segunda-feira, 23 de abril de 2012

NA FRONTEIRA DO SONHO









Nasceu o dia como outro qualquer
Ouço o som da água e o vento
que sopra agora
Os choupos mostram coragem ter.
Importa apenas o tempo que resta
por hora.
O resto é sorte!
É andar talvez sem norte
Deixar penetrar no coração
a primavera
E ficar à espera.

A mocidade só se tem uma vez
na vida
Manancial de recordações, inesgotável
até ser esquecida.
As açucenas embelezam o jardim
espalhando um aroma intenso
Já ninguém pergunta por mim
Nem p'lo amor à beira de água
imenso!

Deixo de sentir o coração
Apenas ouço o vento que faz
a porta chiar
Perscruto a noite e a escuridão
A lua vai as nuvens a empurrar.
Na fronteira do meu sonho
a solidão.

natalia nuno
rosafogo


domingo, 22 de abril de 2012

TENHO SAUDADES DE MIM


Faço tranças nos cabelos da lua
E deixo-a mirar-se no meu rio
Volta sempre à minha rua!
Acorre a memória a avisar-me
sem piedade, mas fantasio...
Esqueço a realidade.

À noite tenho saudades de mim
Abre-se a janela da melancolia
E aí sim!
Surge a lembrança enevoada
Como o céu neste fim de dia.

Da tranquilidade nasce a saudade
Doce e bela...
Entrando p'la janela se instala
dentro de mim.
Trazendo-me a tal saudade,
inabalável, rouba-me o sono
e por fim...
estremece-me os sentidos,
ficam meus olhos seduzidos.
As cigarras vão cantando
os riachos correndo,
o vento ébrio voando
o vozear à minha volta crescendo,
o fogo em mim em combustão.
Me sinto inteira de alma
e coração.
Mais um sonho a chegar ao fim
Tenho saudades de mim...

natalia nuno
rosafogo
imagem da net













sábado, 21 de abril de 2012

LIBERTAÇÃO



















No dia em que  não existir,
que meu corpo se apague,
Que o rio se alague,
com a mesma fúria do dia em
que nasci!
Para acalmar a chegada abrupta
da morte.
E quando o silêncio me desamparar
e ficar sem norte
Restará de mim a tal angústia
no último poema
que escrevi.

Apagada no tempo
sonhadora... memória
sofredora,
que se liberta do medo de outrora.

Do caminho e da inútil jornada,
do quotidiano cinzento.
Vestígios duma vida que agora
é nada.

O tempo já não existe, então
nada do meu mundo resta.
Serei sombra dum sonho inacabado
Uma sombra na multidão
A esperança impossível
O vento aprisionado.

E meu corpo que foi manhã,
meio dia e bela tarde
Já não é mais verdade,
levanta-se o vento estremecendo
E ali mesmo acabarei morrendo.

natalia nuno
rosafogo













sexta-feira, 20 de abril de 2012

SOLTO A ALMA














Choram os olhos do céu
copiosamente
lagrimas de solidão.
Ri a terra de contente
Abrindo-lhe o coração.
Também choro em desespero
P'la vida que perco, mas
tanto quero.

Campos verdes, cavalos à solta
Sorriem mimoseiras em flor
Já a juventude não volta
E é fugaz o olhar do amor.

Já no meu rosto a chuva cai
Enredo-me de novo no esquecimento
Sobre mim a serenidade recai
E o inverno que me tolhe os gestos
é silencioso e cinzento.

É justo que lamente,
e a saudade venha o peito extravasar
Só quem não vive não sente
E eu vivo para lembrar.

natalia nuno
rosafogo
imagem rertirada da net.

ABRIL








Desabrochou agora Abril
Mês que tudo floresce!
Esqueça-se o mundo hostil
E a esperança logo cresce.

Vem e dá-me a tua mão
Aqui é o nosso lugar!
Da  existência a razão
E a razão para  lutar.

Liberdade é a esperança
Deste povo amarfanhado
Traz Abril na lembrança
Ardente vento perfumado.

Traz na garganta o grito
Doutro Abril, a lembrança
Nos corações traz escrito.
Resto de alguma esperança.

Quer no sonho avançar!
Num manancial de nova vida
Abandonar o sonho no limiar?
Não!Nem a memória perdida.

Chuvas de Abril, alecrim
Verdes prados, sementeiras
Tantos cravos ...um jardim!
E para lutar mil maneiras.

Emudeceu todo o Povo...
Amarfanhado em sofrimento
Mas Abril virá de novo!
P'ra acabar com tormento.

natalia nuno
rosafogo

imagem da net

quarta-feira, 18 de abril de 2012

HÁ UMA LÁGRIMA QUE SECO














Há uma lágrima que seco.
Angústia que só o coração conhece,
e no peito faz eco,
dum bater que esmorece.
Na lembrança de cada beijo,
o tempo retrocede como por magia.
O amor atinge o cume,
e o desejo.
E a dor no peito se abrevia.

O tempo é uma infinidade,
tempo sem medida...
Enorme nostalgia é a saudade
Que é no peito, ora um sol,
ora uma ferida.
Agonizam as minhas mãos de
cegueira,
a tremer de acarinhar o nada.
Repousam da canseira,
são sombra duma vida desfolhada.

Minha solidão se multiplica,
como pássaros em bando.
É a sorte que dita
o destino que não comando.
Brinda-me a vida com mais um dia,
e o sol vem até mim feito ternura,
numa cândida doçura,
a reconfortar minha solitária nostalgia.
E meus olhos prometem sorrir!
Serena-se meu rosto, preciso sentir,
que a vida não está de partida.
Que depois de tanta lida
A sinto ainda de chegada!

Pois sempre que a noite vai,
vem a alvorada.

rosafogo
natalia nuno
imagem da net.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

ENTRE O SONHO E O VAZIO













Quero molhar os pés no rio
Sentir-me viva e encher de sonho
a alma
Não sentir da vida o frio
E puder cantar, chorar, sem que ninguém
me leve a palma.

Óh se pudesse esquecer a vida
à minha volta!
Ouvir apenas o sibilar do vento,
deixar-me ao abandono...à solta,
livre, tão livre como
o pensamento.

Sentir-me feita de nuvens ou de neve
Nesta vida que a mim me talhou,
que faz do meu tempo, tempo breve,
fazendo temporal que por mim passou.
Hoje está mais um dia extinto
E a morte ronda eu a pressinto.

Vou p'lo campo saciar minha sede,
na nascente que brota sem parar.
Vê-de...Vê-de!
Como gosto de com a natureza
comungar.

Percorro o caminho da primavera.
Sinto ao longe o nascer da aurora
Quem me dera...quem dera!
Que o tempo ainda fizesse sentido
agora!

Trago os olhos cheios de tempo
e caminho,
corro como a água errante sem parar.
Neste rio que se lamenta e segue sozinho
E choro ...como o seu leito a cantar.

E já tudo é nostalgia no meu coração.
O tempo passa por mim e apregoa,
que fez de si minha prisão,
e correntes sobre mim amontoa.
Esvazio do coração o pranto de outras
horas.
Reconstruo meus sonhos mais
uma vez!
Até que nada mais haja para crer,
e depois aí sim, talvez!
Possa enfim em paz morrer.

rosafogo
natalia nuno
imagem retirada da internet.