palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
segunda-feira, 15 de junho de 2015
plantando palavras...apenas
pequena prosa
a vida é clausura onde vão morrendo as recordações, vai estendendo a mão mas em breve reduzirá a cinza aquela que aperta, vai plantando palavras na boca sem nexo ou a sua ausência, vai desnudando a memória, surge o silêncio e o vazio por detrás de cada dia, até que o corpo é um vale árido olhando-se em ruínas...desperta a lágrima à beira do vazio, nos olhos onde o sonho ainda se revela... e de tanto sonhar caem no esquecimento de si mesmo...e o rosto fica sem vida, mas é ainda o rosto, desencadeia-se no pensamento uma névoa que vai apagando aos poucos a memória roubando-lhe o sol e só a impiedade floresce, tornando-a gaivota de silêncio como se o seu vôo azul terminasse,.. ave embriagada que tudo esqueceu e se harmonizou consigo própria e assim permanece na tranquila solidão dum sonho onde o nó não desata mais e nada pode alterar este destino.
natalia nuno
rosafogo
domingo, 14 de junho de 2015
quando a noite amanhece...
repousa em mim a saudade
deitou-se aqui no meu peito
trouxe palavras de ansiedade
ficou o coração insatisfeito
trago a ilusão da calmaria
hei-de rir dos dias de marasmo?
ai... que a vida já se distancia
e eu não quero morrer de pasmo
quero que meu outono floresça
como primavera em ascensão
verde esperança em mim cresça
e venha a bonança dar-me a mão
e de todos os sonhos que sonhei
mesmo não tenham valido a pena
não perguntem nada só eu sei!
minha força é grande, não pequena.
deixem que perpectue em mim
alegrias e lágrimas choradas
quero ficar em paz até ao fim
livre sem as ideias amordaçadas
quando o rio da vida me engolir
e ocultar do céu o meu olhar
um pouco do que fui há-de sorrir
lá de onde não mais vou regressar
aperta-se-me o peito, calo a boca
e caminho...caminho sem segredo
trago o sangue a pulsar, e da pouca
vida que resta não trago medo...
natalia nuno
rosafogo
quinta-feira, 11 de junho de 2015
instantes...
O tempo é abolido,
a cada instante é deslumbrado o olhar
a vida sempre abre uma fuga,
para esquecer o que vai mal no presente,
abre-nos um outro caminho
e nós acreditamos na luz da quimera,
do amor, ou de algo que nos parece bem ao olhar...
quando o sol se vai no horizonte à distância fico a decifrar
o tempo e a sombra começa a penetrar-me a alma,
então sou a aparente quietude dum lago onde a água é calma
e transparente e nada nem ninguém consegue turvar...
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Ai de mim...ai de mim!
Surge orgulhosa a rosa
no roseiral
quis a sorte
que não tivesse rival
há sempre um perigo eminente
o vento que a faz tremer
razão mais que poderosa
para a rosa desfalecer.
é bonita segundo uns
segundo outros é formosa
talvez pareça vaidade
vantagem ou desvantagem
ou apenas a saudade
que ela traz da sua imagem.
Traz a alma enriquecida
de amor...que é sentimento e vida
amor não é palavra banal
da vida é o maior festim
ai da rosa do roseiral!
Ai de mim ... ai de mim!
A afrontar a tempestade
do tempo que lhe traz saudade
palavras são ventura
que esmola por caridade...
natalia nuno
rosafogo
domingo, 7 de junho de 2015
Rasgado gesto
Teu tacto fica surpreendido
com a leveza da minha mão
que te procura
apesar do gesto tão conhecido
que milhares de vezes vai rasgando com
doçura...
E nem uma palavra, nem um aviso
sentir é a única ideia
às cegas minha mão sem juízo
o teu corpo serpenteia...
Uma oscilação aqui e ali
um sussurro inquieto
como se fosse um gemido
perdido entre si
verte-se sobre nós súbita
loucura
são momentos de vida. únicos
de explosão e doçura
como o grito dum relâmpago
a estourar
assim é a loucura
do nosso amar...
E é como se o tempo flutuasse
entre a noite e o dia
ou sobre o muro de mais um sonho
que se anuncia...
natalia nuno
rosafogo
quinta-feira, 21 de maio de 2015
a memória das coisas
Tudo ao redor
é frescura e suavidade
duma pureza angélica
tudo se reflecte no meu estado
d'alma,
esta paz idílica
que me traz saudade,
natureza luminosa
que irradia serenidade
tanta flor colorida,
perto correndo o curso d'água
e tão efémera que é a vida.
Como quem escreve aos ausentes
trago ao presente coisas do passado
lembranças das gentes
dos lugares sem semelhança
memória das coisas
de quando era criança.
Todas as coisas que se desejam
sempre tardam demais,
a primavera chegou,
- Meu Deus, tanta beleza me dais!
É a lembrar de quem já partiu
que de tudo faço lembrança,
esta, remedeia o meu frio
e veste meu coração de criança.
Sol claro, calma ardente
navego em confiança...
Há no meu olhar gratidão
por este tempo de primavera
e trago o gozo no coração
de quem... por um novo dia espera.
natalia nuno
rosafogo
escrito na aldeia 13/03/2014
terça-feira, 5 de maio de 2015
no fervor do sonho...
Vão morrendo as estrelas
na madrugada já se ouve o galo e seu clarim
a manhã gloriosa, já tanta claridade
e tu alheio nem dás por mim
termina a noite em saudade.
amei-te inda menina era aurora venturosa
amar-te, ainda é minha sina
e esta noite tão misteriosa...
Quero ainda ser a flor do teu olhar
incendiar-me no teu fogo
no fervor do sonho que nos faz sonhar,
e logo tu seres a emoção
com que escrevo, nestes breves momentos de ilusão
Não adormeças ainda dá-me a tua mão
que as palavras sejam luz em nossa vida
farei com elas versos belos e intensos
e no teu amor me sentirei protegida,
imensos são os anos que nos levam
vamos morrendo como as estrelas...
e eu esculpindo versos tentando detê-las!
inventando esperanças, acalmando o vazio
esquecendo a sombra do olhar
e deixando-me no teu coração habitar
hoje, escrevo sonhos como estrelas cadentes
e escuto o amor com infinito desejo
dum beijo d'amor
que eu sinto... e tu sentes.
natalia nuno
rosafogo
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