segunda-feira, 7 de setembro de 2015

poesia é amor...



sinto-me a receber o brilho
da lua cheia,
o coração cheio d’amor
esqueço por instantes o mundo de vazios
e os abutres que o habitam
esqueço a terra moribunda
onde a palavra amor está dominada
e a agressividade inunda...
só a palavra amor
vence o temor
não resta mais nada
a não ser a livre poesia,
linguagem iluminada
do afecto e da harmonia
linguagem que é coragem
da alma, oferece resistência
com valentia e emoção,
é mandamento e dedicação
porque o corpo do poeta começa no coração
estende-se pela sua pele

e termina no que escreve com devoção.

natália nuno 
rosafogo

sábado, 29 de agosto de 2015

recordações...



cartas de amor amarelecidas
guardadas como preciosos metais
com  doçura e o perfume de rosas
incenso que paira sobre o que não
volta mais...
quem sabe floresçam na primavera
os sonhos nelas encerrados
cartas de amor quem dera
leio agora com meus olhos cansados
já não me deixam sorrir
nelas meus sonhos quebrados
não passam de folhas de papel enegrecidas
cartas de amor amarelecidas
lágrimas a embaciar o olhar
tudo o tempo levou e teimou
em pouco ou nada deixar...
nos meus olhos uma sombra desolada
ergueu-se um muro
entre o passado e o presente
que só o coração sente.

cartas de amor. umas linhas d'amor
mitos de felicidade, da juventude o fragor
sinto o outono nos ramos mais tristes
da saudade.

natalia nuno

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

cartas d'amor...



pombas sedentas... vieram
hoje... bem de manhãzinha!
cartas de amor me trouxeram
de quem de longe me acarinha

então, aureolou-se meu sonho
meu dia, fogo-fátuo, florescente
do verde infinito o olhar risonho
mãos estendidas infantilmente

cartas... misteriosas quimeras
gotas de chuva em tarde de verão
palavras doces e tantas esperas!

semeadas de miragens ao redor
pairam no olhar como um clarão
 benção do céu...as cartas d'amor

natália nuno
soneto antigo de minha autoria

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

nada é perfeito... trovas soltas



trago um cordão de ouro
foi minha mãe que mo deu
pra mim ela é um tesouro
bem guardadinho no céu

envio-te beijo pelo correio
pois de ti sempre me lembro
trago o coração d'amor cheio
desse idílio... era Setembro

tomo um café no alpendre
fico num modo tristonho
já o teu olhar me prende
se vais, a chorar me ponho

minha casa é a uma esquina
no bairro a mais sombria
no meu coração de menina
há amor ...em demasia...

eu quero o tempo inteiro
sem nunca mais acabar
eu quero se fôr primeiro
dar amor q' tenho pra dar

natalia nuno
rosaofogo

lógico que me enganei a colocar, trovas seriam no « Orvalhadas de Saudade» mas agora já está, aqui ficam, afinal um blog e outro são meus.

volta e meia...trovas soltas



tece seu curso a vida
persiste em mim saudade
também a levo tecida
no coração com verdade

já o sono me venceu
da minha história o fim
maldição a vida me deu
andou à revelia de mim

de soberba ela tão cheia
subestimando meu querer
esta vida volta e meia...
fez de mim pobre mulher

já o espelho me provoca
olho-o com provocação
se pensa que me põe louca
não vou olhá-lo mais, não!

natalia nuno

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

cegueira...



cresce erva nos meus olhos
a lamparina bruxuleia
há no meu olhar uma nesga de poeira
como que uma teia
a parar no ar
serão os olhos mal lavados?
mas pouco importa!
esta vida é um vale de lágrimas
já nascemos marcados
e a cegueira bateu-me à porta
mal vejo os trevos do jardim
como posso encontrar o de quatro
folhas? Encontra tu por mim!
Ceguei, ceguei porque tanto me olhas
ao olhares-me me apaixono todo o dia
salta minha lembrança com alegria
e descubro coisas incríveis
que me fazem enternecer
mas nascem-me ervas nos olhos
que vão chorar para esquecer...
choram de dor e de cansaço
aqui mesmo atrás da porta
a memória eu espiçaço!
e o resto pouco me importa.

natalia nuno

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

chega a mim o eco...



chora o sino da torre
na aldeia vão carpindo
despedida de quem morre
paz pra alma vão pedindo
da fonte vem o queixume
a virgem chora no altar
já não tem a quem amar
fica a vida sem perfume

e o ninho do passarinho
treme com a brisa no galho
a voz do povo no caminho
coração feito em frangalho
esperança verde na manhã
belo o rosto d'outra aldeã
que passa alegre e fogosa
orvalhada que nem  rosa

choram também os laranjais
ferida aberta no peito
por aquele amor que jamais
será um amor perfeito
definha a noiva em lamento
molhando a fronte saudosa
é tão grande seu sofrimento
murcha, caída pétala de rosa

chora ela a dor sentida
dobram os sinos da torre
tão moço... perdeu a vida
a notícia p'la aldeia corre
mais uma grinalda de flor
posta ao lado do altar
soluça o perdido amor
toca o sino sem parar

natalia nuno
rosafogo

este poema tem uns anos, e resulta duma tentativa de conseguir fazê-lo em oitavas, primeiro criei-o como quadras, mas depois achei que assim não estariam mal. Agora podia dar-lhe um pequeno toque, mas não gosto de modificar, na altura sairam assim e assim ficam.
Suponho que é de 2005.