domingo, 19 de fevereiro de 2023

os dias em flor...


surgiu o dia em ebulição
cruzei com um desejo doce
não era de vinho nem de pão,
nem do que quer que fosse.
talvez a alegria no coração
ou talvez de me sentir eu,
ou do claro véu, 
que envolve a memória
trazendo-me o o sonho.

de novo os dias em flor
eis-me viva de peito a arfar,
no encontro, com a que de mim
se perdeu...disposta de novo a amar.
chega o alvor, e assim
minha manhã fica mais rosada,
e fresca, a terra e o céu!
à lembrança sempre me acode
um pouco de alegria,
e só o sonho pode 
tudo aquilo que a recordação distancia,
e quanto à vida? É neve ao sol!

(memórias)
1965/ ?
poeminhas muito singelos
escritos há muito.




sábado, 18 de fevereiro de 2023

o poema...



o poema dirige-se a toda a gente,
não traz com ele estranheza
dialoga com o passado docemente
e afirma estar vivo com certeza.
por vezes conta uma história
e alarga-se até ao infinito
a partir do vivido a memória
molda o poema que nasce aflito
as palavras o vão polindo
cresce o poema com precisão
e como flor se abrindo
o Poeta põe nele alma e coração.

memórias 1965/01
natalia nuno
 

sábado, 11 de fevereiro de 2023

a passagem da luz...




vou-me ainda perguntando
se guardas o fogo dos nossos beijos
e ao espelho me fico olhando
e lembrando, aqueles jovens que fomos
tão loucos de desejos,
o coração já não se expressa
sobre o que os anos apagaram
e a saudade cansada tem pressa
de recolher em silêncios
tuas ausências que a cansaram.
um monte de sonhos me vem à mente
onde a luz é já intermitente
mas, sonhos nunca serão suprimidos
nem pelo tempo, nem p'lo esquecimento
e mesmo nos corações haverá sempre algum
alento...

natália nuno




domingo, 5 de fevereiro de 2023

no vazio das minhas horas...

 


no vazio das minhas horas

falta-me tudo, até a mão que escreve
estremecem os sonhos sem demoras
a esperança perdeu a cor,
por detrás dos vidros molhados
sinto a fria solidão
busco o grito, mas em vão!
sinto-me um solitário jardim perdido, 
onde a luz e o verdor, já não fazem sentido,
quero voltar a sentir
o pequeno sorriso e a fragrância da flor,
de súbito um sopro de alegria
detenho-me deslumbrada
outra vez, só mais um dia.

entre tristeza e felicidade
a distância é mínima,
e entre elas abunda a saudade.

por vezes recupero um velho sonho
com um fragor que não esqueço,
e nos meus olhos ainda aparece a chama
num estremecer voluptuoso, 
como quem ama, num pulsar formoso
que me desperta pra vida.
mais uma vez serei viva inquietude
na orla dum céu de nostalgia
cinzento, e de lágrimas amiúde,
ou brisa e luz da aurora,
onde minha alma se extravia,
urdindo os passos, eu vou,
até chegar a hora...

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

cordão de flores...Dueto

 CORDÃO DE FLORES

(Dueto NCN/PC)  
https://www.facebook.com/daClaraDias.poetry

um cordão de flores me envolve o olhar,
 enquanto em silêncio aprendo os perfumes...
trazendo o cheiro da maresia,
meu olhar se inflama quando o sol desponta!
entrelacei-as nas minha mãos
- urzes e giestas, alecrim e manjerona...
enquanto meu coração se abria
virei do avesso a espera e o desespero...
e com um vagaroso sorriso,
deleitei-me na ambrosia dos teus mimos.

invadi-te o desejo
e quebrei uma por uma todas as restrições.
procurei um beijo
e descobri a serenidade do luar na prata das águas mansas.
toquei-te delicada,
certa de que alcançaria o infinito.
já chegava a madrugada...
enfim, todos os sonhos têm asas e beleza!

natalia nuno (verso 1)
paulo césar (verso 2)

Dueto a partir do poema de Natalia Canais Nuno, que se encontra juntando todos os primeiros versos deste dueto.
Os segundos versos são de minha autoria.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

é assim em cada palpitação...



em cada palpitação do meu corpo vivo,
ouço o marulhar das águas
onde não existe medo, e as mágoas
seguem num lento vapor,
correm nas minhas veias
resta em mim, um leve estertor
e frágeis pensamentos
como emaranhadas teias.

mas este meu corpo que vive e que morre
vai esquecendo os tormentos
da prisão dos seus passos 
e a memória já confunde,
se o porvir é uma gargalhada 
ou se cai na armadilha do tempo, 
espera ainda, que a felicidade o inunde 
e o sonho seja a porta que não está fechada 
cansada, muito cansada, envelhecendo
ocultando os instantes 
mais amargos, caindo, caindo 
lembrando sonhos distantes 
ora chorando, ora sorrindo,
é assim em cada palpitação.

este corpo como uma casa esquecida 
que meus olhos não querem ver 
já um dia teve vida 
agora é o que é, a solidão nele a crescer 
sem tréguas, grito o meu nome em vão 
pois dele resta-me a recordação
refugio-me no poema 
que corre nos meus olhos 
secos e desmesurados 
onde o tema, sempre é a saudade 
que me golpeia sem descanso 
perto de mim e tão perdida 
sigo e avanço 
mesmo caída, caída!

natalia nuno 
rosafogo

domingo, 29 de janeiro de 2023

clamor...



passa a lua altiva e só, cheia de majestade 
caminhando lenta em silêncio profundo
enquanto se aprisiona em mim esta saudade,
abrasa-a o esplendor fulgurante
olha o mundo, dona da eternidade,
acercando-se dos amantes
fala-lhes de saudade
dos tempos já tão distantes...
às vezes, aproxima-se da minha janela
cortando a obscuridade
fico frente a frente com ela
falo-lhe da minha saudade,
com séculos de lentidão
a evadir-se por trás das casas
leva o meu coração,
nos meus olhos goteiras de angústias
quem me dera ter asas!

no olhar uma sombra
que não é noite nem é dia
minha alma carente, vazia.
já nem a dor faz sentido
já o corpo me devora,
na minha janela a chuva insiste
e a lua tem-me esquecido agora.

é hora, irremediavelmente triste,
nesta sucessão de instantes
sinto-me um pouco perdida,
a luz da lua já não tem fulgor
nada mais é como dantes,
e é mais um dia de vida
neste obscuro clamor.

natalia nuno
rosafogo