domingo, 18 de novembro de 2012

a vida passa-nos à porta...




meus olhos estão tristes
e frios,
olhando imóveis o azul
cinzento escuro do céu.
meus dias sombrios,
sem alento,
neste mundo absurdo
sem esperanças nem ilusões,
mundo que tudo esqueceu,
e leva aos trambolhões.

tremem as flores nascidas
nas bermas,
sob o assalto do vento perseguidas
em solidão,
ermas,
algumas nuvens desgrenhadas,
parecendo brincar às guerras
e aos generais
sobre a terra curvadas,
prontas a desabar em tempestade,
no meu olhar triste a saudade,
de onde não sai jamais.

sobre a vidraça escorrem lágrimas,
na rua a lama substitui a poeira,
encheu-se a ribeira,
tudo é agora cinzento, a água e o céu.
os retratos continuam pendurados
nas paredes, sombrios
meus olhos continuam tristes e frios
fatigados,
os sonhos parados,
escrevo junto dum quebra luz
da mesinha de cabeceira,
onde a saudade é verdadeira,
e uma lágrima dolorosa,
cai ardente e orgulhosa...

natalia nuno
rosafogo
imagem da net









quinta-feira, 15 de novembro de 2012

flor pendida





como te afundas
coração de menina
em lembranças e luas
de amores e solidões só tuas.
lembranças que a memória espreita
leves, doces, ternas,
que só tu conheces, mais
ninguém suspeita...

a solidão se passeia por ti
deixa-te sonhos apenas,
e aí,
o sossego te invade
mas não te leva as penas,
deixa-te a viver da saudade...

serena te vês,
solitária te deitas
e de lua em lua
tua vida desvanece...flutua!
mais um dia feito
mais uma repetição
a mesma lassidão,
o mesmo nada
a mesma realidade
e o cansaço te adormece
e o sonho se tece!
as mesmas lembranças na mente
repetidas insistentemente,
pedaços de vida
com o odor da juventude
nunca esquecida...

natalia nuno
rosafogo
imagem da net

terça-feira, 13 de novembro de 2012

só o sol me faz falta




árvores verdes, céu azul,
pássaros,
canticos melodiosos...
ecos da minha infância distante
sonhos, anseios, esperanças,
gorgeios nas minhas lembranças,
nesta tarde já quase parda
e a noite que aí não tarda...

tanta coisa que o coração recolhia
tudo lembrei, nesta tarde
que esfria...
tanto sonho,
neste céu distante,
tanta paz, tanta tempestade
que em mim incendeia e apaga,
que traz saudade...
a esta memória que já se alaga.

infinita esta saudade
neste sonho resignado,
neste silêncio dos campos
nesta moldura sombria...

do meu olhar marejado,
desaparece o dia!

e esta tristeza que tudo atravessa...
sentimentos de dor e prazer,

a vida é carta por escrever
que aguardo receber...

natalia nuno
rosafogo
imagem da net

S. Pedro do Sul, 28/09/2012

domingo, 11 de novembro de 2012

carinho de girassol





Encontro a ti serra da insanidade
Tantos vieram quantos desistiram
Meus olhos atingem o infinito
Minhas asas não conseguirão

Avisto águas que escondem
Segredos e medos
Temor do mar e das cordilheiras
Imóvel assisto o interior de minha pálpebra

Desenhei notas de amor
Cantei o som da esperança
Fui tua confiança
Tentei fazer sorrir cada cravo e violeta ao redor

Nos versos de teu brilho
Encontro o sossego
E lanço-me em tua direção
Quem sabe teus braços estrelados me amparem

As asas chicoteiam o ar
Um som que já conheço
Nada diferente
Maravilhosa sensação de voejar

Voarei por toda madrugada
Aguardarei naquele farol
Onde farei por instantes minha pousada
Quando o dia chegar abraçarei na amizade uma flor de Girassol

