O tempo me ajudou a crescer, a amadurecer, e agora faz com que me ocorram as palavras no momento certo. Alheada do tempo, escrevo sem parar à luz coada da manhã ou ao empalidecer da tarde. A poesia empurra-me para fora do corpo e amacia-me o sentimento de solidão, e a terra que piso, foge-me para o céu com nuvens de algodão onde o cansaço se esfuma. Um mundo à parte sem dúvida. Assim surgiu mais este filho.
natalia nuno
rosafogo
palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sábado, 7 de dezembro de 2013
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
recordação genuína
há uma recordação genuína
...meus caracóis de menina
cabelo longo e espesso
que a brisa fazia esvoaçar...
e a dor não diminui nem um bocadinho
ao vê-lo hoje fininho
como raios de luar
avalanche de recordações,
como se retrocedesse no tempo
daí a minha afeição genuína
por essa menina.
menina de sonhos
sempre a fazer uma
asneira qualquer
mas firme, determinada
e a mãe dizia:
esta é que vai ser!
cruzo o olhar comigo
me olho e envelheço
e fica em mim esta doença de pensar
procuro abrigo
e o brilho dos olhos embacia
com a lembrança do rosto
onde havia
aquele verde esperança no olhar.
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Minha alma liberta-se
Menina de sorriso rasgado,
vestido de veludo rendado,
para quem o sonho era tudo
persistência em viver feliz,doçura e inocência,
agilidade de perdiz
rosto sardento, cabelos a esvoaçar,
uns olhos abertos para a vida agarrar,
olhos verdes côr da planura,
no coração amor
no peito ternura.
fresca como madrugada
que principia,
como água fresca da fonte
que não pára de correr noite e dia.
no sol da minha lembrança
deambulo na claridade
dum sonho bom,
onde me vejo eterna criançabrincando em liberdade.
e sonho…sonho que é verdade!
e o sonho me consente
que a vida seja menos pungente.
o tempo é erva ruim
que à solidão me condena
levou o melhor que havia em mim
e já de longe me acena,
mas o sonho o contradiz
e eu sonho e sou feliz.
natalia nuno
rosafogo
Fuzeta 12/2012
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
deixa que te lembre das rosas
DEIXA QUE TE
LEMBRE DAS ROSAS
Deixa que te
fale da minha emoção
Que te
lembre das rosas
do
enamoramento
Das tuas
mãos inquietas de paixão,
dos orgasmos
soltos a cada momento.
Do despudor
de para ti me desnudar
Deixa que a
memória não nos deixe jamais
E o amor ainda traga algo por desvendar
Que seja
assim sem mais nem mais
Abrem-se
sulcos no rosto
O tempo
acumula-se amadurecido
O olhar tem
o brilho sereno
do
sol-posto,
vive de
sonhos o coração,
e o tempo
vangloria-se campeão.
Secaram dos
olhos os mares
Andam
lágrimas a esconder-se,
e o verde a
perder-se
Tempo de mim
esquecido
Labirinto
onde vagueio
Deixa que o
sonho ainda faça sentido
Que o doce
escorre do meu peito cheio
Não deixes o
silêncio criar raízes
Deixa que
seja ainda tua rubra flor
Não me
acordes, sejamos felizes
E assim
sobrevivemos amor.
Gerês, 21/07/2012
sábado, 16 de novembro de 2013
estado de alma
toda a água que cabe num cântaro
não cabe nos meus olhos
é este o meu estado de alma
as nuvens se desfolham
geladas de amargura
jazem na terra dura,
e a dominam,
tal qual meus sonhos
me levam à loucura,
fico na sombra
sou fantasma de mim
sou a infância que me corre
nas veias
sou o vai vem entre o presente
e o passado
sou o vivido e o sonhado
sou o sonho e a quimera,
sou por quem o tempo
não espera...
sou a imensa solidão
o medo do vazio
a despedida do verão
sou agora... o inverno frio.
sou o fim da viagem
sou a que segue de mão estendida
a que se perdeu da imagem
sou lembrança duma vida.
natalia nuno
rosafogo
imag net
domingo, 10 de novembro de 2013
Entrei e não ouvi nada!
Entrei e não ouvi nada!
dentro de mim o silêncio
e ideias apoquentadas...
caem-me as mãos sobre os joelhos
meus sonhos correm descalços,
sobre pedras aguçadas,
minhas palavras ainda ousadas
sofrem aflições e percalços,
sem ter arte convincente
iludidas na semente.
a esperança é minha companheira
é ela meu lenitivo
meu sonho, minha bebedeira
eu com ela vivo,
e quero,
mas dela pouco espero.
entro agora e vejo
o sorriso duma flor
um gesto de amor
e logo o coração a bater,
acende-se uma luz em minha casa
e já consigo ver,
meu espírito batendo asa
exaltando de felicidade
fazendo-me crer,
impondo-me a verdade
que vale a pena viver.
o segredo do meu contentamento
é ter sempre algo a esperar
e viver cada momento
sabendo meu silêncio escutar.
natalia nuno
rosafogo
imagem da net
terça-feira, 5 de novembro de 2013
MEU VÔO

Concluí que tenho medo
medo do desconhecido
medo...medo...medo!
não sei como viver
não sei o que fazer
sei...que o futuro é temido.
A vida caminha, até durante o sono
e a noite de temor me agita
deixo nela a vida ao abandono
aflita...aflita...aflita.
De onde venho?
Cantei madrigais,
agora estou cansada e nada levo
apenas tenho
alguns anos a mais...
que a contar não me atrevo.
Mas nada tão cruel
como aguardar o desconhecido
que vai enrugando nossa pele
em troca do tempo vivido.
Labirinto que ameaça profundo
o coração dolorosamente
mas o caminho está em aberto
e não acabaram no céu as constelações
o sonho está presente... por perto,
e o vento agita e troca desilusões
por ilusões.
natalia nuno
rosafogo
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