sábado, 3 de julho de 2010

TRAGO UM RIO DENTRO DE MIM


















TRAGO UM RIO DENTRO DE MIM


Trago um rio dentro de mim
Vem de longe, faz tempo este rio
Trago um sonho danado sem fim
E vou recordando para esquecer o vazio.

Trago um rio dentro de mim
E o caudal é a saudade
Brota nos meus olhos sem fim
E é sonho entrelaçado com a realidade.

Trago as mãos cheias de nada
E meu coração palpitante
Desfolho palavras desinteressada
Que são pégadas numa areia distante.
Trago a vida transmudada,
De alegrias em tristezas...poesia fora de moda
Assim sigo ignorada, desta terra despegada
Perdida num vento que me tráz à roda.

Poesia amarga a minha, mas sentida
Com o perfume campestre, selvagem,
que é meu predilecto, cheiro de rosa atrevida
espalhado pela aragem.
Desenterro recordações, nevoentas
Que são de todo o tempo por mim achadas
Junto as pontas da vida, já poeirentas
E escrevo, escrevo, sobre pequenos nadas.


natalia nuno
rosafogo

quinta-feira, 17 de junho de 2010

REGRESSO SEMPRE AO POEMA
















Regresso sempre ao poema

As palavras vão nascendo sem destino
Companheiras constantes na noite que dura
Saem prodigiosamente da minha boca e são mimo
Que semeio e colho com ternura.
Irradiam luz, são claras como água!
Ajustam-se às alegrias e às tristezas
Dizem não haver só felicidade, também mágoa
Acompanham-me nos dias felizes e nos de incertezas.

De insónias e do silêncio são surgidas
Da erosão da memória, que já se aquieta
Do santuário do meu íntimo saem polidas
Palavras mágicas sonham poesia e o poema é meta.
Nelas já não ouço a toada do meu canto,
Nem vejo a alegria do meu olhar
Ao rio feito saudade entregaram meu pranto?!
Às montanhas o eco do meu grito, foram levar?!

Misteriosa pandora que trago comigo
Obsessão que teima em não desarredar e me alucina
Caixinha pronta a guardar o tempo que é meu inimigo
Também a coragem, sem coragem que é minha sina.
Regresso sempre ao poema, como se fosse meu cais
Aqui neste lugar de parir poesia na despedida
Já ouço os trovões, mas apesar dos temporais?!
Farei com que o barco, volte sempre ao ponto de partida!


natalia nuno
rosafogo

terça-feira, 15 de junho de 2010

SAUDADE DE MIM















SAUDADE DE MIM



Não sei que fiz da alegria
Que me deixou nesta solidão
Ah, se soubesse a procuraria!?
A agarraria com minha mão
P'ra que ficasse em mim noite e dia.

Mas de nada serviria!?
Sou triste por natureza
E se a vida é tão sombria!?
P'ra que nasce o sol com beleza?
Se também morre todo o dia.

Minto, engano o coração
Digo que é manhã e já anoitece
Digo que não quero morrer em vão.
Mas já o tempo a teia tece
Levando meu dia p'ra escuridão.

Esta alegria que deixei perdida
No deserto é já só uma miragem
Não consegui dar-lhe guarida
Levou com ela toda a minha coragem
E hoje sou flor ressequida.

Hão-de vir dias novos eu sei
Campos de flores e azul no céu
Na busca da alegria perdida, irei
E de tudo o mais que a vida não me deu
E um dia, simplesmente morrerei.

Quero lembrar o azul do céu ao meio-dia
Quero a vida saudar, esquecer a idade
Esquecer que perdi a alegria
Viver de esperança, levar saudade
De mim, de tudo que em mim havia.

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 14 de junho de 2010



















BAILAM-ME AS PALAVRAS

Bailam-me palavras na mente
Bailam como que embriagadas
São como água que corre contente
Fluída e fresca nas madrugadas.

