quinta-feira, 11 de agosto de 2016

desejo que em mim se deita...

continuo a caminhada pé a pé, sonho com uma lufada de ar fresco cheirando a mimoseiras floridas, outros tempos me vêem à memória e um fogo me sobe à face... vai o sol a pique mas, ainda estou pronta para amar, deixo-me levar mais tarde pelas asas do rio que vive em mim, e remo até surgir a tenra maresia...por ti! pois só por ti ainda sonho!

natalia nuno


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

veios de emoção...


visto de doçura o coração  que engravidou de saudade...e o pensamento sem amarras, é flauta ao vento deixando eco nas palavras...o sonho, leva a marca dos meus dedos, a esperança que abriga minha alegria, e um fardo de lamentos que são pingos de chuva nas correntes do meu olhar...

terça-feira, 9 de agosto de 2016

bilhete de viagem sem regresso


as palavras deslizam no silêncio
como o orvalho que desce da planta ao chão
e o verde água dos olhos desce com agilidade
ao coração,  a madura saudade
como cetim, toma posse de mim,
o pior é quando chega imensa...
e me ameaça, agarrando-me as asas
vigiando-me os passos, trazendo com ela
o dom de abrir feridas, do tempo calado
para sempre... abraça-me, enternece-me com
o lembrar da menina da minha idade
ai a louca saudade, que me faz companhia  dia a dia
sem me deixar descansar.
a memória é nuvem de pó, às vezes me deixa só!
as memórias ardem-me no peito sem parar...
recolho as palavras, endureceram as consoantes
e as vogais, não são doces como antes, e
jogam às escondidas com meus ais...

a minha voz já não é daqui
meu coração já abranda
o meu sonho é como água a despenhar-se
sobre o que já vivi, no peito
abraço a vida que foi uma longa noite,
comprida, com pedacinhos de luar
apenas um esgar, o bilhete da travessia
até chegar o dia...

natalia nuno

quando cai o silêncio...

presa por um fio à tarde, encosto a cabeça à janela e logo uma saudade escaldante me assedia com ébrios sonhos e rubras fontes de amor para onde o meu coração se desloca...


natalia nuno

domingo, 31 de julho de 2016

a presença do silêncio....





atravessam a minha pele,
cascatas e rios
e ondas de centeio ondulantes
saudade na memória ficando
de dias distantes...
uma fronteira de inquietação
neste outono
onde me abandono...o esquecimento
resvala trazendo obscuridade,
adormecidos na almofada
sonhos de saudade
que vou sonhando, até de madrugada.
a  vida fustiga-me mas prende-me
e é nas recordações que ganho alento
apesar do cansaço dos meus braços
e o ranger do tempo nos meus passos.
uma neblina mantém-se no olhar
é do fim, o começo,
as névoas vão chegando
 a rasgar-me o horizonte,
 cegando o sonho, perdido para sempre...

nesta penumbra ferida, foge a vida
sem norte...
e surge o último pássaro como uma flecha,
a morte.



natalia nuno
rosafogo







segunda-feira, 25 de julho de 2016

saudade...

às vezes há uma intensidade de lembranças na memória que dói...e uma vontade cresce dentro de mim, aguardando que possa dar-se o milagre de repetir-se novamente o já vivido...os sonhos escondem-se nas noites e vem a escuridão corromper a esperança, cansada semeio as lembranças no vento, para que a dor cicatrize...


natalia nuno

domingo, 24 de julho de 2016

pensamento...

que o alento não se apague em cada um de nós e o sonho vá ainda pela metade...que ele seja a seiva verde da nossa esperança.



natalia nuno