sábado, 18 de junho de 2011

LEMBRANÇA



Hoje rolou uma lágrima sobre o papel
Manchando o sonho que descrevia
Lágrima gotejando sobre a minha pele
Sonho que deixei p'ra tras um dia.

Hoje abriguei os sentimentos
Escrevo ao de leve numa folha de rosa
Deixo a memória e dias cinzentos
E volto sorrindo à meninice gostosa.

Esqueço o tempo, e só levo o coração
Fico lá atrás a brincar às escondidas
E vou saltar à corda, viva de emoção
E na mão tenho as malhas preferidas.

Agora brinco de mãos dadas na roda
Soquetes branquinhos coração explodindo
Livre como pássaro e nada me incomóda
Quero ficar, deixem-me estou pedindo.

Aqui neste tempo, ameno e transparente
Sonhar, poder de pés descalços andar.
Que felicidade a deste dez réis de gente!
Princesa, só com a aldeia p'ra morar.

rosafogo
natalia nuno

CARTAS DE AMOR


Cartas de Amor nunca enviadas.
Em tempos tão afagadas!
Bem atadas!?
Guardadas como conduto desse amor
Que se negou a florescer
As lágrimas se esvaíram e ao redor
apenas os dias, que me falta viver.

Atei as cartas com um fio de juta
Mas, cansada, perdi-me nesta luta!
Coloquei-lhes pétalas de rosa e alfazema
Desenhei um coração
Juntei-lhes um poema!
Fiz delas uma bela recordação.

Coisas íntimas!? Que agora reparto.
Que soluço e canto e na despedida
Já delas me aparto.

Quando as olho?!
Ainda em mim amanhece!
Fecho-me nelas para ver,
se o amor ainda acontece.

Agora com um acenar
Despeço-me de ti.
Como é difícil acreditar?!
Num golpe... Morri!

rosafogo
natalia nuno

QUANDO JÁ NADA RESTAR



Hoje sinto-me no final de todos os finais
Porquê? Porque estou madura, cansada
Apodreço na monotonia,cada dia mais
Viagem, passagem continuada.
Hoje não li nem uma linha e pensei!?
Como lembro de ensaiar primeiras palavras de amor
Os primeiros contactos excitantes
Os primeiros sorrisos, como o abrir duma flor
Os primeiros beijos apaixonantes.

Os primeiros olhares a mel desenhados
Nesses anos já tão recuados.

Hoje é pouco o meu vigor
A tarde de repente fica triste
E eu relembrando momentos de amor
Fingindo para mim que ainda tudo existe.

Trago a fadiga nos olhos estampada
Minha pele viva envelhece de sombras coberta
P'lo tempo bruto, desenraizada
Como flor que morre cansada de estar aberta.
Quando pisarem as cinzas minhas
Quando já nada restar?!
Sempre restarão estas linhas
Que não consegui calar.

rosafogo
natalia nuno

sexta-feira, 17 de junho de 2011

AS LINHAS DA MÃO



Olhei a palma da minha mão
De linhas bem definidas
Por cada desilusão
Umas quantas linhas perdidas.
Passou o tempo, eu arrancada
Até que chegou a hora!
Na ultima curva da estrada!?
Uma verdade me apavora.

Já a esperança se estilhaça
E a alegria lágrimas não pára
Assim é a vida que passa
E a saudade que não sára.
Olho as linhas da mão
E a verdade se encaminha
Dizem elas ao coração,
Que triste é a sina minha.

Caminho e deixo pégada
Levo os olhos sem pestanejar
Sigo livre na caminhada
Mas levo a alma a embaciar.

As linhas da minha mão
Morrem quase inteiramente
Mas eu já não luto, não!
A Vida me leva p'la mão
Mas meu rosto levo ausente.
Peço respostas às linhas
Falo-lhes de mil maneiras
Falam das saudades minhas
Mas esquecem as canseiras.

Dizem -me que é curta a viagem
Que há muito acabei de nascer
Que a vida não tem paragem
E que um dia, hei-de  morrer!

natalia nuno
rosafogo
imagem retirado do blog-imagens para decoupage

DA MINHA VARANDA



Dentro de mim o meu Mundo
Criei nele a minha varanda
O sol lhe dá desta banda!?
Em manhãs de fulgor, brilhante profundo.
Nas tardes de Outono nela me sento
No silêncio, já não encontro nada
Sinto o apertar do tempo, atento.
Ouvindo meus suspiros, eu cansada.

Aqui ouço o tempo varrendo os estilhaços
Mas deixo-me ficar no melhor da memória
Lembrando outros tempos, outros abraços
Já que dos fracos não reza a história.

À noite abraço-me à Lua
Às estrelas livres e esfuziantes
Quer o dia nascer e ela amua!
Deixo ficar a noite mais uns instantes.
Logo aparece a vida que me quer derrubar
Quero ser cotovia cantar até ao amanhecer
Não venha ela meus dias me roubar!
Neste Mundo meu, pronto a me acolher.

Cantarei estrofes ardentes
Da minha varanda até me cansar
Cânticos que serão torrentes
Até o Mundo,
Em Mundo novo se tornar.

Depois?
Depois podem dizer que morri!
Até, que tive da Vida,
mais que mereci.

rosafogo
natalia nuno
imagem do blog imagens para decoupage

MOÇA MENINA



Moça, menina
Moça, menina
Vestida de vento
Altiva e ladina
Vive só o momento.

Gargalhada aberta
Os olhos são verdes
Tudo em ti desperta
Vê se te não perdes.

Tu és a saudade
És o livro aberto
És a Liberdade
És o Céu por perto!

Menina, criança
Tristeza, alegria
Quando a noite avança
Teu dia, ainda é dia!

Nos cabelos, luar
Na boca cerejas
Nos olhos tens Mar
Que mais tu desejas?!

poema dedicado à minha neta de nome Margarida que adora poesia

rosafogo
natalia nuno

terça-feira, 14 de junho de 2011

FAZ TEMPO!



Faz tempo fiz dois corações
Na casca rugosa dum pinheiro
Entrelaçados de ilusões!
Vivos, dum amor primeiro.

Hoje ao ver-me, envelheci
Da juventude, o que ficou?
Olhei o espelho não me reconheci
P'ra saudade me atirou.

Num coração teu nome deixei
No outro o meu escrevi
Hoje de nostalgia, viverei!
Lembrança é o que resta de ti.

O pinheiro está em ruina
Uma hera atrevida se lhe enleou
É a lua que os corações ilumina
Disse-me um passáro que ali passou.

Faz tempo,muito tempo,
Fiz dois corações
Na casca rugosa dum pinheiro
Era então a idade das ilusões
Queria dizer ao Mundo inteiro
Que aquele amor primeiro!?
Não era só ilusão, não!
Era um amor verdadeiro...
Que cabia perfeito no meu coração.

rosafogo
natalia nuno