palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
pespontando sonhos...
minhas mãos ficam ávidas
em delírio, enquanto as palavras sobem
e afloram veementes
ganhando raízes no pensamento
em cachos dourados
provenientes
dos cinco sentidos,
ali me aguardam pacientes
como recém-nascidos
a refrescar-me os dedos
a calar-me os medos
a olhar-me como quem olha
um espelho quebrado
despido de sedas,
vestido de máscaras
espectáculo de outono sem cor,
acabado.
e logo as mágoas retornam como chuva
extraviada...
enquanto o vento frio esvoaça a cortina
e eu já de tudo despojada
numa ternura cega
às palavras me faço entrega
quase alegre como se as minhas mãos
fossem asas de frescura...
em serena felicidade
estou grata por envelhecer na saudade
ainda que seja longo o inverno na minha janela
e eu navio perdido entre a bruma
a palavra subirá sempre mais bela
e será meu sonho que p'la noite se esfuma.
natalia nuno
rosafogo
aldeia 06/11/2018
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
palavras amargas...
amarga alegria
coberta de pó
sonho rasgado
numa noite fria
e há os que riem
fingindo ter dó.
amarga ausência
de tudo e de nada
deprimente a morte
que feia e forte
um dia sem sorte
se fará anunciada.
amarga desilusão
dia a dia a crescer
sabendo de antemão
que não é nada afinal
tudo tende a desaparecer
e é tudo tão natural.
amarga decadência
do sangue da gente
e leva à desistência
gargalhada deprimente
de fel e cansaço
lento, muito lento o passo.
natalia nuno
rosafogo
domingo, 5 de novembro de 2017
meu coração aperta-se
os olhos nas vidraças,
baças
o olhar distante
o ruído da chuva incessante
meia atordoada e feliz, na efémera
duração dum sonho...
os dias de outono tão melancólicos
soltam-se fragmentos de memórias,
inesperados,
sento-me na margem da tristeza
e vejo meus sonhos a preto e branco
desenhados.
sopra o vento da incerteza
olho o céu cinzento sem pássaros
meus dedos estão estéreis
acentua-se a solidão,
já não seguro meus ais
nem o vento segura as folhas outonais.
até um pássaro sonâmbulo, que a primavera levou
num destino incerto,
fez ninho no meu peito,
encoberto...
e a saudade voltou
e eu sem saber que rumo dar ao pensamento
abrigo-me da vida na memória distante,
a caminho do nada,
a alma cansada,
e é, a criança que em mim
vive que segura a minha mão
enquanto o vento lá fora vai varrendo
as folhas, que caem ao chão.
natália nuno
rosafogo
poema escrito na aldeia em 11/2017
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
homenagem à amiga Barbára...PARABÉNS
há tanta luz
neste céu de pássaros
nesta tarde que mais parece
de verão,
eu e tu
com uma lista de coisas
para serem escritas à mão
o trabalho é árduo e estranhamente
sem ti não o faria
testar sucessivamente
não é meu ofício,
mas é tua alegria...
assim nos vamos entretendo
tarde fora, poesia em mente
terra morena, trança de espiga,
vou deitando à terra a semente
faço-te este poema minha amiga
e de novo te desejo boa sorte
e agradeço-te, tornas minha vontade mais forte!
prenhe o teu desejo de viver
que sintas sempre esse palpitar da vida
o sonho ronda no teu amanhecer
trazendo ainda por longos anos
a menina em ti adormecida
natalia nuno
PARABENS amiga, sei que pensarás este poema hoje não saiu grande coisa, tens razão... no poema conto-te o esforço por fazer melhor porque mereces, por isso é bom ter-te por perto, mas a inspiração nem sempre está presente, no entanto as tuas palavras sempre me dão força e eu desejo que repitas este dia por muitos anos com muita felicidade...
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
possuída pelo sonho...
já se denuncia a madrugada
a iluminar me o olhar
esperança a fazer-se demorada
ou tudo em mim a desabar...
foi o verão e as colheitas
foi-se o sonho chegou o dia
levanta o tempo suspeitas
se era dor o que em mim doía
do assunto não me desvio
quero saber toda a verdade
se era dor ou se era frio
ou impiedosa saudade...
se era sentença ou castigo
deixar-me à mercê do sobejo
tempo que me agride inimigo,
quando ao espelho me vejo
sou criança amanhecendo
que sorri... e mal balbucia
ao sonho me fui rendendo
ausentando-me... mais me prendia.
natalia nuno
rosafogo
o estremecer dum sonho
a Poesia é sempre admirada
ora por uns ora por outros
é olhada com olhar perscrutador,
tem encanto, é delicada
e é escrita com amor,
com sensibilidade e arte
fala de saudade e do tempo
que parte.
brilha, é nobre no seu doce canto,
eu lhe quero tanto!
Poesia filha do coração
canto de felicidade
e gratidão.
venero-a permanentemente
canto-a como se fosse Poeta
a minha ternura por ela é maternal
componho-a com rima natural,
quero-lhe demasiadamente
depuro-a, dou-lhe verdadeiro rumo
com os olhos rasos de lágrimas
nem sempre surge talento
assumo!
a saudade é a essência
geme e soluça nela a toda a hora
palavras correm em eterna
florescência...
fascina-me o olhar,
faz-me esquecer o inverno que há-de vir
e lembra a primavera a chegar,
leva-me a sítios
onde não posso mais voltar,
faz ressurgir o passado
e tudo quanto no coração
trago gravado,
resta viva nela a certeza
de viver
sem ela...sou grão de areia perdido
sem ela, não tem a vida sentido
natalia nuno
rosafogo
hoje atardei-me...
extingue-se a luz do crepúsculo
e os aloendros já adormecem
caem as trevas da noite
sobre o salgueiro abandonado
e a minha mão caída sustém
um livro fechado...
meu olhar permanece quimérico
olhando o poente vou sonhando
as recordações sobrepõem-se
quando mergulho no passado...
os traços escapam-se e as interrogações
se apoderam de mim, que fiz eu deste meu tempo,
que fez este tempo de mim?
debato-me em meditações
hoje atardei em chegar
fiquei-me pelo sonho... a sonhar
para não sentir o declínio das próprias forças
crio ilusões,
estendida numa álea florida
tocando as cordas da memória
agora já sem gestos de doçura
a voz sem melodia
a fazer-se sentir o silvo da agonia
mas habita-me ainda a saudade
e no coração a agitação
ainda, de alguma felicidade
natalia nuno
rosafogo
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