palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
terça-feira, 10 de abril de 2012
VENTURA INVISÍVEL
´
Abarco na memória os dias vividos
Uns de vida intensa,
já outros perdidos...esvaídos,
fracassados e de solidão imensa.
Mas uma ventura me chega ao peito
Mesmo entrando em mim o cansaço
Nem tudo perece e deste jeito
Vou lembrando,
nosso tempo passo a passo.
Há um sentimento de gratidão
E a solidão se esfria!
Agradeço a Deus com todo o coração,
ter teus olhos e amor por companhia.
Sinto que meu rosto se apaga,
mas a luz continua em nós.
Minha memória se alaga
Soa como rumor
agora, a minha voz.
A vida se vai cumprindo,
neste tempo que está a morrer.
Nosso olhar é como um beijo
de amor, que gota a gota
ainda deixa seu aroma numa
lágrima escorrer.
Abarco todos os dias vividos
Contemplo a terra e o firmamento
E os meus sonhos são mais nítidos
Maior a beleza da vida, menor o sofrimento.
Será fictícia esta felicidade?
Ou ventura guardada no coração?
Ou apenas a saudade!?
Fantasia...ou invenção!?
natalia nuno
rosafogo
domingo, 8 de abril de 2012
HEI-DE SER LEMBRANÇA.
Hei-de um dia ser lembrança
Numa fotografia antiga
Numa tarde que declina
Na rosto da.menina!
Numa voz amiga.
No grito duma hora
Numa criança que chora
No silêncio dos rios que passam
No desatino do vento
Numa sombra que se liberta
Na renúncia do sofrimento
duma ferida aberta.
Hei-de ser lembrança
No bater do mar
Numa noite preciosa
Numa semente de esperança
Num sorriso, num olhar
No odor duma rosa.
Porque eu sou árvore aqui!
E serei sombra ali...
Fui criança reluzente
P'lo caminho fiz-me gente
Orvalho campestre p'la aurora
Cheguei à idade mofenta sem demora
P'la mão da madrugada
Pela vida cercada.
Serei ausencia, serei lembrança
Serei manhã, serei tarde
Serei criança, musica, flor!
Serei saudade...
De tudo ao meu redor.
Serei um verso vazio
neve a cair, chuva, frio.
Solidão do campo, flor do laranjal
Poeta rendida... ensurdecida
Mulher do retrato,
mas poeta até ao último acto.
Poesia é em mim, manancial...
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 6 de abril de 2012
RECOLHO AS PALAVRAS
Trago as palavras gastas
as rimas doentes
Chegam a mim indiferentes
fatigadas
Recolho-as no muro da tarde
fracassadas
Pousadas na saudade.
Sedentas de cumprir o seu papel
Entregam-se como o polen à abelha
Ou como a abelha se entrega ao mel
Soam secas, são como alimento
humilde
Amargam o meu tempo
Aumentam os meus medos,
a minha loucura de recordar.
Mas são a minha esperança de continuar,
a ouvir as minhas gargalhadas
a escutar as minhas passadas.
De me sentir no campo uma cotovia
em liberdade.
Dia a dia...
De morrer e renascer
com infinita saudade.
Palavras são a única voz que me resta
Gastas, indiferentes fatigadas,
como manhãs nubladas,
onde o sol é apenas fresta.
Que eu viva ou morra pouco importa!
As palavras atordoam a minha alma hora a hora
Abrem porta...ao meu peito
Invadem a solidão do meu leito
São testemunhas do meu desalento
Mas nada disto é em vão!
Pois elas são o meu sustento
O sustento do meu coração.
natalia nuno
rosafogo
imagem retirada da internet
PARA RECORDAR
No passado dia 24 de Março, foi a apresentação do meu 2º livro de poesia, aí tive o grato prazer de ouvir a minha mana de coração, Natalia Nuno declamar este poema a mim dirigido. Obrigada mana.
AMIZADE
Se um mesmo laço nos prende
... E a poesia nos corre nas veias
Já nada nos surpreende!
Somos por isso… irmãs meias.
Ou siamesas!
Não deixamos adormecer a esperança
Temos certezas…
Que em nós habita ainda uma criança…
A vida é mesmo um mistério
Há coisas que nem se imagina
Pois este assunto é muito sério
Ter esta irmã é minha sina …!
Somos como um poema de maresia
Tudo em nós é paixão!
Damo-nos com alegria
E à tristeza dizemos não.
Somos fortes … se
Choramos… também sorrimos,
Recordamos e amamos
As mesmas emoções sentimos.
Também somos papoilas
frágeis ao vento…
Mas a amizade nos dá alento.
