sexta-feira, 25 de março de 2011

INIGMA DE VIVER



Este enigma de viver
Esta vida feita em pedaços
Este rio sempre a correr
Este apavorar dos passos.
Um olhar que se defronta
Uma sombra no espelho
Verdade que me põe tonta
Desvalia dum tempo velho.

O tempo o trago guardado
Num tesouro escondido
O medo enfrentado
Do não se sabe,
medo instintivo.

Este enigma de viver
O susto de estar, do pode ser
Dum dia que pode ser o fim,
Dum futuro e passado, dentro de mim.

A vida foge do território de mim
Deixa-me solitário faroleiro
Sabidamente procura o fim
O momento derradeiro
Onde me sinto submersa
Invadida p'la torrente
O que foi tempo de remanso
Leva agora pressa
Na corrida me canso.

Chego ao fim do curso
Onde não há retorno ou refluxo.

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 23 de março de 2011

O BATER DO CORAÇÃO



Quem acabou com o meu alento?
Que hoje me sinto,
Pouco mais que nada?
A mesma vida
o mesmo tormento
A mesma luz tão fatigada.
Na memória com intensidade
Resta silêncio e a saudade.

Vai a vida muito para lá de meio
Já o amanhã me treme no peito
O hoje me aguardou com receio
Já não resta dia perfeito.
E assim cheguei como viva- morta
Gasta e desencantada
Sempre o tempo batendo-me à porta
Me deixo por ele levada.

E meu coração arrebatado
Olha a sua existência sombria
E num batimento ainda arraigado
Tem esperança num outro dia.

domingo, 20 de março de 2011

LUTA RENHIDA


Não fiz as pazes com a vida
Nem com a alegria de viver
Da vida me sinto banida
Perdida num sítio qualquer.
E há um rumor atroz
Que corre como um boato
Deixa-me a vida feita em nós
Que não ato nem desato.

Faz-me reviver as memórias
Lembro passos apressados
Já poucas são as histórias
Hoje os passos estão parados
A cabeça continua erguida
Meus olhos são dois soldados,
caídos.
Após uma luta renhida?!
Por terra os sonhos mal paridos.

Resta uma esperança cega
E uma bala no peito
Uma dor negra que se nega
A sair de qualquer jeito.

Estas palavras
não servem para ninguém
Apenas para disfarçar sentimentos
A vida já vai aquém
E só me oferece acontecimentos.
Trago a saudade
Num altar no peito a arder
Saudade da mocidade
Única felicidade!
Única a não esquecer.

rosafogo
natalia nuno
imagem retirada-blor imagens para
decoupage

sábado, 19 de março de 2011

TARDE SUAVE



Aqui estou com meus pensamentos
Hoje mansos como os ventos
Vou assim o tempo gastando
E a Vida
Os sonhos sonhando
Na saudade perdida.

Levo a vida cansada
Neste dia, nesta hora
É noite daqui a nada
Já a Vida não melhora.

Minhas lembranças presentes
Sempre em mim acordadas
Trazem sensações ardentes
À viva força arrancadas.
São ainda o meu maior bem
Variadas,  mágoas e alegrias
Lembranças que a gente tem
D'outros tempos, melhores dias.

Mas palavras leva-as o vento
Ao vento as espalho docemente
Palavras  tristes ou de contentamento,
Cantando...
A vida melhor se sente.

natalia nuno
rosafogo
imagem ret. blog imagens
para decoupage.

ALUMBRAMENTO



Hoje olhei o mar
E falei com o firmamento
Me embalei no seu ondear
Aventurei meus sentidos nele adentro
Fiquei verde de esperança
E em meu coração
Infinita bonança.

Ergui uma barreira
Nos abismos da escuridão
Esqueci o rumo perdido
E à minha beira
Ventos trocados virão
A minha força pode ser pequena!
Mas eu saberei que valeu a pena.

Hoje olhei o mar
É grande em mim a ânsia de querer
a esperança agarrar
o sonho sonhar
O sonho do ser e do não ser.

O vento brinca nas alturas
Canta uma canção que me abraça
Colorida de esperança e ternura
Dizendo-me que a vida não acaba, apenas passa.

No silêncio do meu peito
Paira a Poesia da Vida
A escrevo com a alma deste meu jeito
Nesta tarde enlanguescida.

rosafogo
natalia nuno

sexta-feira, 18 de março de 2011

DESATOU-SE O FRIO



Noite de insónia me abandono,
Nas horas contadas,
Nos anos passados
Uns atrás dos outros,
e EU sem sono.
Ideias esgotadas
Dias enfastiados.

Em sonhos mal dormidos
Repassa toda a minha vida!
Momentos de ventura, queridos.
A tudo o sonho me convida.

Dou conta do meu existir
Não sou apenas a mão que escreve
Dou conta... sou a menina a ir e a vir
Com o sol nas mãos e a alma leve.

Trago o rosto aberto ao vento
Cansado, amassado dos dias
A voz enrouquecida
dum rezar sonolento,
A mente povoada de fantasias
E rola uma lágrima desvanecida,
Por cada milímetro de felicidade.

Talvez alguém me diga
- O que fazer com a saudade.

A tarde mudou
Desatou-se o frio
Eu aqui estou
Revendo o passado,
fio a fio.

rosafogo
natalia nuno

quinta-feira, 17 de março de 2011

MINHAS PISADAS



Formigas trabalham o dia inteiro
Limpando, carregando o celeiro
E eu libelhinha distraída...
Esvoaço, com medo da vida
Que me faça cativa...
Me estenda uma cilada
Me deixe de asas caídas
Ser e não ser... não ser nada!
Minhas palavras emudecidas.

No vaivém do vento
Andam lágrimas em desespero
Ânsia de ter livre o pensamento
E os sonhos? Para que os quero?
Já vou alargando o passo
Descalça sigo em liberdade
A terra vai apagando meu traço
Meus anos se queimaram na saudade.

Fico flor pendida a reviver
Saudade...tenho saudade!
Não me peçam para esquecer
Lembrar é minha felicidade.

natalia nuno
rosafogo
imagem ret.-blog imagens para decoupage