palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quinta-feira, 12 de julho de 2018
sobras duma lágrima...
na esquina, há sempre uma música triste
duma flauta que não sabe que a luz existe
ecoa p'la noite adentro entra no coração,
e é tão triste como eu
atormentada com a escuridão do céu.
em noite que não tem lua,
noite desolada sem luar
espero-te à esquina da rua
enquanto a flauta tocar.
já tenho a porta cerrada
não vou ouvir a flauta mais
deixei lá fora meus ais
ouço-os p'la janela entrefechada
trago agora a alma estranha
e a vida já sem vida
a palidez meu rosto banha
calou-se a flauta... voltou a lua
pranteiam estrelas distantes
eu de feridas abertas,
deixaste meus sonhos errantes
já nem sei se sou tua
já não ouço o doloroso concerto
à esquina da rua é agora um deserto.
vou esconder este meu pesar
esquecer os murmúrios melodiosos
já não quero sentir nada
nem por ti trazer meus olhos chorosos.
natalia nuno
rosafogo
poema escrito 2002
um pouco modificado para poder ser
partilhado.
terça-feira, 10 de julho de 2018
não há saida, não!
está o amor no mosto
logo será licor puro
que se bebe com lentidão
juro, que embebedo meu coração
vai subindo no sentimento
senta-e na escada do olhar
e é vê-lo com assombro
em bebedeira endoidar...
a aguardar da partilha o prazer
e o desejo adivinhado
de colheita bem frutado
e o desejo de o querer
seduzidos e sedentos
desta vontade adivinhada
nascem outros sentimentos
prontos a fazer escalada
desprende-se a alma e voamos
nem precisamos voltar
e há estrelas a pulsar
enquanto nos amamos
e tudo isto se passa sem conta
nem medida e o amor
é o licor de planta desconhecida.
que embebeda docemente
uma anestesia diferente
para a qual não há saída.
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 4 de julho de 2018
eternizar o sonho...
gosto de lembrar quando punha flores no cabelo
era eu uma flor de cheiro campesina
com perfume a flor de laranjeira
gosto de lembrar meu cheiro de menina
menina, que trago comigo a vida inteira
gosto de eternizar o sonho em mim
deixar-me como se fosse intemporal
e adormecer neste sonho
como se ele não tivesse final
gosto de lembrar a fita escocesa
e o cabelo negro esvoaçando ao vento
olhar o campo as flores a natureza
e as estrelas à noitinha no firmamento
gosto de esquecer o amargo da emoção
de esquecer os dias que já não têm luz
entregar-me de alma e coração
ao desejo da memória que ainda me seduz
gostava de esquecer o medo, o frio
o vazio, de recuar ao tempo de menina
vestir meu vestido de popelina
olhar-me vaidosa no espelho d'água
e lembrar-me saudosa mas sem mágoa
gostava que uma janela se abrisse
e na paisagem dos teus olhos
menina ainda me visse...
e do sonho tudo pudesse de novo acontecer
e os sobressaltos da vida para sempre esquecer...
natália nuno
rosafogo
escrito em 10/10/2009
palavras perdidas...
perdem-se as palavras, sem objectivo
como folhas caídas em dia de vento
perdem-se tímidas, sem lenitivo
e ficam perdidas na vida sem tento
e às vezes, não chegam para dizermos
da imensidão do nosso querer
outras saem da boca sem querermos
e dizem o que nos vai na alma, sem temer.
difícil é encontrar as palavras certas
para exaltar adormecidos sentimentos
perdem-se em silêncios, em linhas desertas,
desvanecem, entristecem de tantos lamentos.
são elas beleza, quem escreve não sonha, nem sabe
acha sempre a última mais bela que a primeira!?
quando esta é como o botão que se abre
que o Sol sorrindo leva na dianteira.
tanta palavra perdida e o poeta ao lado!?
perdido também ele na sua canseira!?
nem sabe se lembre... ou esqueça o passado.