A amizade entre nós
Traz-nos sóis amanhecentes,
que aquecem nosso universo
Assim estamos sempre presentes
Em cada poema, em cada verso.
Tu, tens alma alentejana,
Calma,
serena como o rosmaninho e o alecrim
Eu impulsiva… ribatejana,
com a saudade sempre atrás de mim.
Ah… mas não é nada de cuidado!
A saudade é transeunte nos meus dias
Sempre trago o peito alvoroçado
Divido contigo minhas melancolias.
Hoje?
Vim apenas pra estes versos te entregar!
E não me vou sem te abraçar.
rosafogo
natalia nuno
Com amizade à Mª Antonieta, minha irmã do peito.
Se um mesmo laço nos prende
... E a poesia nos corre nas veias
Já nada nos surpreende!
Somos por isso… irmãs meias.
Ou siamesas!
Não deixamos adormecer a esperança
Temos certezas…
Que em nós habita ainda uma criança…
A vida é mesmo um mistério
Há coisas que nem se imagina
Pois este assunto é muito sério
Ter esta irmã é minha sina …!
Somos como um poema de maresia
Tudo em nós é paixão!
Damo-nos com alegria
E à tristeza dizemos não.
Somos fortes … se
Choramos… também sorrimos,
Recordamos e amamos
As mesmas emoções sentimos.
Também somos papoilas
frágeis ao vento…
Mas a amizade nos dá alento.
A amizade entre nós
Traz-nos sóis amanhecentes,
que aquecem nosso universo
Assim estamos sempre presentes
Em cada poema, em cada verso.
Tu, tens alma alentejana,
Calma,
serena como o rosmaninho e o alecrim
Eu impulsiva… ribatejana,
com a saudade sempre atrás de mim.
Ah… mas não é nada de cuidado!
A saudade é transeunte nos meus dias
Sempre trago o peito alvoroçado
Divido contigo minhas melancolias.
Hoje?
Vim apenas pra estes versos te entregar!
E não me vou sem te abraçar.
rosafogo
natalia nuno
Com amizade à Mª Antonieta, minha irmã do peito.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
SÚPLICA Á PRIMAVERA
Abre o manto Primavera
Sobre o chão que me viu nascer
Não negues ao meu coração que espera
as flores ver crescer...
Pede ao sol seu hálito ardente
Que alivie o pensamento sombrio
da sombra que sou
Me faça esquecer o tempo fugente
Que os céus ouçam o eco do meu grito vazio.
E me dê um pouco do brilho que a vida
me tirou.
Primavera que te hospedas no meu peito
Quando a oliveira já ostenta o candeio
Nas horas solitárias já sem jeito
Quando ainda aninho o amor no seio.
Estende-me os braços
Traz-me o calor do sol que fecunda a terra
Reconforta meu coração da tristeza que encerra.
Leva aos ausentes de quem lembro meus abraços.
Primavera faz sonhar quem vive
O pouco que tenho... é pouco é nada!
Traz-me a primavera que já tive
Antes que se renda o dia e eu cansada.
Volte eu a a relembrar e a pousar a vista,
esquecendo os dias de viver já gastos.
Aos anos que passam, não há quem resista!
Não voltarão os sonhos castos
que eram como uma benção ou alento,
e já se dissipam como água que corre.
Não sei se acredito ou se invento
Mas enquanto o coração não morre
sonhar será meu doce entendimento.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 3 de abril de 2012
INGENUIDADE
Olhar doce
do mundo desprendido
com sede de ardor
com sede de amor
num sonho perdido.
Na boca o sorriso
horas esquecidas
rosto de candura
tudo o que é preciso
num rosto de ternura.
Toda expressão e alma
Assim menina-donzela
Catorze anos...serena, calma!
Fada caprichosa e bela.
À noite bebes luar
De dia no peito nasce flor
Há-de vir príncipe pra te amar
Rendido ao teu amor.
Um clarão te incendeia
O sol se reflecte em ti
És prata na lua cheia
Rouxinol ou bem-te-vi.
natalia nuno
rosafogo
dedicado à minha neta prestes a cumprir catorze anos de vida.
domingo, 1 de abril de 2012
VENTURA GUARDADA
Andam no ninho
as pombas arrulhando
Enquanto o sol se desmembra no poente
E a lua já vem a caminho
Fileiras de estrelas chegando
E a solidão sem par entre a gente.
Abre-.se a noite e as trepadeiras
adormecem
Tudo nos deslumbra e passa
Tantas noites...que já se esquecem
do amor que nos enlaça.
E que há-de cumprir-se mais uma vez,
neste tempo que está a morrer
A ventura trará aos nossos corpos,
talvez
o prazer
e a beleza do viver.
rosafogo
natalia nuno
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