sexta-feira, 25 de outubro de 2013

nasci em dia cinzento...



o grito que dei ao nascer
trazia a força inteira,
a vontade e o querer
e o tempo
tecendo minha inquietude,
num rodopio chorava eu
e o céu enchia o rio...
o tempo sempre contra mim
sem qualquer outro sentimento
que não seja sugar-me a vida.
no rumor da minha memória
sinto ainda,
aquela que fui um dia
trago-a
recolhida em meu coração,
menina a quem dou a mão.

nasci em dia cinzento
deste cinzento que me envelhece
não há oração ou  prece
apenas nostalgia,
nesta memória que não esquece
tudo passou sem dar conta
já tudo fica a uma ponta...
mas neste pulsar persistente
neste coração latente,
esperança abre as janelas
a alegria continua
a aflorar aos meus sonhos,
nada a pode mudar
nem apagar do pensamento,
nem o capricho do tempo cinzento ou
sua impiedade...
quero levar comigo o paladar
da saudade...

natalia nuno
rosafogo



terça-feira, 22 de outubro de 2013

mensagem

 
 
a convite dum amigo virtual jornalista romeno, enviei um poema que foi traduzido na sua língua e saíu na revista de 10/2013...hoje recebi a prova e aguardo a revista, penso que virá com o poema também em português, foi casualidade, mas francamente vou gostar de sentir meus versos numa língua que não a minha.

A SPECIAL PHILADELPHIA-MATO GROSSO ISSUE
SUMMARY.SUMARIO.SUMAR

A Half Dozen Philadelphia...

Donald Riggs, Introduction

Henry Israeli

Leonard Gontarek

Lynn Levin

Miriam Kotzin

Valerie Fox

Donald Riggs

Three from Norfolk-Suffolk

Caroline Gill, Two Aspects of the Literary Scene

in Norfolk and Suffolk

Chris Gribble, Norfolk: Norwich, UNESCO City

of Literature

Naomi Jaffa, Suffolk: Aldeburgh Poetry Festival

Six Authors from Mato Grosso

Dante Gatto

Marcelo Alcaraz Barbosa

José Dias Guimarães

Taís Martins

Andréia Franco

Mário Antonio da Silva

Alte orizonturi poetice

John Tischer (Mexic-Statele Unite)

Raymond Walden (Germania)

MaryAnn McCarra Fitzpatrick (Statele Unite)

Eva Bourke (Germania-Irlanda)

Carla Delmiglio (Italia)

Michela Zanarella (Italia)

Natália Canais Nuno (Portugalia)

Claudia Regina Lemes (Brazilia)

Astrid Fugellie Gezan (Chile)

Orizonturi critice

A.Augusta (Canada), Sand Days

Ettore Fobo (Italia), La poesia del Connettivismo

Rosetta Savelli (Italia), Il Regista Roberto Garay

Anna Rossell (Spania), La Topografia del dolor

Manuel Ameneiros (Mexic-Spania), Realidad

Debut la “Orizont literar”

Evelin Tamm (Estonia-Suedia-Statele Unite)

Orizontul prozei

Michael Essig (Statele Unite), A Good Day in Spookville

Amy Tan (China-Statele Unite), The Moon Lady

Maxine Hong Kingston (China-Statele Unite), On Fathers

Mihai Gălăţanu (România), Mireasa fără corp/

The Bodiless Bride

Patrizia Boi (Italia), Il principe Amos

Oziella Inocêncio (Brazilia), A Madame Bolotinha

Daniel Dragomirescu, Un loc îndepărtat/A Faraway Place

Interviurile revistei

Monica Manolachi, Entrevista con Theodoro Elssaca

Vitrina editorială

Felix Martin Arencibia (Spania), Voces desde Timanfaya

     (roman/novel)

Traducători

Monica Manolachi (co-ordinator), Elena Bobocescu, Roxana Doncu, Raisa Lambru, Daniela Zăloagă, Cristiana Ghiţă, Adela Livia Catană, Iuliana Vizan, Mirela Fighiuc, Alexandra Diana Mircea, Loredana Adriana Malic

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

fecha-se uma janela...



