palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
a porta permanece fechada...
a porta permanece fechada
cá dentro os sonhos, restos de vida
espelhos tristes e a alma esquecida
a memória doutros dias pouco ou nada
a solidão não dá tréguas
na janela sem cortina
uma fosca neblina
uma ou outra voz distante
de quando em quando uma lufada de vento
e é neste dia após dia
que a hora de amar gela e esfria
atrás de mim um desejo a germinar
como o vento que desperta
e me grita...amar...amar!
sem que eu entenda nada
a porta permanece fechada
por detrás dos vidros molhados
restos, restos de vida com ardor
os corpos pelo tempo profanados
mas nos corações um tenaz amor
e é o amor que nos ocupa ainda
cá dentro o universo só nosso
onde teus braços me enlaçam com ternura
neste sentir que não finda
que é felicidade, tempestade, loucura.
natalia nuno
rosafogo
marcas de nostalgia...
Esta noite permanece surda
só o silêncio se faz ouvir,
e esta Saudade que não muda
que dispara e incendeia e escreve
o que só eu sinto,
que serve para tudo e para nada,
com letras mágicas, da minha fonte
apaziguada...
Saudade que traz marcas vestidas de nostalgia
um olhar altivo de desdém
o riso e a lágrima solitária
e os sonhos que em maioria
se agigantam, e vão mais além,
e a vida me desafia...
Doce e amarga, cruel paradoxo
traz-me recordações em turbilhão
fecho os olhos. deixo o coração
pulsar, vagabunda fico à deriva
nesta Saudade audaz, que espelha meu céu
e me satisfaz...
Nesta noite, lamenta-se o verão fugaz
estremece a minha mão e o meu sorriso
só uma árvore se agita, nesta quietude
enquanto a minha vida inteira se consumiu
perdendo-se na bruma...
Desce a noite imensa
e eu não preciso mais de coisa alguma
a não ser desta sede que me rodeia
este inferno ou paraíso, esta Saudade que é teia
centrada no coração e que volta e meia
me sobe ao pensamento num voo em chamas
É então quando tu POESIA me chamas.
natalia nuno
rosafogo
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
à terra que não se esquece...
Como é difícil, às vezes já
nada se imagina,
apenas a fascinação e os aromas
que gritam em mim e trago
desde menina...
procuro a claridade que fui um dia
o olhar... como se conseguisse lá chegar!
Ao lugar onde o sol cantava para mim
as nuvens me davam a mão
e o rio adoçava -me o coração.
As árvores vinham de há séculos
sentia que me queriam bem
explodiam de frutos e me sorriam
é esta a felicidade da lembrança que me
sustém...
Hoje a solidão é densa
e o tempo passa
a saudade embacia o olhar
e a terra, essa terra natal, continua
nos meus sonhos, me abraça
com braços e mãos de espanto, fulgor,
toca-me o coração com palavras de amor
e uma estranha sedução...
natalia nuno
rosafogo
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
e o céu é logo ali...
cresce o silêncio, incendeia-se
o pensamento
o vento nasce na montanha
e o céu é logo ali
diante de meus olhos um resplendor de esperança
aqui, onde escuto a alma das coisas
onde tudo meu ouvido alcança
onde as nascentes são música
que escuto numa moleza que
me embriaga, aqui todo o meu ser
canta e ama e nem a tristeza o apaga.
talvez me cegue tanta beleza
talvez seja sede de amor que
sonho e me extasia
talvez seja o desatar de memórias
dum tempo onde o tempo não existia
talvez seja o perfume longínquo da infância
um tempo entre o que sonho e o sonhado
ou a promessa dum vôo ao passado
esta sede é intemporal
recordações que vivem em mim implorantes
delas não pode advir nenhum mal
já que as madressilvas abundam no coração
como dantes...
sou agora do vento que nasce na montanha
vou na brisa que ele leva enfeitiçada
sinto a força de amar tamanha
hei-de alcançar o cimo inda que cansada.
natalia nuno
rosafogo
noruega 7/2014
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
nada importa, nada é nada...
olho a natureza em silêncio adormecida
as nuvens que passam e eu aqui tão perto
sopra o vento transporta os meus sonhos
e voltam outras primaveras da minha vida
dirijo meus olhos para cima
agradeço a Deus o passado e o presente.
Como a água lá em baixo transparente,
aqui esqueço o rosto mordido pelo tempo
nada importa, nada é nada
renuncio ao sofrimento
liberto-me como as quedas d´água
e sinto-me primavera perfumada.
o coração vai clamando, deixá-lo clamar
que meu rosto sem viço vai continuar,
será caminhante e nada mais
e o sonho nunca será um vazio
isso jamais...
meu peito arquejante, o olhar na neve
das montanhas sonhador e vigilante,
e eu sou sede e nascente
sou o tempo passando suavemente
sou vermelha aurora de verão
irmã da própria natureza
que me estende a mão.
natalia nuno
rosafogo
Noruega 7/2014
Ébrias fantasias
Apanhou-nos a lua em nosso leito
amando-nos do nosso jeito
em redor tudo se aquietou
o vento na varanda suspirou
e na penumbra do quarto
a ventura por nós guardada
os corações pulsando dentro
do peito, ébrias fantasias
a sede recuperada
e a felicidade conquistada.
O desejo vai e retorna
como uma audaz primavera
ou como uma luz que se estende
morna...
Agora a quietude, depois o movimento
livre o corpo e o pensamento
da doce batalha, apenas
uma testemunha, a lua
fazendo-nos insistente companhia
num silêncio macio, até nascer o dia.
natalia nuno
rosafogo
domingo, 10 de agosto de 2014
festim...
no mar do teu corpo me perdi
inteira diluí-me na tua corrente
no furor da rebentação
vales distantes percorri
entre o prazer e o sonho...
e os aromas da paixão
o sonho me enlaçou como uma hera
em horas de delírio e rendição
e o amor me rodeou com sua dança
em impulsos vorazes de desejos
assim prossigo inteira nesse teu mar
neste sonho que é tão meu e teu
prisioneira dos teus beijos
do nosso amor, nosso festim
certeza de ti e de mim.
na loucura dos instantes
mesmo aqueles que não tive
fui água amanhecida
sedenta
como riacho de verão
nos dias que se apagavam sobre si
numa lânguida lentidão
com saudade de ti.
natalia nuno
rosafogo
inteira diluí-me na tua corrente
no furor da rebentação
vales distantes percorri
entre o prazer e o sonho...
e os aromas da paixão
o sonho me enlaçou como uma hera
em horas de delírio e rendição
e o amor me rodeou com sua dança
em impulsos vorazes de desejos
assim prossigo inteira nesse teu mar
neste sonho que é tão meu e teu
prisioneira dos teus beijos
do nosso amor, nosso festim
certeza de ti e de mim.
na loucura dos instantes
mesmo aqueles que não tive
fui água amanhecida
sedenta
como riacho de verão
nos dias que se apagavam sobre si
numa lânguida lentidão
com saudade de ti.
natalia nuno
rosafogo
Subscrever:
Mensagens (Atom)