palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quinta-feira, 30 de agosto de 2018
sinais de luz...
o dia está prestes a raiar
sinais de luz entram pelas janelas
voltam as recordações antigas
e eu sonho com elas
lá está a cortina branca transparente
e a cama de latão cor de azeitona
mas onde está minha gente, que
agora me abandona?
meu olhar contorna o guarda fato
e o espelho, a mesinha de cabeceira
tudo na mesma, a fita rosa com que ato
o cabelo, a boneca de trapo comprada na feira
gosto de levantar os puxadores um a um
aceito a ilusão de lhes ouvir o barulho, caindo
tenho medo de sufocar, não sei bem
o que estou sentindo,
casa pequena à minha medida
chão de soalho, conheço-lhe os nós
sinto-me perdida...onde estão meus avós?
ouço as gavetas a abrir e a fechar
ouço até o barulho dos talheres
como posso a saudade calar?!
meu pai dizia: casa de mulheres
esposa e duas filhas, e a avó sempre a espiar
a avó fonte de sabedoria, generosa inclinação
para ensinar, as tarefas de aprender e fazer.
acordava a sorrir, o pai levantava-me nos braços
dessa manifestação de carinho,
como é boa esta ilusão de ainda lhe sentir os abraços
uma surpresa, tem que surpreender
hoje esqueço a morte e trago tudo de volta
com inabalável convicção, e o coração
se solta, abro a janela da mente de par em par
e deixo o sol de vez entrar, deixo a saudade no parapeito
e deixo-me na expectativa, quem sabe não arranjo jeito
de voltar a sonhar com estas viagens que não são novidade,
onde eu mato sempre a saudade.
as lembranças vivem, martelando-me o pensamento
e eu sinto-as vivas a cada momento,
liberto-me das exigências da vida e, vou fazendo a despedida.
natália nuno
rosafogo
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
rio da memória...
é no rio da memória que me sento
na margem, lembrando o tempo em que sonhava,
não escondendo a emoção, dava-te a mão
era um tempo diferente este que lembrar eu tento
em que um bando de aves nos pousava no peito
e eu te amava, tão menina, ainda sem jeito
como a vida é breve,
lembro a cada momento.
ainda hoje espero pela visita dos pássaros
e do vento, a trazer-me de novo
num golpe de magia, o encanto e a alegria
desse tempo que corre no rio da memória
onde me sento.
navego, estou de abalada
o tempo é escasso
levo a saudade e a carência do teu abraço
já cansam meus olhos de ver a imagem,
menina deste meu sonho sem idade
sonho que é já miragem
no verde dos meus olhos é saudade
num bater de asas me liberto
deste sonho e do resto do caminho tão incerto
mas se tempo me sobrar hei-de voltar
aqui à margem do rio da memória onde me sento
sonhando,
aliviando meu pensamento.
natalia nuno
rosafogo
domingo, 26 de agosto de 2018
amor...
amor é sentimento forte
nasce da fonte do sentir
do mais profundo do coração
há quem nele creia
quem se enrede eternamente na teia,
é a alma que se incendeia e refresca
o ar que se respira, vindo do alto
o amor é a vida no céu
são as mãos que despem, olhos que envolvem
pensamentos que trazem a linguagem pensada
é música e poesia cantada.
mas é também a vida em sobressalto.
é voltar à juventude amiúde
é sonhar ao morrer da tarde
quando o sol acende o ouro alaranjado
confiar no laço que nos atou e que Deus traçou
hoje é esperança o que resta no corpo cansado
sentir o caminho vivo e lembrar o passado
que o amor seja eterno em nosso coração
divino licor, eternidade,
eternos sejam os abraços
e acabados os passos... seja ele também
SAUDADE.
natalia nuno
rosafogo
sábado, 25 de agosto de 2018
JÁ TE FALEI DE SER FELIZ'
Á TE FALEI DE SER FELIZ?
À minha amiga e poetisa Natália Nuno.
Já te falei hoje das flores e do riacho?
Do chapinhar saltitante das rãs e do seu coaxar sincero?
Do zumbido franco das abelhas e das libélulas,
rondando de cá para lá como se à face da terra
não restasse tempo para a monotonia?
Do latido indistinto do guarda-mor a olhar os passantes
e a abanar o rabo quando um da família chegava?
Do chapinhar saltitante das rãs e do seu coaxar sincero?
Do zumbido franco das abelhas e das libélulas,
rondando de cá para lá como se à face da terra
não restasse tempo para a monotonia?
Do latido indistinto do guarda-mor a olhar os passantes
e a abanar o rabo quando um da família chegava?
Já te falei do calor dos dias sob a sombra queimante
dos figueirais, quando Agosto pingava o mel
dos frutos e a agonia da canícula?
Do fuga rastejante das cobras e da azáfama penitente
das formigas, carregando o futuro nas mandíbulas,
enquanto no canavial um melro compõe uma melodia encantatória
absorto no desaviso das horas?
dos figueirais, quando Agosto pingava o mel
dos frutos e a agonia da canícula?
