrada
e tudo o resto a mim me é alheio
esta vida é como um grande mar
às vezes me deixa o ânimo extraviado
mas há sempre um dia que a saudade vem avivar
rapidamente se esboroa o meu choro calado...
esqueço a angústia e o pranto, e canto
sigo aqui e além e já outro dia vem
sou como rouxinol que se escapa e foge
até que de novo a nostalgia à solidão me arroje.
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 8 de março de 2019
na minha inquieta escrita, goteja a saudade...
trémula permaneço a forjar
a minha inquieta escrita
uma luta que vou entremeando
com o silêncio que me escuta.
vou tentando adivinhar e decifrar
se esta solidão obstinada e fria
faz pulsar meu coração,
ou se me mortifica
se é lágrima ou sorriso o que em mim fica
uma lágrima que ama, ou o amor
que por mim chama
cada palavra reclama o fim da loucura,
e permanece em mim como uma ameaça
esta força inteira toda a noite dura,
enquanto o pensamento roda
com demasiada usura...
a solidão viola o meu sentir
faz rodopiar a mente,
p'la madrugada ouço a voz do vento a reclamar
que meus sonhos hão-de vir, hão-de voltar,
e é neste mar revolto que do mundo esqueço
desço na noite, ignoro, mas respiro a vida
e lá vem a arrebatada saudade
curar-me da solidão a ferida
uma luz mortiça desliza na minha obscuridade
na minha inquieta escrita, goteja a saudade.
natalianuno
rosafogo
quarta-feira, 6 de março de 2019
na sombra do sonho...
é num adejar de pomba
que a vida se some
e neste rosário de palavras
a saudade me consome
e é assim até ao testemunho da aurora
quando a noite me entorpece o pensar
e o sono não chega na hora
posso sentir a quietação da terra
e é como uma teia de amor que tudo envolve
vou escrevendo, meus dedos são asas de beija-flor
sobem muros os meus sonhos
e a vida parece ainda esperar por mim
com dias risonhos, e meu peito se expande
num bem estar sem fim...
tempo sem tempo,
faço das noites meus dias
e é lá que logo o sol regressa, trazendo
aromas à minha fonte e frutos às minhas mãos vazias
nestas horas despidas, ouço minha própria pulsação
a saudade percorre o meu sangue,
vai crescendo como uma sombra
e bate forte em meu coração
as palavras caem germinantes no papel
numa melodia constante até ao sossego
resvalam entre os dedos, esbeltas em cântaros de mel,
ali fica o meu desassossego, parte da minha vida
a extinguirem-se num sonho maior
a noite me olha e me despe
e num breve clamor de pavio
me leva à outra margem do rio.
natalia nuno
rosafogo
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