palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
domingo, 12 de janeiro de 2014
Cala-te ó vento...
Cala-te, cala-te ó vento
deixa-me neste pesadelo
que é meu destino
de Poeta
deixa-me o pensamento menino
e esta inquietação resignada
deixa-me neste frenesim
adoça a solidão que há em mim.
Cala-te, cala-te ó vento
leva contigo a ventania
deixa-me nesta esperança fria,
deixa-me apenas o silêncio
em melodia,
e o cheiro das ervas da madrugada
deixa-me, deixa-me
nesta inquietação resignada.
Quero sentir o eco dos meus passos
ainda que sonâmbula eu siga
sentir o gozo da lembrança dos abraços
e a sedução que lembro da tua cantiga
cala-te, cala-te ó vento
não vês o meu sofrimento
e esta dor verdadeira
quando me olho aos espelhos
e outra me invento?
Quem dera enganar o destino
ser como era,
e esquecer como sou
deixa-me ó vento
deixa-me com meu pensamento
menino...
num sonho debruçado
mesmo que,
de coração apertado.
natalia nuno
rosafogo
NOTA: Este foi o poema que fiz e li durante a apresentação do Melodia do Tempo.
Tarde de Poesia...lançamento do «MELODIA DO TEMPO» 11/01/2014
Meu livro foi ontem apresentado no Hotel Palácio Real, foram lidos poemas que emocionaram os presentes, também tivemos o prazer de ouvir o amigo José Gonçalves um excelente tenor do S. Carlos, e outros amigos que cantam maravilhosamente, todos demonstrando carinho por mim, foi uma tarde inolvidável, os meus olhos foram um lago que extravasou mas de alegria e os olhos de Deus por certo estiveram comigo e com a minha poesia. Um agradecimento a todos!
sábado, 28 de dezembro de 2013
Que sei eu?
Que sei eu dos anos vazios
que sei do que podia ter feito
e não fiz?
Que sei eu do que deixei para trás
e não quis?
Olho o rosto que o tempo
vincou,
olho-me e não conheço
quem sou!
Lembro a dor que me doeu
olho meu corpo inteiro
e não sou eu!
Aguento, de olhar calado
só eu posso entender...
lembro pedaços do passado
bocadinhos de vida
que me vêm enternecer.
As minhas mãos
escrevem a SAUDADE
só ela no meu peito a caber,
traz-me ainda a felicidade
é sentimento forte, a prender
a vida que habita meu coração.
Minha memória é álbum
de momentos eternos
que folheio em repetição,
só aí me reconheço
só aí me encontro,
aí onde sou obscura aos outros
descubro-me e ao ver meu rosto
as palavras ficam mudas,
enquanto meu olhar navega
e a tristeza carrega.
natalia nuno
rosafogo
sábado, 21 de dezembro de 2013
fogem meus dias...
perdi a vontade de rir
gargalhadas deixei pelo caminho
e os sonhos escritos em pergaminho
que um dia hei-de reler
o meu peito ameaça transbordar
é terreno de lavanda a florescer
a pulsação bate-me na garganta
os sorrisos cansados como
pássaros assustados,
os lábios suplicantes
por afecto que não vem
atormentam-me as palavras
que não falo com ninguém
como asas de corvos através
da noite, fogem meus dias
e eu resmungo baixo, prestes
a explodir em choro e agitação
minhas asas engaioladas
em meu coração.
meu rosto alquebrado
cheio de sombras,
minha existência
a transformar-se num borrão
ah se eu fosse de novo um rouxinol
trinaria as minhas notas de amor
cantaria a mesma melodia de então
como quando era rapariguinha
comprometida com o amor e a vida.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
meus olhos espiando...
Mas que altivez descabida
mar de ideias inconsistentes
anda toda a gente envolvida
c'doutores mais loucos q' os pacientes
dominados por desarranjo mental
sem que tomem feição diferente
revestem-se de prestígio teatral
tentando convencer toda a gente
porque há uma eternidade historial
comportamentos serão analisados
com o andar dos tempos em Portugal.
contra doidos varridos nos prostrando
seguimos sem acção... desesperados!
o golpe de misericórdia para quando?
natalia nuno
rosafogo
não tenho jeito para este género de poesia, mas hoje surgiu-me este soneto, (soneto?) o pior é a métrica, é só mais um momento onde desabafo a minha tristeza por este natal de pobreza em todos os aspectos.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
sentimento escondido
Nas profundezas da mente
há sempre um sentimento escondido
que não desaparece
porque nunca se esquece
quem um dia nos amou
permanece ali comprimido
o sentimento por outro coração
que nos tocou.
e assim continua sem uma
beliscadura,
com alguma dose de ternura
ao recordar-se.
Ficam pétalas de rosa
espalhadas p'lo chão
e as lembranças espreitam
à porta do coração.
Uma velha mala de viagem
chama viva e inocente
lembranças de adolescente,
tudo tão distante como as gaivotas
que sobrevoam o mar
mas que eu lembro para me animar.
Sinto-me invadida
por um vislumbre de amor
e bem estar
ao mesmo tempo de dor.
natalia nuno
rosafogo
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
a morte do actor...
Minhas senhoras e senhores
este é o terceiro acto,
vão entrar os actores,
depois, ao final
fecham-se as portas do teatro.
Este é o terceiro acto,
como verão é complicado
é a contagem para o fim
e ai de nós... de ti e de mim
se o amor sai mal soletrado.
Quem assiste vai aplaudindo
o actor move-se e não cessa
de tremer,
não pode adiar o fim da peça
nem o abraço à vida
que a morte não tarda a aparecer.
no palco dizem-se as últimas palavras
cada um ocupa o seu lugar
o público encantado a assistir
em silêncio para não perturbar.
O actor exausto quase, quase a cair
ergue ainda as asas mas já não voa,
inda agora era o alvoroço ao chegar,
já está pronto pra partir.
Ouvem-se os aplausos,
solta-se a língua ...bis...bis...
e o actor morre à míngua
já sem saber o que diz.
A vida é este teatro, é estender a asa
e não poder voar,
é o instante que passa
agora é bela, amanhã perde a graça.
Que sabemos nós do papel
deste teatro que é a vida?
Onde se ama, se morre, e se grita
que puta de vida!
Abre-se a porta da saída...
Um cortejo sepulcral
A peça foi muito aplaudida.
Mas a vida chegou ao final.
natalia nuno
rosafogo
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