sexta-feira, 14 de agosto de 2015

nada é perfeito... trovas soltas



trago um cordão de ouro
foi minha mãe que mo deu
pra mim ela é um tesouro
bem guardadinho no céu

envio-te beijo pelo correio
pois de ti sempre me lembro
trago o coração d'amor cheio
desse idílio... era Setembro

tomo um café no alpendre
fico num modo tristonho
já o teu olhar me prende
se vais, a chorar me ponho

minha casa é a uma esquina
no bairro a mais sombria
no meu coração de menina
há amor ...em demasia...

eu quero o tempo inteiro
sem nunca mais acabar
eu quero se fôr primeiro
dar amor q' tenho pra dar

natalia nuno
rosaofogo

lógico que me enganei a colocar, trovas seriam no « Orvalhadas de Saudade» mas agora já está, aqui ficam, afinal um blog e outro são meus.

volta e meia...trovas soltas



tece seu curso a vida
persiste em mim saudade
também a levo tecida
no coração com verdade

já o sono me venceu
da minha história o fim
maldição a vida me deu
andou à revelia de mim

de soberba ela tão cheia
subestimando meu querer
esta vida volta e meia...
fez de mim pobre mulher

já o espelho me provoca
olho-o com provocação
se pensa que me põe louca
não vou olhá-lo mais, não!

natalia nuno

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

cegueira...



cresce erva nos meus olhos
a lamparina bruxuleia
há no meu olhar uma nesga de poeira
como que uma teia
a parar no ar
serão os olhos mal lavados?
mas pouco importa!
esta vida é um vale de lágrimas
já nascemos marcados
e a cegueira bateu-me à porta
mal vejo os trevos do jardim
como posso encontrar o de quatro
folhas? Encontra tu por mim!
Ceguei, ceguei porque tanto me olhas
ao olhares-me me apaixono todo o dia
salta minha lembrança com alegria
e descubro coisas incríveis
que me fazem enternecer
mas nascem-me ervas nos olhos
que vão chorar para esquecer...
choram de dor e de cansaço
aqui mesmo atrás da porta
a memória eu espiçaço!
e o resto pouco me importa.

natalia nuno

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

chega a mim o eco...



chora o sino da torre
na aldeia vão carpindo
despedida de quem morre
paz pra alma vão pedindo
da fonte vem o queixume
a virgem chora no altar
já não tem a quem amar
fica a vida sem perfume

e o ninho do passarinho
treme com a brisa no galho
a voz do povo no caminho
coração feito em frangalho
esperança verde na manhã
belo o rosto d'outra aldeã
que passa alegre e fogosa
orvalhada que nem  rosa

choram também os laranjais
ferida aberta no peito
por aquele amor que jamais
será um amor perfeito
definha a noiva em lamento
molhando a fronte saudosa
é tão grande seu sofrimento
murcha, caída pétala de rosa

chora ela a dor sentida
dobram os sinos da torre
tão moço... perdeu a vida
a notícia p'la aldeia corre
mais uma grinalda de flor
posta ao lado do altar
soluça o perdido amor
toca o sino sem parar

natalia nuno
rosafogo

este poema tem uns anos, e resulta duma tentativa de conseguir fazê-lo em oitavas, primeiro criei-o como quadras, mas depois achei que assim não estariam mal. Agora podia dar-lhe um pequeno toque, mas não gosto de modificar, na altura sairam assim e assim ficam.
Suponho que é de 2005.












sexta-feira, 24 de julho de 2015

mil sombras...



à beira do vazio uma lágrima desperta
e a solidão vai penetrando a noite
revelam-se sonhos, mil sombras no olhar
esquece-se a vida
surge uma nostalgia acrescida
quando o coração revê lembranças,
ferida a memória, enruga-se o rosto
e até as estrelas parecem soluçar
o meu desalento,
parecem querer encerrar
o meu pensamento
inscrito no rosto o cansaço
e uma ruga mais
nesta minha ânsia desolada
estou a pontos de me sentir folha
pelo vento extraviada...

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 22 de julho de 2015

tu as ouves cair...



apaguei as palavras
disse não à minha inquietude
quero de mim o valor que me resta
quero ainda semear sonhos
voar com plumagem ardente
sem temores nem ansiedades
quero ainda ser gente
trazendo na alma a chuva das saudades
quero gritar, levantar o silêncio do medo
viver sem paredes azedas da tristeza
quero que o amor seja o segredo, a certeza
que brota e me incendeia
quero morrer na sua teia,
devagar... como o gotejar duma fonte
como a luz duma tarde de estio
em sossegado horizonte.

apaguei as palavras
aboli o tempo que abre fuga à vida
quero um oceano de sonho
ao amor deixar-me rendida, aprisionada
entre o prazer e a avidez do teu olhar
celebrar o viver
como se fosse uma rosa, deixar pulsar
o aroma até morrer até ficarem caídas as pétalas
uma a uma, perto do sonho que vive junto ao teu
e em sussurros balbuciarmos
rosa minha...cravo meu!

natalia nuno






sábado, 18 de julho de 2015

promessas d'amor



a tarde empanturrou-se duma luz doce
luz que nos enche o peito de ternura
e aos ouvidos me embebedas
com juras e promessas d'amor
que me adoçam o coração...
o sol ainda brinca nas folhas do limoeiro
é rápida a paixão da tua procura
no fim do delírio, e da emoção
esquece-se o mundo inteiro
os corpos despojados de prazer
ficam num total abandono
até chegar o sono,..
fechar os olhos é como renascer

na avidez do tempo
cada vez mais depressa a vida
e a cruel verdade
de que já tudo é só saudade

o tempo nos vai apagando,
com um ar cansado
me abraças sobressaltado
já só estamos sonhando...

rompe a manhã que será diferente
recomeçaremos tudo novamente
com a firmeza de seguir
até que sonhos sempre regressem
e o amor não extinguir.

natália nuno
rosafogo