palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
náufraga...
o peito é um mar sombrio, quando a noite surge enferma e sem estrelas... as ondas em movimento brusco, em grande tumulto vão desbravando os meus sonhos de náufraga... a cada dia mais inalcansáveis até me deixarem obscuramente no esquecimento...é este o medo que sobe os muros por detrás de cada sombra...cai a chuva numa sucessiva agonia, rastejando, cai cega como pedra atirada ao meu dia, e dos meus dedos de solidão fogem as recordações caídas em nevoeiros, o meu «mar» de repente emudece e abre-se o silêncio no meu coração, e eu penso que a vida é carta por fechar, é luz entre luz no caminho que continuo a sonhar.
natalia nuno
sonho incubado...
sempre o mesmo sonho incubado
para dar sentido à vida
trago-o cá dentro calado
a fazer face ao desalento
com um estremecimento, às vezes
ergue-se provocador, desafiador
com tanto empenhamento
que me deixa sonhadora, como uma
jovem promissora
numa explosão de felicidade,
numa desabrida saudade.
na realidade, cada descer ao passado
sustenta cada momento meu,
como semente no meu interior
regada e cuidada, que do tédio me resgata
e encaminha os passos com fervoroso ardor
o tempo feroz me dificulta o avanço
faço a viagem num estado de sonho
com a brisa primaveril a baloiçar-me
na mente, e a vida, me aplaude intimamente,
há uma frota de nuvens que desliza pelo céu
nelas viajo até ao futuro, nem claro nem escuro,
para trás os tempos mortos e vãos
transformei-me numa enganadora com saudade
escrevo com minhas mãos, emoções com ingenuidade
escrevo sobre o impossível que é voltar atrás
alimento-me de ilusão, já tanto se me faz!
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 15 de novembro de 2016
um melro me canta...
fresca como uma manhã clara que desperta
tal como criança saída dum sonho
uma força imprevisível me atrai,
vai abrindo a minha claridade
e num ai,
deixa-me em liberdade
um melro me canta e
o vento fulgura
e eu feliz estreio o mundo como
se fosse todo ele ternura,
numa alada loucura
sobrevôo os riachos da tarde
e nesta liberdade ansiada
o meu olhar vive
e o meu sonho rodopia
nos intantes que não tive.
nem já as palavras me bastam
nem os numerosos passos andados
oculto-me nos buracos do silêncio
para que não me descubram
e nos meus horizontes irados
o meu coração vive de ansiedade
na presença do incerto,
morre de saudade... do sempre ao agora
na sede e no pranto que trago por perto,
solitária flor
de existência feliz diante do nada,
aos dias confiada...
natalia nuno
domingo, 30 de outubro de 2016
escutando meus passos
no sonho há aroma a magnólias
vindo do tempo, onde o tempo não contava
e o sol se aproximava de mim doce
abrindo a manhã como se fosse
a minha própria pulsação,
tempo sem tempo, cantava
um pássaro no meu riso
e habitava amor no coração.
estendo a minha mão
a esta vertigem que é sonhar
e é como se fosse o instante dum beijo
em que me olhas com um só desejo
a sede de possuir-me,
como vai longe a quimera
e eu na solidão, à espera...
no oásis da minha memória
ainda há uma busca indecisa
que meu coração precisa
que a ternura lhe seja entregue.
mas o tempo corre, segue,
e deixa apenas recordações
nuvens escuras, visões, mas uma claridade
indistinta, e um só pensamento sobre ti
dos momentos que vivi, e
uma derradeira saudade...um mundo de interrogações.
no coração trago a herança dos anos
e na boca arco-íris de sílabas que soletro
que são teias e outras favos de mel,
teço e desteço ilusões, enganos e desenganos
o amor e a desdita
que eu grito até ao fim,
ao fim da vida, ao fim da escrita.
trago em mim amarelas florestas de outono
no calafrio do meu corpo adormecido
no meu Deus supremo me abandono,
caindo assim, a minha metade
mais trémula no esquecido.
e fica a censurar-me esta saudade.
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
entre uma lágrima e outra...
janelas fechadas
e, eu caindo na desmemória
já pouco volta ao calor do meu olhar
as pessoas amadas são lembranças
de negro azuladas, como violinos nas trevas
tempo fantasma é assim que me ensombras e me levas...
em cada degrau da imaginação
vive uma ou outra recordação,
desdobro um sorriso
vivendo como papoila abrindo-me ao ar,
na estreiteza do medo
de num só golpe a morte me arrancar.
a face retida na prisão do tempo
tantos sonhos acabados de quebrar
viver sem si mesmo, quem pode festejar?
o tempo disparou a flecha, quebrou a força
da m'alma comovida,
sitiou-me a vida entre uma lágrima e outra
dos meus olhos esburacados
talhados, para serem a flor do teu olhar
devastados por poder ser ou já não ser
e na inquietude do sonho ousar despertar
espelho de mim que ao de leve toca
para recolher o resto da flor que é nostalgia
não ouvirá um gemido da minha boca
que atormentada, vai ficando de palavras vazia.
natalia nuno
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
fala-me de amor
fala-me de novo com a voz de outrora,
diz-me palavras d'amor ardorosas de promessas
e eu dar-te- ei tudo inda que não peças,
que arda em nós essa antiga chama
mais rubra que a aurora...
procuro-te em mim e rasgo-me de emoção,
o amor é minha ventura, a mais bela memória
do passado, é ternura q' extravasa em m'coração
nesta última e efémera estação.
estás a meu lado e por vezes não te alcanço
sinto-me, como se fosse uma folha despida
que ninguém socorre, neste poema que escrevo
com o rumor da agonia,
poema que não morre... vive da minha utopia
é ele que me arranca à solidão e me dá vida
traz-me a chave do teu amor, o sonho do teu
leito, levanta o meu capricho, o meu desejo
e eu sei que vais amar-me do meu jeito.
e eu sei...que darei tudo inda que não peças
que as tuas palavras serão promessas que
se espreguiçam aos meus ouvidos,
para acalmar a sede dos meus sentidos,
desse fogo d'amar ainda não extinto.
fala-me... fala-me por favor...
palavras ardorosas d' amor.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 6 de setembro de 2016
à tua espera...
os dias parecem longos
sobretudo quando as flores morrem depressa
e logo a ânsia com que a saudade regressa...
espreguiçam-se as recordações na memória
e longas são as emoções.
vai a morrer a tarde, sigo contigo
de mão na mão, cabelos ao vento
e tu acendes em mim o desejo
dum beijo, outro beijo, e eu sonhando possuo o mundo
neste desejo tão profundo...
os dias parecem longos, passo por eles a medo
a dor não passa, a dor da saudade
desse amor, que vou recordando em segredo.
os dias passam... para mim minto
crendo que ainda plantarei flores na primavera
à chegada dos pássaros dir-te-ei o que sinto
e assim, remoendo o tempo, reenvento sonhos
à tua espera...
os dias não me trazem recados teus
por detrás das cortinas há lampejos de lua
deixam remediados os sonhos meus,
é a hora da loucura, dos abraços,
dias repetidos de saudade nua
da carne a envelhecer ...do sonho a morrer.
o tempo, vai agora bordando o silêncio
é tempo do coração quieto e sereno, da solidão
e dos dias que parecem longos, doridos, vazios,
onde adormeceram as emoções, uma ou outra dor ainda,
uma peregrinação de recordações.
natália nuno
rosafogo
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