sexta-feira, 28 de junho de 2013

Poema dedicado a um amigo




poema singelo dedicado a um amigo

será tempo de viagem
aos olhos já nada atrai
será outra a paisagem
a poesia comigo vai

de mim não haverá traço
a noite e dia terão fim
a vida e morte apenas laço
e tu Poeta, desfolharás uma flor
por mim...

colorindo o escuro
haverá flores
a tua noite perfumando,
à tua volta risos e felicidade
e lembrarás...
quem sabe com alguma saudade
a Poeta de quem foste amigo
e assim será uma eterna ausência.
da vida já nada mendigo
levarei no olhar a beleza
do rio que corre e canta
a mesma canção
e tudo se soltará da minha lembrança,
da minha mão.

e o tempo, aquele que sempre me dizias
que era uma festa de flores
e ainda Setembro,
endureceu no gelo dos dias
já de nada lembro.

e tu serás como um arco-íris
apaixonado pela poesia
menino adulto,
vivendo seu dia com alegria.

natalia nuno
rosafogo

JOÃO, grata pela tua amizade.


quinta-feira, 20 de junho de 2013

o acordar do tempo



passam andorinhas
voam rasteiro em bando
chega a mim a saudade
a infância vou recordando,
corre o rio de mansinho
cantando com simplicidade
a música que é gemido
e o soluçar me entra no ouvido.

a terra molhada
brilha com o orvalho da madrugada,
as flores abrem viçosas
e as laranjeiras espalham
o odor...generosas.

como é bom correr pelo carreiro
estreitinho,
o tempo acorda-me
e me traz o passado,
assalta-me o vento pelo caminho,
a velha árvore me olha
bordadeira de saudade,
canta a cotovia
com seu piar de tenor,
esqueço a dor...
fios de tempo, fios de amor
sobram ainda em demasia.

o sonho é de esperança!
o vento varre a solidão
em alvoroço as asas da criança
planando com mansidão...

natalia nuno
rosafogo


segunda-feira, 17 de junho de 2013

parti por não ter chão...



parti por não ter chão onde semear sonhos, cerro as palavras na boca, deixo-as na terra adormecida do meu âmago, talvez que as sementes germinem mais tarde em horas de saudade e, docílmente se entreguem em versos chorosos que embaciem os olhos, ou suspendam a tristeza e o vazio do tempo e venham dourar o verde onde a minha esperança cresce... é verão, mas, estranhamente o dia é de penumbra a memória apaga-se lentamente e eu fico de morte ferida, mas ainda vivo, ainda é meu tempo de viver...exausta parti de mãos vazias, levo os desencantos, vou palmilhando o chão e levo por companhia a solidão, voltarei quando fôr lua cheia, se ainda fôr capaz de aprender a primavera, e as folhas em mim caídas voltem a reverdecer em meus sonhos, eu possa moldar de novo as palavras a meu jeito, e nada impeça que me tragam a promessa de ser gaivota na planície...com olhos de madrugada.
natalia nuno

sábado, 8 de junho de 2013

quem sonha não se perde...


insistentes na minha mente
os momentos de júbilo ou de pesar
tocados por raio de sol ou de luar
ou pelo crepúsculo tormentoso.

a alegria da adolescência
sem as horas contar,
o caminho pesaroso
que acelerou a partida
dos entes queridos
nada promete esperança
meus olhos apenas sorvem
a lembrança.

longe, tão longe
só na memória perduram,
a saudade é ventania
que me afronta,
trazendo-me afagos,
de tristeza, ou alegria.

sinto que vou a perder-me
mas a vida há-de querer-me!
sonhos há-de ofertar-me,
há-de dar-me
o rumo certo,
até ao limite do tempo.
quem sonha não se perde
e o meu sonho é verde
de esperança.

natalia nuno
rosafogo.


quinta-feira, 6 de junho de 2013

há um não sei quando...



trémula a última estrela
soltam-se palavras na memória
a dor ri de mim
é tanta a sombra que me envolve
no escuro
debalde a claridade procuro
no tempo que me tem,
e só é a saudade que vem
do tempo de além.

tiro da gaveta o linho
com o olhar turvado
morro como um passarinho
com seu cântico acabado.

trago o silêncio na garganta
e já nada me espanta
há um não sei quando
que me persegue
e um não sei onde me leva
há uma loucura de saudade imensa
uma coragem que se nega
e um frio que se faz presença.

natalia nuno
rosafogo

sábado, 1 de junho de 2013

busco-te na ilusão



meu coração batia com força
e eu sentia o palpitar da tua mão

a vaguear na solidão,
eras apenas lembrança
que eu buscava, na ilusão
deste ambiente de fim de tarde,
onde espreita sempre a saudade.

Enamorei-me
pelo íman do teu olhar
p'los beijos que não cheguei a dar,
ou por aquele que não vou devolver
e que o meu sonho ainda vem povoar,
e dessa lembrança vou viver!

destas lembranças tenho sobrevivido
e se um dia em mim morrer tudo,
e a memória tudo esquecer
vale a pena morrer,
que meu sentir reflorescerá
no meu peito já mudo.

natalia nuno
rosafogo
imag.net

loucamente me perco...



no âmago da memória
nem uma queixa
as lembranças são em cascata
nem a saudade me deixa,
e às vezes quase de alegria me mata.
assim minha sede é menos vilolenta,
me sacio na lembrança
e meu sonho é campo verde
onde sou girassol de esperança.

loucamente me perco
envelhece meu rosto pouco a pouco
sem parar...
e quando olho para trás
me encontro entre sombras e luar.
roçam meus dedos palavras apressadas
mas o coração dá horas pausadas.
alerta a imaginação...
em cada palavra o poema é explosão
continuo o caminho sozinha,
sou poeta doutro tempo, apaixonada
nesta poesia tão minha
que é pouco ou mesmo nada,
sigo segura
faço do tempo furtivo
uma aventura
e vivo...vivo!

natalia nuno
rosafogo