palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sexta-feira, 12 de abril de 2013
fechei-me na alma...
fechei-me na alma
meus suspiros tocaram a lua
levados pelo sopro do vento
escondo o que me vai no peito
desilusão nua e crua
confesso que o tempo me apoquenta
e o coração lamenta
a queda vertiginosa
a que não está afeito.
revivo silenciosa,
esta rapidez do tempo,
mas não fecho a porta
ao sonho, refugio-me nele
mesmo no limite do tempo.
no lusco fusco da mente
ainda há um vislumbre
frequente,
da juventude e todo o
seu perfume.
pensamentos que travo e destravo
que vêm e vão
num rodopio do vento
ninguém me tolhe o passo
que ninguém ouse querer
sei bem o que quero e o que
faço
a dor que minto da dor que sinto
nada mais quero, apenas querer...
o quanto baste!
natalia nuno
rosafogo
imag.net
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Doce tempero...
Tempero
pão nosso de cada dia
que a mãe coze no forno
com esmero...
porque tudo se perdeu,
menos a hora de saciar
a fome na saudade.
hora que funde nas entranhas
saudades tamanhas,
realidade perdida
doutro tempo
doutro espaço
que ainda respiro, que ainda abraço
respiro o cheiro da terra
ouço as vozes nas ruas desertas
olho a mesma lua crescente
o mesmo sol ardente
as janelas abertas
a mesma sombra no chão deitada
a menina desajeitada
o mesmo chão fecundo
e ali é o meu mundo.
fecho a porta à chave
à saudade
e parto num vôo de ave
sonho...sonho... invento a fantasia
esqueço as rugas que me sulcam
o rosto...e,
enfrento mais um dia,
os caminhos onde me cruzo
com a realidade.
natalia nuno
rosafogo
imag.net.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
hei-de morrer serena...
minha estrela é tão fugaz
ao meu olhar entristecido
que já não sou capaz
de olhar minha face no espelho
sem ficar de olhar caído,
dói e dor física não é!
é dormente encruzilhada
vale sombrio...
que emsombra meu pensamento
vazio.
caminho pesarosa
ouvindo no espírito o murmúrio
do mar, onde pouso o olhar
e tudo parece tranquilo
numa realidade teimosa
de continuar a ser aquilo...
mas sou apenas a saudade do
que fui.
o que magoa?
é a alegria dos pássaros
como se não dessem p'la minha
solidão
e esta dor que me fastia até à
exaustão...
onde foi que me perdi
a mim própria me interrogo,
onde me recolhi?
que minha voz murmura no mar
como maresia fina
lá longe à distância
onde me deixei menina.
não venham com pedras na mão
que não valerá a pena
nem me falem com compaixão
todo o dia acaba e principia
hei-de morrer serena.
natalia nuno
rosafogo
ima.net
segunda-feira, 8 de abril de 2013
o atrás já não existe...
a casa está vazia
batem as portas ao vento
as arvores têm a raiz contorcida
desde que aqui
deixou de haver vida.
o perfume é doce e forte
o assobio dum pássaro
vem lembrar a morte.
o ar torna-se abafado
e uma ruga surge com brusquidão
meu olhar perturbado
só o rio canta
as mesmas cantigas de então...
é como se eu fosse outra pessoa
e já não eu...
já não vejo a colcha de retalhos
colorida
nem a cantara já meio partida
nem o galo de garganta afinada
cantando pela madrugada
como tudo parece abandonado
sempre o tempo
e sua hostilidade
ah...mas do sabor da sopa
chega a saudade...
Há quem diga que é imaginação
mas eu ouço novidades
trazidas por vozes inquietas
são novas, novas verdades
que vêm de além
da casa de portas abertas
onde já não habita ninguém.
e a voz do vento faz-se ouvir
O atrás já não existe
voa sê livre no pensar,
não negues as asas, deixa-te voar.
natalia nuno
rosafogo
imag-net
quinta-feira, 4 de abril de 2013
ausência de rosas...
quando encurtam os dias
encurta o percurso por onde vou
passar
vai-se o brilho das minhas alegrias
e vem a saudade em mim germinar.
emigram os pássaros,
foi-se o esplendor dos dias...
nos olhos a cegueira
e a solidão por perto
e a memória é a primeira
a esvaziar-se no deserto
é a despedida do outono
há ausência de rosas
no meu coração a indiferença
o abandono
só a persistência com que bate
faz sentir-me ainda a florescer
não há saudade que mate
esta sede que me dobra
este tropeçar no inverno
esta tortura que sobra
e se transforma em inferno.
meus olhos ficam à espreita
passa-me a saudade ao lado
o outono já se deita...
esfriou meu tempo
tempo esgotado.
natalia nuno
rosafogo
imag.net
domingo, 31 de março de 2013
cultivo versos...
cultivo versos
pequenas gotas de água
a transbordar da minha mágoa
cultivo versos
de choro e riso
eles surgem da minha alma
sem aviso.
cultivo versos
em pleno dia
e até onde a noite vai...
a vida se distancia,
meu coração cai,
nas horas onde me afundo
isolada em meu mundo.
cultivo versos
onde semeio papoilas de esperança
no mais seguro abrigo,
num espaço do coração
da criança,
que sempre trago comigo.
cultivo versos
que dormem no meu regaço,
a eles me dou
com submissão e ternura
os abraço e me cobrem
de emoção e doce loucura.
cultivo versos
de peito aberto desabrigado
nesta caminhada sem idade
versos simples ou adornados
com véus de seda
bordados a saudade,
natalia nuno
rosafogo
sábado, 30 de março de 2013
mestras perfeitas...
cai uma chuva miúda e triste
trago recordações amontoadas
no fundo de mim mesma
lá fora os saramagos
e as papoilas orvalhadas
aqui as minhas mãos ainda vivas
esrevendo sonhos impossíveis
alheias ao dia
sem acatar esta canseira
correndo com destreza no papel
minhas mãos de secreto mel
mestras perfeitas em escrever
nostalgia e tristeza.
mãos orvalhadas de medo
onde já há becos sem saída
e pontes de despedida
vertem no papel labaredas antigas
mãos de poeta, mãos de jardim
mariposas que voam sem fim
felizes
e largam pétalas pelo chão
poemas feitos de solidão
nesta tarde leda
vestidos de pura seda.
natalia nuno
rosafogo
imag.net
trago recordações amontoadas
no fundo de mim mesma
lá fora os saramagos
e as papoilas orvalhadas
aqui as minhas mãos ainda vivas
esrevendo sonhos impossíveis
alheias ao dia
sem acatar esta canseira
correndo com destreza no papel
minhas mãos de secreto mel
mestras perfeitas em escrever
nostalgia e tristeza.
mãos orvalhadas de medo
onde já há becos sem saída
e pontes de despedida
vertem no papel labaredas antigas
mãos de poeta, mãos de jardim
mariposas que voam sem fim
felizes
e largam pétalas pelo chão
poemas feitos de solidão
nesta tarde leda
vestidos de pura seda.
natalia nuno
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