Do fuga rastejante das cobras e da azáfama penitente
das formigas, carregando o futuro nas mandíbulas,
enquanto no canavial um melro compõe uma melodia encantatória
absorto no desaviso das horas?
Já te falei de ser feliz? De ser muito feliz?
De ser eternamente feliz e grato?
De ser puto com asas invisíveis e sonhos inflamados
de girândolas de foguetes e tantãs de tambores guturais?
De ser pássaro como os pássaros e avião como os aviões,
para galgar muito além das nuvens e conhecer os lugares
inóspitos e os jardins plantados à beira dos rios serenos?
De ser eternamente feliz e grato?
De ser puto com asas invisíveis e sonhos inflamados
de girândolas de foguetes e tantãs de tambores guturais?
De ser pássaro como os pássaros e avião como os aviões,
para galgar muito além das nuvens e conhecer os lugares
inóspitos e os jardins plantados à beira dos rios serenos?
Se já te falei de tudo isto, deixa que te diga, finalmente,
que ainda há constelações por descobrir
e mundos para além do mundo ao meu redor
que não conheço e que anseio encontrar ao virar da esquina.
Talvez nos teus olhos de ver mais além ou no teu coração
de surfar as ondas do oceano e a escuridão das noites de insónia.
Vamos plantar canteiros de estrelas no cimo da serra?
que ainda há constelações por descobrir
e mundos para além do mundo ao meu redor
que não conheço e que anseio encontrar ao virar da esquina.
Talvez nos teus olhos de ver mais além ou no teu coração
de surfar as ondas do oceano e a escuridão das noites de insónia.
Vamos plantar canteiros de estrelas no cimo da serra?
Regalas-e-mos com as nossas lágrimas de alegria.
E amanhã veremos mais longe o arrebol da aurora!
Está na hora... É agora!
E amanhã veremos mais longe o arrebol da aurora!
Está na hora... É agora!
Em 25.Ago.2014
PC
PC
obrigada Paulo César
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
olho-te...falas-me...não é isto felicidade?
pousam meus olhos nos teus
como se perguntassem o que sentes
o tempo, esse não nos sobrou
saudade em nós deixou,
sonhos dormentes
e a vida se apoucou,
repetem-se os dias da viagem
e a solidão é como um rio que nos atrai
irrompe no espelho a nossa imagem
fingimos não ver, nem querer saber
o certo é que a vida descai
que importa reclamar,
sobreviveu alguma coisa de nós?
as palavras caem-me. da boca
abrigo-me nos teus braços
não me digas nada
a saudade leva-me sempre pela mão
triste sombra a minha pelo chão.
hoje nem o rubro vivo da tarde
nem a música do vento na ramagem
só a nossa imagem perpassa nas águas
que levam com elas minhas mágoas
olho-te...falas-me...não é isto felicidade?
o tempo sempre amanhece
o teu sentimento é o meu
a felicidade brota em dobro
e eu à vida já nada mais cobro
revejo poemas incompletos
beijos guardados num verso
é o passado insistente, fulgente
a que me não nego,
atiço as chamas, saltamos labaredas
e dizes-me ao ouvido que me amas
olho-te...falas-me...não é isto felicidade?
somos esse rio onde nos miramos
o silêncio onde nos amparamos
não podes voar sem mim
e eu sou asa sem pássaro
se vôo sem ti.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 21 de agosto de 2018
frase3...
levo sempre o mesmo jeito de caminhar, o meu rastro é um rastro imperceptível de formiga, só meu espírito busca as palavras e eu me espanto de as escrever...
natália nuno
segunda-feira, 20 de agosto de 2018
viver será assim tão absurdo?...
os dias morrem as noites também
e eu aqui a pensar na vida
é preciso caminhar e não deixar
de sonhar...
o vento uiva suavemente,
conheço-lhe a voz sonora, ora terna,
ora irritada e exigente
e logo o dia se vai embora,
morre a vontade no meu coração
chega a noite com sua altivez de rainha
aumenta esta solidão tão minha
a vida que era um pássaro livre,
é agora amarga como o choro dum violino triste,
e eu, velha árvore batida pela tempestade
que anda sem tino,
caminho p'las ruas da saudade.
os dias morrem e as noites também
caminho com um passo arrastado
como o lento navegar das nuvens p'lo céu
a morte espreita. e o corpo vai cedecendo
quebrado... sem que entenda nada
fustiga-me o tempo e eu fico num pranto surdo
e nas janelas da insónia eu vejo como viver
é um absurdo....
e o que não entendo, é estar tão perto de mim
e tão de mim perdida,
no frio silêncio da tarde, deixo-me a pensar na vida,
com o bulir gritante da memória que não dá descanso
arrasta-me como um vendaval que não cede,
é na saudade que mato a sede, essa saudade
que me molha o peito
tatua em mim a ternura
de voltar a sentir a inocência,
e me enlaça com braços de frescura.
faz-me sentir andorinha da madrugada
ou primeira flor da primavera,
solitária e fugaz pincelada
de sol acariciante...
e aqui fico numa alegria transbordante
a relembrar a juventude, enquanto
os dias morrem e as noites também.
natalia nuno
rosafogo
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