Voo em versos o que sonho e o que me fascina
Do sussurro do anjo que me acompanha em cada esquina
Surge algo que não acredito ser magia
Apenas avidez de trazer à vida um toque de poesia




Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=234553#ixzz2BwzhSNTN
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

do meu querido amigo Poeta Brasileiro  Correa,
esclareço que a rosafogo e o girassol no Luso são a mesma pessoa e este  poema me foi dedicado
por este poeta para quem vai a minha admiração por ser uma pessoa excelente, um ser com bons sentimentos.

sábado, 10 de novembro de 2012

apreço e carinho



Há na minha família gente bonita de coração, alguns amigos de Poesia, uns que a escrevem e outros apaixonados pela leitura, e outros escritores de romances como por exemplo Pedro Canais que escreveu o romance «A lenda de Martim Regos»

Mas hoje deixo aqui umas quadras que me foram dedicadas por uma prima com 83 anos de nome Maria Jose Canais, que para além de poetiza é voluntária no Hosp. de Torres Novas, onde é muito querida e respeitada, ofereci-lhe meu livro de poesia «Pesa-me a Alma» e ela demonstrou seu apreço assim:


 
Olá Natalia

É linda a tua poesia
Escrita com tanta doçura
É tamanha a melodia
Toda ela é uma ternura

Gostei dela tanto.tanto!
Que a vou lendo com prazer
Mas dei por mim num pranto
Quando olhos azuis acabei de ler.

Olhos azuis da cor do mar
Neles havia amor, lealdade
Por eles eu estou a rezar
Agradecendo tanta amizade

Falando da tua boa mãe
Que eu nunca esquecerei
Amiga do coração tambem
Para sempre a lembrarei

Por fim quero agradecer
As tuas lindas palavras
Para mim são o alvorecer
Que expresso nestas quadras

Mª José Canais

obrigada querida prima, aqui deixo como prova da nossa amizade
natalia canais nuno

    sexta-feira, 9 de novembro de 2012

    p'la calada da noite



    anda o vento rumorejando
    por perto
    traz a madrugada p'la mão
    e eu trago a emoção bem dentro,
    dentro do coração.
    há pétalas a abrir
    nas pálpebras da primavera
    e ainda que me doa,
    o tempo por mim não espera.
    levo na boca o gosto a terra,
    nos lábios a palavra liberdade,
    sou garça a deslizar...
    na campina da saudade.

    levo nos olhos a voz dos pinheiros
    e as mãos a rirem da morte
    a brisa no rosto...e eu gosto
    e parto à sorte!

    levo poemas de amor
    e alguns versos nus
    nada acrescento à dor
    da escuridão se fará luz

    ando de pé sobre o tempo
    há quem diga que morri!
    deixei meu canto em Setembro
    é inútil o  pranto aqui.
    do poema já me arrependo
    mas foi um instante achado,
    nas veredas desta vida...
    e depois de terminado,
    ficarei de mim esquecida.

    tão já sem nada...
    é agora uma da madrugada
    e o poema me devorando
    e o vento aqui tão perto,
    rumorejando
    pela calada...

    natalia nuno
    rosafogo

    quarta-feira, 7 de novembro de 2012

    da memória tudo varreu




    hoje entrego-me à tristeza
    como folha de outono
    caída ao abandono,
    tombam meus sonhos
    tão pouco sei ...!
    quanto caminhei,
    por onde andei?
    espinhos pisei?
    minha essência guardei?

    esqueci tudo o que era meu
    mãos vazias
    pés cansados
    da memória tudo varreu
    caminho escuro
    labirinto de areia quente,
    avisto agora o poente
    cumpro o resto por cumprir
    no ocaso do meu firmamento
    não há estrelas
    e a noite é profunda,
    só um sonho sobrevivente,
    onde pulsa a esperança
    que é semente

    solto minhas tranças
    colho do mundo as andanças
    que Deus a todos destina,
    nestes tempos estranhos
    povoados de sombras
    vou sonhando em surdina

    natalia nuno
    rosafogo
    imagem da net