palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quarta-feira, 4 de maio de 2016
lembrança dela própria...
uma infeliz vontade de fraquejar
às vezes a invade, sente-se tão morta,
procura-se noutro lugar
ainda que não se ache nunca...
é lembrança de saudade dela própria
mesma lembrada, é a ilusão e a verdade
essa verdade a sucumbir,
e a esperança
prestes a desistir...a
vacilar a vontade!
traz com ela o tédio dos dias
e é no sonho que encontra o remédio
naquilo que lhe vem à memória
no silêncio que a rodeia
nos pensamentos que são como aranhas
prontas a tecer a teia,
ou borboletas
em vôos agonizantes, que a levam até à saudade
o coração já leva um caminho longo
de abundantes nostalgias,
sempre com a tenebrosa dúvida
ao longo dos dias,
de quando partirá...
o destino cumprirá,..
não lhe queimem a ilusão
deixem-na ser ainda como um sonhador
arauto de imenso amor...
imenso amor à vida, como menino a colher uma flor,
e quando morrer...pois que morra... d'amor!
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 5 de abril de 2016
aquela criança...
há tapetes de flores nos campos
ressuscitaram as papoilas
e há uma proximidade
entre elas e a minha saudade
vejo-as à lonjura, mas vivo na procura
é amor que por elas nutro desde criança
à procura de sonhos brinvava com elas
não sei se tinham angústias, mas pareciam-me felizes
e feliz era eu, rimava flores com amores e sonhava...
as minhas mãos eram como borboletas
a acariciar cada uma delas, e os sonhos íam
encubando em mim, havia sempre uma rã
invejosa por perto, um pássaro fazendo ninho
e no caminho havia giestas saciadas pelo sol
e nem a bruma nem o nevoeiro
cobriam o sorriso do girassol
ah! saudades são inquietas águas
que trago em mim da nascente,
pedacinhos de tristeza que a gente sente
pássaros, que de quando em quando vêm espreitar
meninas sobre a relva do coração
atalhos à espera da primavera
rasto de andorinhas a pulsar lá p'lo verão,
saudades... são donas dos meus vendavais
que ameaçam continuar...
a moldar a minha esperança
como se eu fosse ainda aquela criança.
natalia nuno
rosafogo
quinta-feira, 31 de março de 2016
de cabeça às voltas...
se houver ainda quem
não tenha entendido
apesar da pouca luz existente
eu sou de carne e osso, sou gente
mesmo na penumbra...
chego à última curva da estrada
levo o traço bem definido
para trás a vida malfadada
acrescento... que não deixo testamento
a partilha de bens está feita
e eu estou resignada...
mas se houver quem não tenha entendido
basta meditar sobre o ocorrido,
meditar dá sempre os seus frutos.
não quero choros nem lutos
num ápice passou a vida
e o céu já começa a escurecer
não sei a distância ainda a percorrer
este é um tempo em que os tempos
me voltam à memória, sonhos de água
sem mágoa, e agora
o destino derradeiro desta aventura
não interrompam a marcha
chegou a altura...
ainda que me vejam pesarosa e
de sobrolho carregado
que ninguém adie
o que não pode ser adiado.
natalia nuno
quarta-feira, 30 de março de 2016
estar e não estar...
não há muito mais tempo
os dias e as noites já não me suportam
e eu não quero mais estar aqui
onde tudo já vi, onde tudo já senti,
nesta viagem que não sabe parar
e eu sinto que é estar e não estar
andei dias sem conta, vivi, morri
vagueei no remanso tranquilo das
mil e uma noites, sonhei, amei
desejei matar saudades, e pouco depois
o sermos apenas os dois...
e no ritual do encontro seres o vento
que me toca, o sonho feito realidade
o sorriso de quem ama, a saudade sem igual
esquecer da amargura de existir
da mágoa desta solidão...
e com os sentidos em turbilhão
fazeres-me morrer, de amor endoidecer
e acreditar, uma vez mais, uma só
ainda me movo em direcção à vida
que se vai fazendo cumprida...
natalia nuno
segunda-feira, 28 de março de 2016
deitei-me à estrada...
habitarão lembranças em mim,
até chegar meu próprio fim
sem saber nunca quando parar
umas perto,
outras nas sombras a agonizar...
deito-me à estrada nos ramos da noite
os sonhos vão-se amontoando
não ouso palavras,
estrelas urdem o futuro
e eu sonhando, o caminho é duro
mas o desejo arde até ao delírio
e como ave embriagada,
como estrela alumiada
com o olhar procuro
o amor, que minha alma quer
e o coração solicita.
dos meus olhos tranquilos
se apodera o verde da terra
ficam seara onde o vento ondula
o silêncio se impõe
e a vida dispõe...
quem inventou a ternura
aquele rio de amor vivido
até à loucura?
as nossas vozes derretidas, a entrega, a paixão
é agora o fermento e o pão
o fogo da felicidade
que hoje me trouxe a saudade...
natalia nuno
terça-feira, 8 de março de 2016
o tempo põe e dispõe...
despenha-se a alma no vazio
desprendendo-se inteira
extinguindo-se,
deixando o corpo no calafrio,
como um sol que regressa à sua fonte
sumindo-se no horizonte...
não sou nada neste silêncio arrebatado
neste vazio solitário
onde meu corpo ficou esquecido
e o coração encerrado.
comovido a chegar ao fim meu dia,
caminhei exausta por entre labaredas
de melancolia,
adormeço em vão, nestes dias perdidos
um a um, vivo dum resto de ilusão
o tempo põe e dispõe
enquanto o coração recolhe a dor
duma saudade triste que faz doer
com esperança sempre a irromper
em mais um dia a morrer
rasgo o medo que envelhece
e logo outro dia amanhece....
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
tantas ilusões
vivi ao ritmo das estações
e em cada estação um sonho
de flores, amores e ilusões
na primavera tudo risonho
no outono nostalgia
no inverno melancolia
no verão entreguei o coração
tantas ilusões,
tantas lembranças
tanta saudade de voltar a ser
criança.
há uma ponte que me liga
ao passado a que aceno
com a mão tremente
e o coração sofrido
batendo apressadamente
e nos meus versos rimando ou não
eu lembro a fatia de pão
barrada de manteiga
enquanto a mão da mãe me ameiga
e a sopa na tigela fumega
a cafeteira ao lume já ferve
o serão à lareira
o pai com carinho me pega
a chuva caindo no telhado
o terço rezado
e a esperança no olhar
pois Deus é bondoso
e amanhã o dia será melhor
virá o sol cobrir a horta
e crescerá em nós uma esperança maior
a vida nos parecerá menos torta.
sonho remoto, sonho esquecido
tempo de voragem
que vai secando a minha sede,
a minha coragem,
que me mortifica persistente
nesta viagem ao fundo de mim mesma.
natalia nuno
rosafogo
Subscrever:
Mensagens (Atom)