E assim, por aí as vou deixando
Sigo confiante!
A tristeza elas me vão quebrando
À felicidade de tê-las, nada é semelhante.
Minhas palavras não têm fronteiras
São torrente de rio caudaloso
São meu grito, minhas companheiras
Tristes, ou alegres do meu eu saudoso.
Não calam a emoção
Deste meu pensamento livre
Nas asas trazem a ilusão
Da andorinha que em mim vive.

Minhas palavras saem em procissão
Vêm em andores de alegria ou tristeza
Palavras que me dão a mão
Têm aroma de rosmaninho, dele a beleza
Rezo-as na ermida
São labaredas da candeia acesa
Da infância perdida.

Saem do coração delirantes
Diamantes por lapidar
Às vezes gritantes
Com desejo de rimar

Trazem a raiva
O amor,a força e a serenidade
Não querem que ninguém saiba
Que estou morrendo de saudade.


natalia nuno
rosafogo


















NA MOLDURA DO SOL POSTO

Põe-se o sol mas não é noite ainda
A tarde vai levando o dia pela mão
Vaidosa se vestiu de dourado, linda!
Deixou meu olhar lembrando com emoção.

Nos derradeiros momentos deste olhar
Que sorveu tanta luz, o tempo parar.
Na moldura do sol posto
Lembrar, um sonho chamado infãncia
Os traços do rosto,
Agora esbatidos na distãncia
Ainda o verde terra nos olhos surgindo
E raios de Sol ainda a espreitar.
Na noite que vem vindo?!
Um sonho, um outro ainda sonhar.

Aconchegar-me às estrelas
Empoleirar-me em segredo,
na noite escura.
De palavras singelas,
o sonho afrontar de alma pura.
Rever-me ainda nesta moldura.

Porque o coração jamais olvida!?
Que a meninice meu olhar guarde.
Para que não seja esquecida,
Os dez réis de gente.
Estrela perdida.
E a recorde sempre
No encanto d'outra tarde.


natalia nuno
rosafogo



Dez réis de gente, me chamava com ternura minha

avó.

Todas as fotografias postas são tiradas por mim nas minhas viagens.





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sábado, 12 de junho de 2010

NÃO SEI PORQUÊ










NÃO SEI PORQUÊ

Julgam-me doida, pura inveja
Até meu pensamento, por vingança!
Louca? Não me importa, assim seja.
Sou livre, sou o vento da mudança.

Dou voltas e mais voltas com cautela
- O tempo não pára e vou morrendo!
Mas se morre até a flor mais bela?!
Também esvai a vida, a vou perdendo.

Na teia a passo largo já me enredo
Trago comigo a alma cheia de pecados
- E agora no silêncio já me quedo!

Minha vida por outra não trocaria!
Apesar dos pesares tão magoados.
Ao final desta já longa travessia.


natalia nuno
rosafogo

quinta-feira, 10 de junho de 2010

BASTA SABER-ME VIVA




















BASTA SABER-ME VIVA

Meu coração é uma gaiola dourada
Nela se solta o Amor e a Amizade
Branca, como o branco desta folha intocada
Nela um pássaro vai chilreando saudade.

Hoje lhe abri as portas
E a felicidade andou pertinho
As lembranças já mortas?!
Fui deixando p'lo caminho.
Mas na verdade me doeu
E na garganta um nó ficou
Nas lembranças,também habitava eu
Se por lá fiquei, agora quem sou?

Apago-me como flor sem sol, tanta vida lá atrás
Já pouca coisa resta, o silêncio sobre mim se deita
Nesta descida entre a saudade e o frio, tanto faz!
Mastigo incertezas, já que a Vida não é perfeita.

Deixo-me a pensar com meus botões
Enquanto cai uma chuva enfadonha
Basta saber-me viva de ilusões
Minha alma malferida, ainda assim,sonha
Insistem os chilreios em meu coração
E há largueza por onde entra a claridade
Mas quando já não restar emoção?!
Serei como raiz sem apego, sem lugar
Morrerei de saudade...
Levada p'lo tempo, deixando-me por ele apanhar



natalia nuno
rosafogo