palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
cheia de júbilo...
quero seguir sendo eu mesma
ainda que, por horas incertas e fugidias
quero sentir que me pertenço
não quero desabar
em esperanças vazias...
quero viver, deixar acontecer
já que o tempo não posso deter
não quero adormecer
no vazio das horas
quero caminhar com esperança
fazer com a vida uma aliança.
abrir-lhe o peito
deixar entrar a luz entretanto
perdida
não quero inútil a subida
meu sonho vem de longe e me segue
aqui fico, onde os instantes
me trazem pequenas sensações
onde esqueço o tempo e suas
prisões,
tempo que me prende os movimentos
e tudo degrada,
não quero mais o pranto
não estou condenada.
cheia de júbilo
olho a vida com contemplação
assim na tarde que cai
as horas me acompanharão
sem violência, sem ansiedade
numa eterna lentidão.
e num recanto do meu corpo
nascerá mais um poema
com o cantar dos pássaros
com o orvalho das madrugadas
os acordes dum violino
com a leveza de asas transparentes
e o mundo será de novo menino
a terra mansidão
e o tempo não será mais obsessão.
natalia nuno
rosafogo
sábado, 17 de agosto de 2013
esta sede...
o tempo desliza
e eu sem pressa
bem que me avisa
que parte e não regressa
esta sede de beber
e querer à vida sempre mais
parar o tempo num sítio qualquer
não lembrar dele jamais.
a alma suspensa
em doce tranquilidade,
assim me consinto
inventar felicidade.
negar-me ao medo
cingir a vida
fazer de conta que ainda é cedo
sentir cada veia viva
deixar-me da tristeza despedida
e nesta vida que ainda me tem
que o sonho vá mais além...
e diz-me o tempo mordaz
que passa e não se apieda
ainda sou capaz
de tornar mais amarga a queda
natalia nuno
rosafogo
imag.net
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
numa dança maior...
na hora em que as sombras aparecem
perdidas no crepúsculo dourado
gaivotas dançam sob as águas
serenas,
dum mar silencioso, que aguarda
a claridade da lua...
tudo é doçura na solidão
do meu sonho
e numa aliança de amor
tu és meu, e eu sou tua.
a vida é viagem que não se detém
às vezes desço no tempo
para me encontrar de novo
contigo, mas é alucinação
onda que vai e não vem
cegueira dum instante, ilusão
dor que não desejo a ninguém.
amdam as gaivotas numa
dança maior,como querendo à noite
escapar,
vivo eu um sonho de amor
tentando o tempo parar.
natalia nuno
rosafogo
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
o vazio das horas...
o tempo cansado
deixando para trás o rasto
duma vida.
o sonho delapidado
é aroma de flor perdido,
indefesa na realidade
refugio-me na saudade.
as palavras são um jogo
falaz
que prometem e não cumprem
e o vazio que está por detrás
é frio na memória
onde jazem já algumas
recordações
ali prisioneiras
em sua quietude,
uma vez e outra, tento libertá-las,
quer sejam de dor ou de alegria
ou tão só de nostalgia.
até ao esquecimento de mim mesmo,
nostálgica, viverei encarando a vida,
abro as portas do olhar
de par em par
ainda que seja um breve e
ilusório tempo...tempo de despedida.
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
sonho perdido
hoje a noite chegou formosa
e repentina
trouxe a lua em esplendor
de repente os sonhos afloraram
surgiu o eco da infância
numa lembrança nostálgica
onde está presente o amor...
e é uma felicidade encontrar
tudo o que foi nosso
e na quietude do sonho
eu posso...
abro as janelas da casa onde nasci
olho as nuvens de verão
e o dia comovido me sorri
por que ali voltou meu coração.
outro sonho perdido para sempre
como uma despedida
e os pássaros ondulam nos salgueiros
indiferentes,
e a vida resplandece
mas a o tempo não se compadece.
e a vida foge, foge
é miragem absurda
mas hoje?!
a noite chegou formosa
e repentina...
e eu pude voltar ao tempo
de menina.
natalia nuno
rosafogo
refugiada no poema
nada permanece no que é
os corpos se corrompem
a cada palpitar
há sombras nos espelhos mortos
os olhos já nada querem ver
resta a memória dos dias
refugiada no poema
nas horas incertas e fugidias.
nada permanece no que é
mas ainda assim a vida não acaba
a cada passada a morte à espreita
e sempre mais um pouco
o corpo desaba
e a última esperança se deita.
nada permanece no que é
tempestades se apontam ao coração
já não importa o chilreio das aves
o sussuro do rio que corre
sobe-se mais um pouco e avança-se
os passos hesitantes
tudo parece maldição
a memória cansa-se,
num túnel perdida
e logo depois o frio que asfixia a vida
natalia nuno
rosafogo
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
«Tu és ainda muito nova»
Hoje lembrei... nasci num dia em que o rio galgou as margens e alagou as hortas, soltou-se livre.
Tal como ele, eu, brava nascia, não sorri nem pestanejei, gritei, trazia comigo a impetuosidade e a curiosidade p'lo Mundo onde acabava de chegar.
Dentro de mim ainda essa criança pequena, num sopro de inspiração, lá volto à infância, onde a vida tinha outro sabor, e é um amargo doce que a recordação me provoca. Para além da criança, lembro a adolescente que conservo com comovido afecto, feliz, descontraída, assim a recordo.
Orgulho-me da aldeia, amo os que lembro com saudade, pobres materialmente. mas ricos interiormente, foram eles que deram sentido e esperança ao meu desabrochar.
Hoje lembrei também dos rapazes de mãos rudes e gestos desajeitados e dos bailes onde tanto me divertia. Há uma história que conto a mim mesma diáriamente que jorra desta fonte que é o meu passado.
Passeio pelo Mundo onde me deixo enfeitiçar por belos recantos, mas é sempre a volta à aldeia que profundamente mais me absorve, onde a memória fica viva e clara.
A aldeia e eu seduzimo-nos mútuamente, há recordações que acarinho e evoco nas minhas horas silenciosas e sombrias.
E assim me vou distanciando, sentindo-me um ponto ínfimo no final do caminho.
Meu corpo já não me pertence, devora-me o tempo, mas a Poesia reconforta-me um pouco, e a memória é guardiã do arquivo das minhas lembranças.
Repito para mim:
«Tu és ainda muito nova»
Tudo não passa de ilusão
A imagem que vês no espelho
pedindo socorro não és tu,
essa não!
Carrega aos ombros aquela que só tu vês
Tu és, a que vive dentro da tua memória
Essa é que és!
A que sonha que há-de ir mais além
Já sem nada de seu
Há-de sorrir como ninguém
Como águia, voar p'lo céu.
Conquistar a Vida
Pois nasceu para voar
Olhos bem despertos
Ouvidos bem abertos
E de emoção gritar.
Que és eternamente jovem!
Sofres da passividade
de ver o tempo a passar
Mas na saudade
Sabes o coração reconfortar.
natalia nuno
rosafogo
Este pedaço de prosa seria para colocar no meu livro, mas entretanto, não foi aproveitado, como o escrevi com toda a minha vontade, lembrei de colocar aqui.
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