domingo, 18 de maio de 2014

poema não lido...




Só o amor dá continuidade
ao viver...
o que vale é o que é sincero.
Efémera a vida... irá morrer
num sopro de desespero.
Adormecerei no fundo de mim
com a solidão a crescer
e o rumor do meu passo
até cair...
será música pura,
pois é tempo de partir...

 Doce é ter-te a meu lado
sentir a ternura,
o tempo não podemos comprar, mas
amor não precisamos mendigar.
Há coisas de que não me lembro?!
dir-me-ás:
casámos em Dezembro!
À nossa volta um mundo em flor
somos como um poema
um poema de amor não lido
água do mesmo rio
correndo no mesmo sentido
somos conversa repetida
relembrada nos versos que escrevo,
 já de mim esquecida,
 no peito te levo...

rosafogo
natalia nuno


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Fantasio...



Entra o luar pela janela
a toldar-me o pensamento
nada mais além da solidão
eu e ela
 e a obscuridade da noite
 tudo mais lá fora ao relento.

Saudade distância sem tempo
olho a janela o luar entra por ela
fantasio, deixo-me num faz
de conta, sorrio,
é hora da libertação
dum sonho maior
ouço o bater do coração
ignoro o luar que atravessa a cortina
é meu companheiro
desde quando era menina
no meu mundo inventado
e dormia comigo, ali, lado a lado
surgia da fresta do telhado.

Hoje há uma teimosa vontade
e um sonho suspenso
de procurar na saudade
a menina em quem sempre penso
seus passos ficam martelando
minha mente
fecho os olhos, vejo os dela fielmente,
atravesso a ponte da lembrança
e no sonho cresce a esperança,
saudosa de mim,
volto ao tempo de criança...

natalia nuno
rosafogo





terça-feira, 13 de maio de 2014

há um sonho...



há um sonho
que me acorrenta,
outro me leva ao infinito,
sonhos que o sono inventa
me transformam em ave
me enchem de  loucura
ou de felicidade, fazem-me
sonhar com um amanhã feliz
trazendo à vida algum significado
voar... cortar os ares, como sempre quis
ou a deixar-me no meu espaço fechado

há um sonho
onde não há mais lugar
onde não posso chegar
mas onde sinto liberdade
para novas ideias,
a caminho da felicidade,
agarro-me ao sonho
onde sou criança a brincar
apraz-me sonhar o passado
reaver os tempos da meninice
onde sonho ser pássaro leve
sonhando com afectos que não teve.

há um sonho
em que o tempo me foge
não é de ontem nem de hoje
sonho, onde se avoluma a saudade
onde me sinto viajante
pisando o chão verdejante,
onde se enraíza meu coração
onde o vento é leve
há silêncio e solidão
e vou ao encontro da minha loucura
onde circulam meus pensamentos
sentimentos, onde invento
minhas musas com ternura.

natalia nuno
rosafogo



segunda-feira, 12 de maio de 2014

livre é meu pensamento



sou criança livre
correndo na erva verde
com alvoroço e rosto iluminado
nos olhos a recordação de mim mesma
de  estrelas o céu incendiado
sou gaivota sobrevoando o mar
no coração habita a ternura
que importa o inverno a chegar?

vou deixando as coisas assim
vou-me ausentando
aperto a saudade no peito
e assim, deste jeito
já nada consegue abrir-me a boca
se a vontade é já tão pouca.

Procuro ainda minha estrela
mas em que céu procurar?

natalia nuno
rossafogo

sábado, 10 de maio de 2014

Quem sou então?



Por mais que me procure,
de mim não sei!
A imagem que vejo de mim
não pode ser esta... é apenas
o que resta!
Então quem serei?

Talvez a do retrato, aquela
mais antiga!?

Ah! Mas essa está na gaveta
das antiguidades...
Não sejais amáveis! Não sou essa
nem as outras, porque delas
só restam saudades.

Quem sou então,
que me procuro insistentemente?
Quem sou na realidade?!
Ora, sou simplesmente a que sonha!
Já sei... talvez a que escreve poemas
como se matasse a sede,
ou a que acorda e adormece nas palavras,
que traz a memória desarrumada,
que traz na boca pássaros chilreantes,
Não! Não sou esta também... assim de horror
tomada.
Nem sou mais a de antes...

Sou  a que se ouve num tempo distante
a que trago comigo na lembrança
sou a que leva saudade  na bagagem
e o perfume da criança que interiorizo
as palavras que me saem do coração
Assiste-vos a razão de julgar que
não tenho juízo...
Quem sou então?

natalia nuno
rosafogo


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Pari mais um poema...



Pari mais um poema

O tempo não espera
aflige-se o coração, desespera,
a alma interroga-se abalada
sem saída...enlouquecida.
Fragmenta-se de emoção o olhar
a melancolia a incubar
a mente, loucura sem sentido
este viver...
Doidice que surge frequentemente
felicidade que urge alcançar-se
mas não se alcança,
foge a alegria, ou somos nós
que nos entregamos à tristeza
sem pássaros nem flores
sem cores, nem beleza.
O tempo é fatigante
pardo e tanta vez difícil
mas ainda assim somos
da vida amante.
De volta nunca houve nem haverá
viajante...

Há por lá algo que nos prende a mão
e por cá, deixamos o coração.
Como é nauseante pensar na morte!
É noite na alma
nos atrai um pressentimento
já é pouco o sentido da vida
o tempo não espera por ninguém
irreverente, logo leva a vida
de vencida.

natalia nuno
rosafogo


domingo, 4 de maio de 2014

Instantes que se esfumam...



Levantou-se o tempo enlouquecido
e a galope levou-me o coração
sem sequer me ter ouvido
levou-o por entre a multidão.
Afunda-se a minha vontade
na memória  o esquecimento
só permanece a saudade
por entre o silêncio...

Estremeço no pavor da hora
calaram-se os que me amaram
seus pensamentos são segredo
e enquanto o tempo me fustiga,
ondulo como uma árvore a medo
trago meus sentidos parados
o pensamento fugitivo
e o sonho já não faz ruído.

Desnudei a alma
mas o corpo trago erguido
como que amanhecido
esquecendo a fugacidade do tempo
e a felicidade volta a mim de novo
existo, crio forças, o sol brilha
como já o havia visto,
conservando-me um pouco de frescura.
Velho tempo saqueador
passou, e a tristeza
então levou...
Deu tréguas ao meu peito ferido,
me entrego à vida
não quero meu vôo tolhido.

natalia nuno
rosafogo