é na nostalgia das tardes tranquilas
que espero o sol morrer no poente
para que a imaginação não caia
no vazio...
e me sinta menina perdida
tremendo de frio.
é um velho costume
deixar a brisa sussurrar-me
ao ouvido
onde a surdez lentamente
me aproxima do silêncio,
quebrando um pouco da vida
o sentido.

logo o negro da noite se instala
minha alma numa lágrima se
afoga...e mais perdida ainda
como o vôo duma folha levada pelo
vento, que não finda...
fecha-se a janela ao tempo que partiu
a velhice é agora meu mundo
e a menina sonhadora
jamais alguém viu...
acabou o fragor da festa
só a saudade lhe resta.

natalia nuno
rosafogo




sexta-feira, 18 de outubro de 2013

se está triste não leia...

se está triste não leia

Chove que Deus a dá! A desgraça anda atrás de nós todos, parece um tempo apocalíptico, uns não tem dinheiro, outros não têm onde viver, que mais nos irá acontecer...qualquer dia ficamos proíbidos até de sorver o ar pela boca, O cinismo é tanto que uns dizem ver uma luz ao fundo do túnel, quando a gente sabe que nada regressa ao que era, qualquer dia começamos a trocar sap...
atos por acuçar e por aí adiante, a saúde é até ao esgotamento, o inverno vai ser difícil para quem pouco tem, passou o tempo da tranquilidade começa a depressão, tudo definha neste país a olhos vistos, e assim se vai perdendo a esperança, e sobra a indiferença quanto ao destino, o coração também se gasta e a mente obscurece, por mim vou escrever versos até ao fim.
 
natalia nuno

domingo, 13 de outubro de 2013

perdida em mim...




tenho frio...tenho frio!
colho lembranças na frescura
da noite...
neste volteio que é vida
que me faz avançar,
e recolho a palavra que me é dirigida,
que infantilmente ouço
como um eco
vindo do fundo dum poço....
vou ao fundo do tempo,
renasce em mim a ilusão
que nada passou,
deixo-me na adolescência,
como pássaro que voa,
e me magoa
ser agora crisálida perdida
ou prestes a perder
o sentido da vida.
os sons me chegam de longe
deles se desprende uma melodia
povoada de recordações...
trazem até mim emoções
pequenos nadas, o fogo
que me aquecia
na infância dourada.
deixo-me ir ao sabor do vento
histórias me contam as andorinhas
julguei-me perdida,
mas as lembranças minhas
chamam continuamente por mim.
dobrada ao peso da vida
presa ao meu destino
sonhando,
vou aguardando o fim

Levei a Concurso este poema no grupo Palavra Cantada , mas não ganhou nada...

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

acalmia...



gosto da quietude
dum lugar ermo,
esqueço a vida que me deixa
e sem uma queixa,
na doçura do instante,
o pássaro em mim se solta,
e vôa...
tenho a felicidade de volta
e não há dor que doa.

esqueço o dia agreste
olho o azul celeste
e deixo-me em doce paz
e na quietude das coisas
só o vento mexe,
remexe...
e lembra-me com saudade
o quanto a vida é fugaz.

natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 1 de outubro de 2013

o meu silêncio...



harmoniosa é a quietude
da noite, onde o dia espia
o silêncio...penetrando-a,
e o coração pulsa mais lento.
a mágoa se foi na direcção
do vento,
uma lágrima à beira do vazio,
o sonho perdido,
na memória extravio
e esquecimento,
insistentes as palavras,
querendo que sonhe
sonhos que não terei jamais.

a janela abro de par em par
no papel um poema por acabar
a noite hoje está mais negra
noite sem fim, que me alucina,
já não cabem mais horas em mim.

esta noite que se estende
que abre silêncios em meu coração
o vazio cresce em meus dedos,
e as palavras murmuram
recordação...ainda outra recordação,
e nos meus medos, a solidão.

a noite cresce trazendo mistério
insondável
o silêncio é cada vez maior
e o desvario em mim a crescer,
tão dentro de mim,
como um rio que não vai parar
de correr
ou criança que corre sem fim.

natalia nuno
rosafogo