palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
sábado, 25 de maio de 2013
poema impertinente...
envolve-me a neblina
bate meu coração apressado
caço borboletas... ainda menina
e o poema me olha admirado.
- mas que coisa feia!
- mas tanto me atrai...
olho o poema de soslaio.
olha-me ele com surpresa...
- deixa-me ser pequena
daqui não saio!
quero disfrutar,
ter certeza
que lembranças são
para o meu coração
relíquias do passado.
meu coração bate cada vez
mais apressado.
tão perto meus tempos de menina
que a alegria em mim não cabe
pobre poema acha que sou louca,
sou apenas menina ladina
e ele de mim pouco sabe.
pôs-se de permeio
entre mim e as borboletas
levanta o pé
querendo discussão...
- deixa-te de tretas
isto é apenas um sonho,
guarda a tua opinião.
e assim o poema reconhecidamente
impertinente,
distraído...foi submetido
à sua humilde condição.
natalia nuno
rosafogo
Encontro-me em Strasburg...desejo a todos os amigos um bom domingo, bjs.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
se ainda pudesse encontrar-te?!

olho o cimo da nespereira
ali bem rentinho ao céu
esquecer-te não há maneira
este amor ainda é teu...
apagou o lume na lareira
na mesa o pão e o vinho,
vazio... criado à minha beira,
rasto de memória no caminho
o chão dos pés me fugiu
último anseio me abandonou,
arranca de mim um frio,
rimam palavras com furor
e ainda é teu este amor.
para sempre me afastei,
já bastou a vida inteira
olho o cimo da nespereira,
tanta vez para ti olhei
mas o encanto turvou
e eu...já a mesma não sou.
deixo de olhar desisti,
já não podes dar-me nada!
por isso hoje morri
morri nas horas parada
a olhar o céu,
ali por cima da nespereira,
a relembrar tu e eu
se ainda pudesse encontrar-te?!
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 7 de maio de 2013
tenho sede de tempo...
cai a tarde
como fruta madura
e à distância cantam os pinhais
o sol já não arde,
tocam os sinos dando sinais
e eu aqui oculta pela bruma
lembrando tudo,
tanta coisa uma a uma.
lembro o caminho da nascente,
com os risos de então
lembrança sempre presente
que não rejeito...não!
quero ser criatura
de alegria,
trazer à minha noite o luar
e eu e tu ser um só rio
a desaguar no mar...
extingue-se mais um dia
entre matizes amarelos
tenho sede de tempo
dum tempo primaveril
aquele que me vestia
a alma
e não este, que é prisão
e me corrói o rosto,
e esvazia o coração.
dá-me a mão,
vamos caminhar mais agéis
viver mais intensamente
onde o limite seja o céu
só tu e eu.
por algum tempo havemos de ignorar
o que de nós se perdeu
vivamos mais outro dia,
antes que a noite venha perturbar
ergamos nossa rebeldia
e quando a morte vier
num outro dia qualquer
pairando como um gavião,
sobre nós,
dá-me a tua mão
quando já nada haja para crer,
resta em mim a credulidade...
ainda assim vou sentir a doçura
da tua mão
na minha mão,
e levarei dela saudade.
natália nuno
rosafogo
quinta-feira, 2 de maio de 2013
solfejam andorinhas
anda o coração assolado p'lo vento
minha alma enfeitada de solidão
a voz campainha de porta avariada
lamento, vazio,
ao alcance da mão
quase nada...
é assim que me vejo
soprada p'lo vento norte
prossigo calada
com medo do tempo
e da morte.
solfejam andorinhas
vêm vestidas de negro
óh saudade onde ando perdida!
fincada no coração em segredo.
palavras minhas
que habitam da minha alma
o chão,
lembranças minhas
que são minha condição.
natalia nuno
rosafogo
imag.net
sábado, 27 de abril de 2013
o que sinto...
o que sinto agora
me arde, me queima
acre melancolia
que em mim teima.
o caminho
é vinha vindimada
vagas de memórias,
sereno meu mar...
que tudo e nada me oferece
dia ameno, dia que adia
a morte,
o sol mne aquece
e me mantém viva.
chove apenas no olhar
e no rosto que um dia brilhou
e cantou e encantou
como um rouxinol,
hoje, terra morta onde bate o vento
e se foi o sol.
já nenhum espinho me fere
renego a compaixão
bati com a porta
meu coração só quer
paz,
não se queixa, faz
que dorme....
num batimento uniforme.
natalia nuno
rosafogo
imag.net
quarta-feira, 24 de abril de 2013
O Poeta está aqui!
rompe-me o coração na passagem
faz de mim sombra
nesta viagem
abra-se a ferida
nesta casa abatida.
ficam os alicerces
feitos de raízes afeiçoadas
que já mal recordo,
com palavras magoadas
me deito e acordo.
voltam meus olhos ao passado
a querer resistir ao tempo
a querer reagir à crueza
até à exaustão
e o tempo a dizer-lhes ...Não!
agride-me violento
e me rasga o sono
ah...temo o esquecimento!
já me dói o que de mim perdi,
exausta sobrevivi...
resta o Poeta!
O Poeta está aqui.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
simples, assim como quando brincava.
na memória
um tempo de passagem,
adormeço e acordo
deixo o poema em liberdade
ele é de meu rosto a imagem,
do coração a saudade,
da minha esperança um vôo maior,
a alegria que toma posse de mim,
o som da noite que ouço melhor.
é ponte onde atravesso o ribeiro
é do desejo o meu desejo primeiro
e tudo o que é lonjura
se torna perto...
perto na recordação,
que faz frente ao tempo
às minhas veias diz que não
e põe o pensamento em contradição.
vou fiando o fio do destino
neste tempo de passagem
sou entre o nevoeiro um peregrino
que deixa poesia na aragem.
meus pés ensopados no chão
e o poema a abrir-me o coração
vou bebendo o vento,
e gritando
um grito que não se ouve,
mas que alivia o pensamento
e nestas palavras agitadas
a emoção se move e me atrai
como uma chama
e por instantes me alucina
e lá volta a saudade
dos meus sonhos de menina.
e é desta substância que faço
o poema, simples assim como
quando brincava
e nada me aprisionava.
natalia nuno
rosafogo
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