palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
pequena prosa...
Cada homem tem uma história para contar,
leva a vida como pássaro, a granjear a subsistência
caminha por atalhos cinzentos com a chuva dentro dele,
desde que nasce o sol até que se despede de si com o corpo cansado
desposando o sono e derramando o seu desejo nesse repouso,
onde como rio se afasta... aguarda a madrugada para renascer de novo
de mãos vazias, apenas o coração a bater... e o afecto que nele nutre por alguém que o traz ainda embriagado, algum rumor antigo que lavra na sua memória, que evita lembrar, para não se sentir de novo abandonado e para que os olhos não voltem a chorar desamparados... abre o dia e ilumina-se a noite e ele neste vai vem até esquecer a idade e sentir o sabor amargo da travessia...abandona-se à sua verdade como se fosse uma folha em branco de onde já não quer sair...sente nos ossos o som da morte que ao longe caminha sorrateiramente...
natalia nuno
pensamento
Sobre o mar sereno dos pensamentos, surge de quando em quando uma nuvem negra que se avoluma e faz bater o coração a um ritmo quase doloroso...
natalia nuno
hora calada
casa branquinha
minha velha casinha
ainda ouço nela
as gargalhadas sonoras,
dizia a mãe: ri-te, ri-te
que logo choras!
na janela os raios de sol
o sino da igreja bate as horas
as horas mansas, mornas, ternas
aos meus ouvidos eternas.
soam-me ainda os ais
da avó de luto vestida,
e as rezas que nunca eram de mais
para agradecer a Deus a vida.
casa velhinha
hoje assombrada
onde as almas deambulam
p'la calada
os ramos frágeis do salgueiro
caindo sobre o poço
agora sem burro à nora
nada ali já ouço...
na nostalgia desta hora
só permanece da terra o cheiro
minha última sensação
o destino marcou, e o tempo
vai -me levando o coração
resta-me a lembrança
foi Deus que assim quis
que apesar da mágoa, foi ali
que fui feliz!
natalia nuno
rosafogo
eu e tu, apenas...
puseste a mão na minha cintura
vi estrelas na noite a brilhar
eras um rio de ternura
de mansinho na madrugada,
em mim a desaguar
tantas lembranças serenas
tempo de fascínio, o pulsar da magia
eu, e tu apenas
a quebrar o silêncio na casa vazia
deixei-me aprisionar
até que o dia a noite afogou
e trouxe gotas de mel ao teu olhar
que o outono suavizou...
o perfume dos teus beijos
é o momento para cair de novo
no abandono dos teus braços
alheia à vida, numa volúpia tardia
amar, amar era o que mais queria
na margem do teu rio que me abriga
numa plenitude sem idade
enquanto um bando de pássaros
canta lá fora a sua cantiga.
fica o coração abater em lentidão
surge a saudade,
como um último vento de verão
e na aurora do desejo... só mais um beijo.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
quem se lembra amanhã...
quem lembrará amanhã
de meus versos de saudade
desta tristeza que trago
que escrevo e não apago
ao recordar da mocidade
quem lembrará amanhã
meu nome escrito na folha
talvez algum sonho o acolha
oração que lhe dê guarida
e assim me lembre em vida
quem lembrará amanhã
do Poeta que Deus fadou
dos queixumes, desta fome
da saudade que o consome
da solidão que testemunhou
quem lembrará amanhã
o brilho da sua imaginação
os lábios que a sombra calou
a alma que a morte devorou
a melancolia que traz no coração
quem lembrará amanhã
do sofrimento e do pranto
do vendaval a correr
do padecer que é tanto
deste gosto de sofrer...
mas, quem amanhã me lembrar
que saiba que m' sonho é verde
hei-de escrever até cansar
até...que a memória se perca
a tempestade me quebre
a vida me seja breve,
e a morte me leve.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 5 de dezembro de 2017
na poeira do tempo...
na poeira negra do tempo
há flores que se desfolham
num torpor sonâmbulo e gelado,
já nenhuns olhos as olham
com olhar apaixonado
foram flores de verde pino
de olhos verdes expressão bravia
suave ou triste foi o destino
de melancolia hoje seu dia a dia.
o tempo cria caricaturas sem dó
tira-lhes o brilho que tinham outrora
e o sorriso que as faces iluminava
pétala a pétala lhe deixam só
a saudade, que as persegue hora a hora
a saudade magoa-as, quebram-se num
silêncio cismando em tudo e nada
e há lembranças que nem chegam a abrir
quando a memória é já de si delicada
flores que teimam em não morrer
expostas ao inverno e às nortadas
alimentam-se de sonhos, querem ser amadas
ressuscitam sentimentos de tanto querer.
um murmúrio de água na voz perdida
no âmago ainda a idade de ouro
e os olhos desencantados a prender-se à vida
quando a noite é já pálpavel
natalia nuno
rosafogo
entre ser e não ser nada
há sempre uma hora que morre
deixa meu coração ermo
e minha face amadurecida
na solidão...
minhas mãos me parecem alheias
de rabiscos cheias
com poesia inacabada
entre ser e não ser nada.
ao redor a escuridão me cerca,
na mão a bagagem triste
percorro um corredor sombrio
meu tempo se enche de vazio
e frialdade...já nem sei o que existe
sou solidão e saudade!
mais uma hora morta
como impedi-la de passar?!
ouço os passos do tempo,
deste tempo que teima meu sonho
quebrar.
esta hora é tudo que resta
vejo passar os dias um a um
e já nem sei a idade
e como se não restasse nenhum,
meu sonho
permanece na obscuridade.
tudo parou na tarde que morre
parar o tempo como queria!
rente à sombra das àrvores a escuridão
a noite desce, não há saída
morreu o dia,
a noite traz-me o sonho p'la mão
amanhã haverá novo sentido
para a vida.
natalia nuno
rosafogo
dedicado às minhas colegas
o poema é cinzento, mas haverá sempre um amanhã a amenizar o nosso
estado de espírito... a esperança nunca se acaba.
natalia nuno
rosafogo
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