domingo, 14 de julho de 2024

o som dum dia triste...

confio no tempo e na vida, 
que os olhos me ensombram tanta vez
deixam-me numa solidão definitiva
sem porta de saída...
no gume do frio e do fastio!

o som triste do vento
era o som dum dia triste
e eu de alma escurecida
dobrada e desiludida!

mas hoje o dia é diferente
- dos demais!
a vida tem um distinto som
o sol nasce brilhando mais
esqueço os restos da noite,
olho a luz do dia que nasce
e a paz no coração, 
serena, faz-se!

esqueço o frio e a solidão.

natalia nuno
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silêncios de doçura...



porque a noite me surpreende
nem eu nem ninguém entende
vive nela, da morte o presságio
o sonho já não é sonho
e a vida virou naufrágio,

surgem lendários os dias
onde anda o fogo da felicidade?
lá atrás no tempo que é agora, saudade!

já não sou céu nem terra
meu sangue deixou de existir,
sou aquele mistério que encerra
uma música não escutada, antes
da alegria ruir

no silêncio da noite
tudo é sigiloso e obscuro
ardemos nos silêncios de doçura
daqui a pouco brilha a aurora
e eu no sonho, à tua procura!

as minhas palavras
intercalam-se nas tuas
numa harmoniosa alegria
hoje é noite constelada, não amuas!

olhas-me, como se fosse o primeiro dia.

natalia nuno
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quinta-feira, 11 de julho de 2024

o frio que em mim ficou...


sucedem-se um a um
os dias de espera,
passou o inverno
chegou a primavera

tanto ontem, como hoje
a vida me foge!

não há luz, nem escuridão
que toque meu coração
tal como é, tal como vem
o rouxinol canta
não o ouve ninguém

não há nada que me acolha
nem os frutos do meu jardim
só o poema me olha
em silêncio, com pena de mim

as recordações agarrei
com as pontas dos dedos
e nunca mais as larguei
sabe Deus os seus segredos

e o frio que em mim ficou
lembra-me a velhice d'hoje
saudosa de mim que estou
fico à mercê,
- da vida que me foge.

natalia nuno
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segunda-feira, 8 de julho de 2024

o sopro que sobra...



o sopro que sobra, a esperança
que nego, a lágrima persistente, 
tiram-me o sossego
só o sonho, a tudo isto faz frente

os sentidos sofrem ameaça
e a memória é maré que passa

já tudo é inimigo
solidão sem trégua,
a vida tarde que adormece
tristeza a cada nova inspiração
contudo, ainda pulsa o coração
mas a memória esquece.

o esquecimento torna-se adulador
embora poderosa a lembrança
e a esperança
e assim, nem vencido, nem vencedor.

longo se faz o dia
a alma alquebrada
uma canção à lonjura e
o amor fecha a porta, deixa-a bem fechada

chegará então a hora da partida
sou matéria de colheita,
mas nego... nego o adeus à vida,
quando anda a morte à espreita

natalia nuno
imagem do pintarest




quarta-feira, 3 de julho de 2024

esquecimento...





às vezes quando a memória
esquece
fico como uma árvore nua
tendo em frente solitária, 
uma folha de papel
em atitude de espera,
olha -me triste
e emoção em mim não gera.

há uma força que me impele,
estranha, como se fosse caminho
para a memória que parece
em desalinho.
aposto que é ela que tece
e inventa o poema p'la calada

redimida no silêncio
indago-me desta paixão desatada
e lanço palavras ao acaso
a única verdade, é que é a saudade
e o sonho, e talvez a paixão
que dão conta do meu coração

e lá vem ao mundo o poema
com resignação,
e o pressentimento, 
do esquecimento, 
da morte e do nada


natalia nuno
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domingo, 30 de junho de 2024

vôo de folhas caídas...



levam-me os pensamentos
a lugares onde nunca estive
quando a noite avança
e a saudade me alcança
me perturba e em mim vive

lembro todos os momentos 
vividos junto a ti
agora mais lentos, como água morta!

parecendo levar-me no voo
perdido das folhas
através do olhar perdido
- quando me olhas.

procuro-te no fogo secreto 
da noite
resgato-te do esquecimento
com palavras de fé e esperança
- entranço a alquimia na tua mente
e irrequieta como criança
sonho de olhos fechados
faço da alegria, presente,
que te ofereço docemente.

natalia nuno
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