sexta-feira, 20 de junho de 2014

o esquecimento abre passagem...



Corre o dia,
e uma luz coada entra pelas cortinas
antigas, a solidão me faz
companhia,
adensa a noite
e desarruma a minha mente
e assim a flor desfolha até às
pétalas finais, como o sol
que se apagou, derramando
um vazio que a destrói.
Transporto sonhos ante um inverno
que me espera, a solidão dói,
o esquecimento abre passagem
e cada lembrança é já indelével
imagem,
como casa desabitada, mofenta
arrasada, onde já ninguém responde
minha alma, anda não sei por onde!
Minha vontade, ainda
inventa versos como comida suculenta
que me faz bater o peito, e a saudade
traz-me de volta a menina
dizendo-me que sou a mesma d'outro tempo.

o tempo que vai e nada o pode deter
fica a palavra feita nada,
a vida voando para o poente
como a água, que não volta à nascente

natalia nuno
rosafogo


sexta-feira, 13 de junho de 2014

palavra aprisionada...



Trago a palavra aprisionada
ocupa o coração
e é só já lembrança
é ventura, desventura, a desgraçada
a palavra que fala de mim
e constantemente de ti
é a paz que me traz a alma apaziguada
e é meu céu, me fecunda de felicidade
é um grito d'amor sentido
é a palavra é a saudade

a palavra que nasceu amaldiçoada
a que trago aprisionada
a que nasceu para sofrer
ou a outra com que brinco
e me desenfado
ou ainda a que escrevo com afinco
ou a que deixo na garganta calada
a palavra que transborda da minha alma
aquela que é meu fado
ainda a que me penetra o coração
que traz o fogo que me anima
a que nasce da minha vontade
e que é a palavra saudade

a palavra que não me abate mais
a quem me entrego com paixão
que amo com exaltação
a quem dedico os meus instantes
com ternura e amor de amante
palavras que exprimem minha
ansiedade
me renovam a alegria e a felicidade
me trazem um vislumbre de esperança
e me sentenciam da dor da saudade.

natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 10 de junho de 2014

o amuo da primavera...



Embriaga-me o vôo das aves do céu
embriaga-me o amuo da primavera
esta praia deserta à minha espera
e tu e eu vazios de sonhos...
tu pássaro solto, olhando a ondulação
eu trazendo à flor da pele
a poesia, que é fogo em erupção.

Distantes do mundo
sentimos a benção do mar
o respirar dos ventos
repousamos o olhar no horizonte
cinzento, sem grade nem prisão
deixamo-nos nesta nossa acomodação.

A vida é bola de neve
atormentadora da nossa inquietação
é com a morte laço de união.
Olho o mar imenso
sou uma pequenina gota de água
quem me olhará a mim?
Nesta etapa da vida
a paz é prioridade,
vou subindo os degraus
levo comigo avulsa, a saudade.

natalia nuno
rosafogo





segunda-feira, 2 de junho de 2014

sexto sentido...



Embaciaram os vidros
ficou a memória confusa
e o caminho mais pálido
já não me arrancam sorrisos
andei léguas com passos indecisos
até chegar ao horizonte tão meu
onde a infância é já só uma fábula
onde os verdes já são pardos
turvo o azul do firmamento
e na penumbra o pensamento.

A manhã me oprime, o sol me ignora
a tarde me cega, logo a escuridão
e logo a aurora a urdir novo dia
e é mais um sonho que se abrevia
caminho já sem meus passos
fora de mim, distante,
amor já não é anseio
já não abraçam meus braços.

Ah...mas o sonho sempre germina!
E o coração envelhece mas não pára de amar
o amor a vida domina
e é sempre ele que ergue do silêncio
e nos vem embriagar...

natalia nuno
rosafogo

domingo, 1 de junho de 2014

Como? Não faço ideia!



Gaivotas rasam o mar
o sol se ocultou
a bruma faz-se sentir
misteriosa
como o futuro por vir,
tudo passou
num passo de mágica,
fugaz, pouco mais que um tempo
dum beijo ou dum abraço.

E esta minha vontade de escrever
de fazer e não fazer
às palavras a satisfação,
mas se um sonhador destino
me traz este cegar divino
esqueço a inquietação,
o vazio
e assim, a tristeza, onde a sinto,
a alivio.
O meu sonho é gigante
e sorrio com ironia, minha vida
arquejante...
como foi que deixei morrer
mais um dia?
Utopia, a vida
castelo de areia que ruiu.
Como?! Não faço ideia!

natalia nuno
rosafogo
algarve 12/04/2014

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Balada de amor



Falar de amor, é estremecer de júbilo e prazer...
___ com Natalia Nuno ___ Grata minha amiga! 

BALADA DE AMOR
Natalia Nuno & Reggina Moon

Quero estar contigo
e sentir que estás comigo
na alegria de me amares.
Sentir-me numa bebedeira de chuva
sentir o travo fino da uva
esquecer do céu trovejares,
fazer a hora durar
o amor perdurar
da memória não perecer.
Esquecer os desatinos
e tristes descaminhos
não enlouquecer
fazer a noite amanhecer
e a paixão renascer...
Sermos toda eternidade
ou saudade que nos mata
Balada de amor sem amor
em dois poemas solitários.

Recanto das Letras
Enviado por Reggina Moon em 30/05/2014

Este dueto criado com a amiga Reginna foi ideia dela e a convite participei, o tema amor apesar de batido, sempre traz algum encanto. Obrigada amiga.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Este poema...



neste poema há o rosto
duma mulher triste
nas palavras abriga-se assustada
tem a idade dum tempo sem idade
e o bocejar cinzento
quando o pensamento se passeia
pelos labirintos da saudade.
neste poema há ainda outros sinais
palavras surdas de consoantes e vogais
que ora são rios de mel
ora são agitações e fel...

este poema é feito
de cicatrizes, rugas e sonhos
e insónias que não deixam adormecer
encantos e desencantos
memórias de momentos de prazer
de ternura, de dureza e insensatez
de palavras surdas providas
da minha surdez...
palavras encostadas aos meus lábios
alheias ao tempo
surgem em ventos de desejo
recordando o tempo que me agasalhou
outrora...
e eu acalento o sonho...hora a hora...

natalia nuno
rosafogo