rosafogo
natalia nuno
como folhas caídas em dia de vento
perdem-se tímidas, sem lenitivo
e ficam perdidas na vida sem tento
e às vezes, não chegam para dizermos
da imensidão do nosso querer
outras saem da boca sem querermos
e dizem o que nos vai na alma, sem temer.
difícil é encontrar as palavras certas
para exaltar adormecidos sentimentos
perdem-se em silêncios, em linhas desertas,
desvanecem, entristecem de tantos lamentos.
são elas beleza, quem escreve não sonha, nem sabe
acha sempre a última mais bela que a primeira!?
quando esta é como o botão que se abre
que o Sol sorrindo leva na dianteira.
tanta palavra perdida e o poeta ao lado!?
perdido também ele na sua canseira!?
nem sabe se lembre... ou esqueça o passado.
rosafogo
natalia nuno
segunda-feira, 2 de julho de 2018
mais morta que viva...
cai o orvalho no meu sonho descuidado
vem do choro das ribeiras ao primeiro
raio de sol, trazido pelo vento norte
traz das rosas o cheiro
e a notícia gélida da morte
estranha mágoa deixa-me pensativa
sinto-me flor em jarra d'água
mais morta que viva.
há nuvens sombrias e os lírios
estão tristes, passam os meus dias
e nem sei se existes, oculto amor
oculta dor, por mim já choram os laranjais
e um rouxinol na tarde canta os meus ais
meus olhos adormecidos, deixei-os a descansar
enquanto o silêncio à minha volta é tumular.
medonha e baça é a luz do candeeiro
chegou a noite saudosa, outro sonho desfeito
descanso a cabeça no travesseiro
e sonho com o amor que me cabe no peito
olho as velhas estrelas, e penso como foi
curto o caminho, o azul já não fica distante
e eu quero deixar-me morrer ...lentamente
à luz do poente.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 26 de junho de 2018
de novo o amor...
haja mais uma madrugada, apenas uma
em que o amor seja tudo ou nada
q' tudo se esqueça, e o amor não arrefeça
só nós existimos nesta madrugada
só nós sentimos o calor da chama
que não queremos apagada...
aperta-me nos teus braços nus
com as tuas mãos acende o fogo
que o sonho aconteça, se faça luz
deixa-me ser flor a arder
fresca e odorosa
a abrir teu dia, teu corpo no meu
entre o grito de desejo a tocar o céu
traz-me ainda o sabor
que tanto me prende
o resto do fogo que em nós arde
este fogo que se acende
que é tudo ou nada esta madrugada
só mais esta, quero sentir-me mulher
e entre fantasias loucas, redobrar o prazer
na moldura da saudade ainda a chama
e o sabor do teu corpo por inteiro
o meu reclama
impaciente, nesta madrugada
onde me sinto adolescente, de alma
renovada.
natalisa nuno
rosafogo
quinta-feira, 21 de junho de 2018
agora que não me tenho...
palavras são borboletas que esvoaçam
e o meu olhar embacia enquanto passam
nos umbrais da minha alma ainda menina,
vou esculpindo versos nas noites consteladas
os anos me levam, nestas palavras devastadas
eu me reinvento, e
sonho-me a mim mesmo pequenina
escrevo um verso de saudade mais intenso
e quando esquecer o meu nome
escassa e magra será a liberdade
a memória consumida, e a vda
não pode ser mais chamada de vida,
ficarei repetindo palavras aprendidas
na memória presas, despojadas de certezas
na solidão da hora, tudo o que amei esquecerei
agora que não me tenho, as palavras se perdem
e já de nada me servem.
pertence-me o vazio das horas
o vazio das vozes que me falam
e a boca a mastigar indiferença
e na branca nudez da memória
já nem minha história!
nada sei, nada sinto, a mim mesma atada
em mim enclausurada.
e sei e sinto a direcção do vento
ouvindo-o com nostalgia
enquanto continuo esperando mais um dia
um dia de esquecimento...
natalia nuno
rosafogo
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