sexta-feira, 28 de novembro de 2014

poção...



súbitamente tantas ideias
vindas não sei de onde
parecem teias
e eu arrebatada pela emoção
deixo falar o coração
de onde vim, para onde vou
o que fui, o que sou
o meu melhor, o meu pior
o desvendar dos meus segredos
os meus medos
tudo deixo nestas folhas sem fim
que são para mim
uma poção, ou um aroma
que me sustenta
labareda que me incendeia
o fogo que me alenta, me ateia.

quanto mais escrevo
mais descontente me sinto
nem sei se devo...
deixo-me de alma despida
deixo o sorriso murchar
podem dizer que minto
escrita é abrigo onde posso chorar

ideias desprendidas, às vezes sofridas
talvez, aparente loucura, sem cura
onde me deixo inconsciente
pois ser-se Poeta também é bravura.

natalia nuno
rosafogo






terça-feira, 25 de novembro de 2014

palavras...apenas palavras



o que há nestas palavras singelas
que não têm graça nem arte
que podereis achar nelas
depois que de mim as aparte?
andam os meus olhos tristes
no coração trago lembrança
se hoje trago tormenta
amanhã trarei bonança
os males que o Poeta tem
os vai cantando ou chorando
com ventura ou desventura
só ele os sente tão bem

quem não as quiser sentir
seus olhos nelas não ponha
a vida é breve e se não se sonha
não vale a pena existir...

estas palavras singelas a que nenhumas
se igualam
falam de mim, delas falam
e se escrever mais algumas
espero não as enjeitem
deixá-las-ei de vontade
oxalá as aproveitem
pois são naúfragas de amor
e saudade.

natalia nuno
rosafogo

sábado, 22 de novembro de 2014

meditação




Coitado do meu País, as vergonhas por que o fazem passar, dobro as lágrimas quando oiço a Portuguesa, creio que ainda há muitos como eu que apesar de simples, amamos e respeitamos o chão que nos viu nascer, já outros letrados e afins que o des(governam),deviam ter vergonha na cara, para além de o fazerem tapete dos outros países se abotoaram, encheram os bolsos e nos retiraram o pouco que tínhamos e levámos a vida para o conseguir. Malditas criaturas!


natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

minha doce inimiga...



é cinzenta minha inquietação
saudade é chuva que me inunda
o coração...
como o silêncio agora pesa!
ribombam trovões distantes
lembro a reza de menina,
a Santa Barbara Bendita
«que no céu está escrita com
papel e água benta
livrai-nos desta tormenta»,
relâmpagos serpenteiam
por instantes o céu, pelos raios lacerado
que me fascina,
o dia agonizado,
um fragor de granizo
surge sem aviso,
sacode o chão, vindo dos céus,
eu me entrego a Deus

nuvens negras de corvo
luz macia e lenta
e meu coração experimenta
o amor p'lo verso
que surge súbitamente,
vindo dum recanto da alma
inesperadamente a escapar-se por entre
os dedos, apagando os medos
neste fim de dia
negro, de sombras e nostalgia.

por detrás do vidro embaciado
abstracta, olho o arco-íris
imagens me vêm do passado
me arrastam num deambular de sentires
meu coração sente  e despedaça
enquanto a morte se aproxima ... a vida passa.

natalia nuno
rosafogo




sexta-feira, 14 de novembro de 2014

bate-me à porta a saudade....



Todas as forças consumi
evoco agora recordações
contemplo ternamente o tempo
de quando te conheci
sinto um leve rubor com a recordação
era tempo terno, tempo de ilusão
agora as recordações já se sobrepõem,
minha expressão já envelhecida
já lhe escapam os traços,
tudo são interrogações e expectavivas
os sorrisos, os passos... que fez o tempo
da minha vida?
Mergulho no passado
docemente recolhida...

Erro ao acaso pelo cais da vida
bate-me à porta a saudade
e num sonho revejo
com felicidade, e súbita
iluminação interior
os melhores tempos, tempos d'amor

meu pensamento voa
levando meus olhos numa aventura
excessiva,
o coração ama,
o sentimento não extinto
porque é amor o que sinto
viva, viva apelando à vida
degrau a degrau me facilite a subida.

meu coração ainda existe
numa teimosa nostalgia
que me ata à vida...

natalia nuno
rosafogo





pensamento



O passado é remota fragrãncia existente em nós,  o presente é tão inocente, tão criança, que nem a si se conhece... é um sopro cristalino, como pode saber que existe? E o amanhã é folha de trevo difícil de encontrar.

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

amor-perfeito...



abres minha mão para ler suas linhas
me assusto com a falta de teus beijos
pressentes espasmos de meus desejos
nos sonhos que em mim desalinhas?

vou-me encostando ao teu peito, agora
deixa-me sonhar sonhos que vêm de ti
não me impeças de caminhar nesta hora
quem sabe... a próxima não estarei aqui!

deixa-me partir quando as rosas abrirem
deixa alimentar o sonho q' em mim viveu
deixa os meus olhos morrendo, ainda rirem

acode aos meus lábios e deixa-me no peito
este vivo amor que um dia me enlouqueceu
explodindo em m' coração, amor perfeito...

rosafogo
natalia nuno