sábado, 20 de agosto de 2011

ALQUIMIA É ESTA SAUDADE



Hoje o vento me acariciou
Me trouxe a última ternura da tarde
E a minha palavra se soltou
Neste poema de saudade.
Meu coração se iluminou
Esqueci até a longevidade.

Deixei-me feliz a sonhar,
Deixando que o caminho me leve
a qualquer parte
Mas o sonho nunca me satisfaz
Para quê (?)... coração enganar-te.

Na memória, tudo quanto amei
e quanto  já perdi...
Resta uma ténue fragância
Hoje meu amor (?),
sou companhia
para ti.

A vida me leva depressa,
e num sopro o coração
Em dias, noites e madrugadas
O sonho é já obsessão
Sigo cansada, ofegante...
a vida é
labareda sufocante.

Me surgem lembranças nesta tarde
Percorro com a memória
quanto caminhei...
Desse tempo inebriado, desse caminho
andado,
faltam-me palavras pra dizer de verdade
o quanto te amei!
Quanto os meus olhos te procuram
no passado.
Lembrança que ainda me perturba,
hoje caída que é a tarde,
Alquimia é esta saudade!

rosafogo
natalia nuno
imagem do blog imagens para decoupage



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

SEDE CONSTANTE DE TI



Há marcas de teus dedos em meu
seio
E desejos contidos nos teus olhos
...eu leio!
Dentro do meu coração terra pisada
Terra de escombros abandonada.
E neste instante eternizado
Sede constante de ti
no meu corpo calado.
A tactear tua mão me acaricia
Estranha é esta magia...
Como ave no azul à distância
Digo para mim que é o sonho
a esperança.

Minha alma cega vai avançando
Como fonte serena em liberdade
Na madurez das horas vou-te amando
Os dias que hão-de vir me dão saudade.

E escrevo, escrevo até que tudo
esteja perdido
Até que a minha mão trema duramente
Escrevo neste novo dia o já vivido
A saudade que consome o coração
ávidamente.

rosafogo
natalia nuno
imagem ret- blog imagens para decoupage

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

DE CÉU EM CÉU



A solidão percorre o meu peito
sombreado
Só um raio de sol na tarde fulgura
Meu coração é um vale desolado
Onde a tarde se fez tarde é noite escura.
Só o silêncio ficou...
E um aroma suave a madressilva
Com minhas lembranças doces estou
E a memória para lá do tempo
impulsiva.
Ouço gorgeios, parece choro
Canticos belos em coro
Deixo-me alheia a tudo
Nas brumas do meu outono mudo.

Trago risos nos lábios fatigados
E lágrimas a turvar minha melancolia
Andam meus pensamentos agitados
Mas em sorriso ou pranto, sinto
uma doce harmonia.

O vento me afaga o rosto
Enquanto o sol me ignora
Chega a lua o sol é posto
No paraíso me sinto agora.
Levam-me meus passos de caminhante
Em sonhos de amor até à aurora
Corro atrás dum misterioso amante
Em dedos enlaçados caminho fora.

rosafogo
natalia nuno






quarta-feira, 17 de agosto de 2011

NÃO SERÁ SÓ A SAUDADE?



Resta o sol de Setembro
que vem meu rosto dourar
Pássaro sem asa... me lembro
De nos teus braços me abrigar.
Sou agora rio que ondeia
E que segue o rasto do mar
Meu corpo p'lo teu se encendeia
É um vazio que reina
se não estás para chegar.

Hoje veio cedo a madrugada
E eu faminta e sedenta
P'la vida enamorada
Por teu amor tão avarenta.

Surge a lua acelerada
Turva mais meu coração
E eu p'la noite apaixonada
Não quero ser sombra não!

Nossos beijos florirão
Este amor não terminará
Exala ainda no peito,
no meu coração de menina.
Coração que ressuscita
que persiste e pulsará
Levando ao fim sua sina.

Virão de Agosto as luas
e Marços de amores arrebatados
As minhas mãos apertadas nas tuas
Nossos corpos abraçados.
Acordei de ser menina
E mal compreendo o que sinto
Brota em mim a felicidade
Deste amor de verdade.

Não será só a saudade?

A vida é por demais fugaz
Tudo ficou para trás...

rosafogo
natalia nuno







MAS NÃO ME DIGAS!



Tanta coisa passou... nem sei!
Só tu podes dizer-me,
Se algum dia te amei,
O que me leva a esquecer-me?
Coisas nossas que nasceram
Deram forma ao nosso amor
Será que entretanto morreram?
Sou aranha... pendendo de dor.

Mas não te preocupes comigo
Um dia desvendo a verdade
Deste estar e não estar contigo
Deste agonizar de saudade.

A vida é rio em fim de curso
Amamo-nos de maneira estranha
Longo vai o percurso
Mas não me  digas!
Que a saudade levo tamanha,
e as palavras são minhas inimigas.
O tempo nos gastou! Com sorte?
Há-de a neve em nós crescer
O Inverno a chuva trazer
A geada se quebrará em pedaços
E eu morrerei nos teus braços.

rosafogo
natalia nuno

terça-feira, 16 de agosto de 2011

PEDAÇOS DE VIDA




Perfume a hortelã pimenta
Aroma que sempre trazias
Em ondas de brilhante magenta
Duma nascente fluías.
Vinhas até mim
Numa doce ilusão
Como florido jasmim

Em troca deste aroma
Te entregava o coração.

O horizonte pálido sangrava
Meu coração batia...
Nenhuma estrela alumiava
O arco íris se perdia.
Diz-me amor onde estivéste?
Que a Primavera não revive!
Os rouxinóis percorrem o azul celeste.
O vento sopra sobre a água.

Nas alamedas do sonho vive
Esta mágoa...a minha mágoa!

Mas tudo na memória já se perde
Restam folhas pálidas ao vento
Morreu o amor ainda verde
Morreu o sonho sem alimento.

Os raios do sol, os derradeiros
Perdidos  no horizonte
Trazem-me tuas carícias
Jorram beijos na minha fronte.
Ainda amor, em mim despertas.
Brotam lírios,
como se fossem primeiros!
Já têm pétalas abertas.

No meu corpo envelhecido
Desfolham-se em pétalas de saudade
Num longo existir amortecido
Como falsa lua que adormece a tarde..

rosafogo
natalia nuno



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

MENINA DOS MEUS OLHOS



Menina
Desperta prá vida
Teus olhos são mar de brilho
Cristalina,
tua voz florida.

Menina de fronte luminosa
Neta minha obra de Deus
Transformada numa rosa
És brilho dos olhos meus.

Menina apoiada
em meu regaço
Minha lágrima a beijar-te o cansaço
e tu no meu peito
reconfortada.

Me estende os braços
Em águas vivas palpita
Eu seguirei os teus passos
Abrigo-te, quando aflita.

E minha palavra andará por aqui
Mesmo que não me leias
Ou não me queiras ouvir
Andarei por aí
Nas marés vazas e marés cheias
Para te ver sorrir.

rosafogo
natalia nuno
(poema dedicatória)