palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
domingo, 23 de setembro de 2012
LABIRINTO
Um cão a latir
a uma rua daqui
a rasgar-me a tranquilidade
e a lua a surgir
brilhando de felicidade.
Abeira-se das casas
um bando de morcegos
guinchando, batendo as asas
enxotando meus sossegos,
e a noite acorda mil ecos
não se importa de me incomodar
as ruas desertas, as almas são becos
cuja presença é difícil ignorar.
Minhas mãos adormecidas,
arranco-as das garras do esquecimento,
ouço badaladas de despedidas
asas negras é o sentimento.
Martela-me no peito o coração,
a chuva desaba sobre os telhados,
meu olhar vago, em engelhada solidão.
Sonhos magoados...estropiados...
ruínas, onde não habita ninguém
nem lágrimas, nem gritos,
apenas ecos vindos do além.
rosafogo
natalia nuno
imagem da net
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
assim nos amamos...
Passa uma brisa de ar fresco,
sento-me nesta cadeira
desengonçada,
noite inteira...
Pego num jornal
como um ritual...
Perto da janela impestada
de mosquitos que dançam
à volta do candeeiro da rua
e minhas ideias avançam
na saudade prenhe,
de recordar,
o dia em que fui tua.
O único intruso aqui é o luar!
A iluminação do candeeiro
traz-me sonolência
e à lua faço confidência,
quero sonhar com teus lábios
humedecidos,
quero em ti navegar,
sentir o teu pulsar
ser de novo o teu desejo
e acabar o sonho
num beijo.
O sono aquiesceu ao meu pedido,
peço a Deus um sonho divertido
rico de fantasia,
como se fosse inda, outro distante dia,
na manhã seguinte há muito que
contar e tudo fica aclarado,
entre amor real e o amor sonhado.
rosafogo
natalia nuno
imagem da net
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
vincos de saudade
ao meu redor vejo gente
abafando o pranto,
decido olhar
e é grande o espanto,
mãos nervosas,
lágrimas nos rostos,
olhos enigmáticos
sem idade
e vincos de saudade,
levam a mão ao peito
em jeito
de oração
que aprenderam dos avós,
anos após,
ensinaram aos netos
meninos predilectos
de suas vidas
consolo de suas existências.
hoje entregues a si mesmos,
todo o dia
regressam de onde nunca saem,
lábios abertos sem alegria,
ele traz ainda uma gravata encarnada
e ela lembra pouco mais que nada
vejo-os agora afastando,
gesticulando...
E pensar que tanto se amaram!
Os meus receios não tardaram
partiram amando-se...
rosafogo
natalia nuno
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
auto retrato
são verdes teus olhos
tão vivos como os duma criança
na boca um sorriso pálido
quem sabe de amargura,
ou de esperança...
caracteriza-te
ternura
e afabilidade,
por isso tenho por ti amizade
coração sem rancor
onde só cabe o amor.
o nascer do sol te ilumina
não deixes que a nostalgia
se aposse de ti
menina que dia a dia
escreve poemas com princípio,
meio e fim
aqui
com entusiasmo enorme
-longe no tempo a escrever
se estreou
e prisioneira ficou-
escreves com suavidade
e falas sobretudo de saudade
rosafogo
natália nuno
poema de imaginar sómente...
Vou desafiando o tempo
o tempo que não me ignora
me levando a seu contento
sempre lembrando-me a hora
diz-me ele que vai e vem
que faço mal em o olvidar
que é ele que sempre tem
tanto a me ofertar.
antevejo o futuro
buracos abertos no chão
decerto um tiro no escuro
entrevejo em meu coração.
faço uma vigília acesa
não deixo a chama apagar
e do rigor da minha atenção
vai vivendo meu coração
cada manhã há um milagre a sorrir
uma pomba branca esvoaçando
e uma nova luz na mente
e eu amo e imagino
e crio um poema de imaginar sómente.
E grito...grito...grito!
e o poema fica aflito
e é pena...
porque o meu grito é de alegria
renovada,
é uma lágrima feliz correndo
na mira de ser amada!
e venham mil sóis, mil luas
e brilhar
por sobre terra e mar
que a gente hoje...meu amor
vai-se amar!
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 18 de setembro de 2012
a melodia que alguém me assobia
olho a tristeza das árvores
no seu jeito de morrer de pé
é forte a força da sua razão
arragadas à terra com firmeza
como se tivessem coração
e nele habitasse a fé,
renovo a minha esperança
num amanhã feliz
agarro-me à lembrança
do que houve e não volta mais
e em silêncio escuto a voz,
de meus avós,
e meus pais,
infantilmente me deixo aí
nesse lugar
da minha raiz
porque lá ou aqui
vou sempre recordar,
cheiros sabores e cores,
as enxurradas do rio,
o coaxar das rãs,
o cão latindo
a criança sorrindo,
as manhãs a desabrochar
mensageiras de sol e promessas
as janelas abertas sem mistério
e lá ao longe o cemitério.
assobiam agora os vendavais
na minha mente desgrenhada
o que houve e não volta mais
ainda sinto uma melodia soprada
ao ouvido, alguém assobia
e tento retê-la nos escombros
da memória e nos assombros
da poesia.
natalia nuno
rosafogo
domingo, 16 de setembro de 2012
a vida e eu...
O tempo marcou-me as feições
nas palavras deixo a mágoa
trago sonhos e ilusões
e os olhos rasos de água
pareço pássaro aturdido
com a luz do entardecer
por entre a folhagem escondido
vou deixando acontecer!
Trago a saudade no peito
como se fosse feitiço
para o qual não há jeito!
Assalta-me a qualquer hora
é viagem onde me perco e me invento
me alegro, entristeço,
e anoiteço,
quando de mim se assenhora.
E tudo em mim adormece
como se voltasse à infância
nesse tempo ainda cedo
onde nada tem importância
onde não existe o medo
onde se esquecem as horas
e não há marcas no rosto.
A vida tem de justo e injusto
traz a cada manhã nascida
o segredo dum novo dia
de amargor ou de alegria,
a vida é lâmina de punhal
onde ora estamos bem,
ora mal...
eu no sonho me penduro
esqueço o suor da corrida
desprendo-me do tempo
e dos invernos da vida.
rosafogo
natalia nuno
imagem da net
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