sábado, 16 de julho de 2022

a última rosa...



meu corpo é rio que flui e passa, o tempo é
de alargar o passo
embora hoje só haja sombra
sigo a vida mais um pedaço.
sobre o abismo dos meus sonhos,
o vento irrompe nos meus desejos
é vento de amor num vaivém até ao céu,
meu céu de lampejos...
meu corpo é mar infinito que me traz 
uma orla de esperança,
e a vida que ora me acolhe ora
me ignora, limpa um par de lágrimas
que trago de criança.
meu corpo é roseira com uma última rosa
com aroma suave, que a solidão percorre,
no jardim perdida, despetalada, às vezes angustiosa
onde dia a dia mais um pouco morre.

natalia nuno
rosafogo
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quarta-feira, 13 de julho de 2022

pássaro sem asas...


um dia soluço, outro canto com alegria
depois alheia a tudo entro em nostalgia
sou como pássaro que a canção suspende
depois arrebata o silêncio a agita as folhas,
nem a lua que se abeira entende
o arrepio que sinto quando me olhas,
a brisa os sonhos me embala
sento-me a teu lado, 
com olhar enamorado
como se olha a quem se ama
temos ainda no olhar a chama
e enquanto a vida tece e destece
e os dias nascem no horizonte distante
trazemos erguido o amor
a todo o instante.
.............................
enquanto o Julho me quebra em pedaços
pássaro sem asas , abrigo-me em teus braços.

natália nuno
rosafogo
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terça-feira, 12 de julho de 2022

a horas mortas...



não escolho as palavras
são desejos que por mim passam
sonho com elas, um sonho que não faz ruído,
na minha mente desfilam
e ondulam como um mar erguido.
apresento-as ao mundo, para que minha voz
se espalhe,  como um caudal de luz,
e é atroz senti-las a afogar-se nas águas
dum mar infinito,
levando meu grito, minhas mágoas 
sem querer ouvir o meu sentir,
fogem de mim a horas mortas
nem sei porque as escrevo, só Deus
escreve por linhas tortas!
não escolho as palavras
escrevo como um recém nascido que chora,
com a saudade que no meu coração mora.
memórias escritas que são folhas que caem
em solidão e esquecimento,
move-se minha mão, que não sei porque escreve,
quando o pensamento lhe diz que não deve,
alguma coisa o coração embriaga
será o aroma de pétalas pela vida esmagadas?
ou a esperança, talvez o destino me traga
aos dias, rosas belas perfumadas.

natalia nuno
rosafogo
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domingo, 10 de julho de 2022

pedaços de mim...



quantas vezes senti a escuridão
a envelhecer-me o rosto, 
pouco a pouco
nas lentas horas que o relógio anuncia
com insensibilidade e altivez,
como foi possível o silêncio que se fez
na vida, dia após dia?!
e este amor que me prende a garganta,
que é água pura como gotas de orvalho,
trouxe-nos felicidade tanta, tanta.
que em nós alguma restou viva.
neste nosso olhar alguma coisa existe,
no coração uma cega pulsação
e o amor persiste.
olho-te com angústia e incerteza
sinto tristeza,
mas sinto um despertar de esperança,
que a luz chegue ao nosso anoitecer,

clara e luminosa, como a soltar-nos o sonho,
então posso dizer-te
da minha experiência repetida, acredito,
que  a vida sempre recomponho.

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 8 de julho de 2022

os estímulos mantêm-me viva...


debandar pelos campos
abrirmos os braços de par a par
assim ficarmos até ao ocaso
pouco a pouco à solidão renunciar.
quero ser livre como a neve ou o vento
como criança que não nasceu ainda
quero voltar a viver o momento
de ser bem vinda!
não quero morrer de peito oprimido
quero assistir ao nascer do dia 
pleno de claridade
abrasar-me de amor, e viver a saudade.

com silenciosa humildade deixar-me ir
a sol descoberto, e o vento ondulando
e as portas à aurora abrir
enquanto adormeço te olhando
companheiro da minha aventura
fomos tecendo uma imensa teia
como quem sonha,
vida com ternura, mas, nem sempre
risonha.
olha as nossas pegadas,
porque o tempo vai-te ser negado
a vida fica inquieta, as bocas caladas
não somos mais botões por abrir,
nem conheceremos mais o estalar da primavera
em silenciosa humildade nos deixamos ir
errantes, perdidos, na dureza da morte
que nos espera,

natalia nuno
rosafogo
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quinta-feira, 7 de julho de 2022

a dor da saudade...


                                                                              passa o tempo , a vida passa
tudo passa a vida cansa
fica sem graça...
- e o pensamento 
não descansa por um momento
não esquece, 
pois não merece, 
a dor da saudade.
 
passa a vida, o tempo passa
por entre os fardos do caminho
sombra dolente, sem graça,
desabrocha  a dor em desalinho
a tarde morrendo, a noite lá vem
a vida foi mentira da lua
sem ti, não serei ninguém.
o tempo passa a vida passa
passou a luz da alvorada
deixou-nos sem compaixão,
e por mais que me sinta amada
foram-se os sonhos veio a solidão,
o pensamento ficou montanha
a lágrima feita dor tamanha,
a alma cisne na lagoa 
na manhã nublada, 
na palidez da minha dor calada
que tanto o coração magoa!

natália nuno
rosafogo
2009

quarta-feira, 6 de julho de 2022

antes que o tempo passe...



não dialogues com o espelho
se ele te faz sofrer
será ele que está velho?
que importa? se teu olhar te reconhecer!?
reconhece-te forte
pergunta algo à tua imagem
segue teu norte com alegria
que está certo o final da viagem
penetra corajosamente entre a multidão
confia em ti, confia,
deixa o vento ondulando na tua face
que o sol te reconforte
antes que o tempo passe
e chegue a morte.

segue devagar entrega-te à vida
deixa teu coração pulsar
abre as portas à aurora
acolhe o amor ao poente,
serenamente,
ainda que tuas pernas estejam cansadas
ou os sinais no rosto sejam pétalas molhadas,
não deixes que te fruste o tempo
e estanque o amor,
não sofras de solidão sem sentido
deixa o espelho adormecido.

natalia nuno
rosafogo