
Sento-me na margem da tristeza
Em dias de Outono lentos
Enquanto olho a distância
Sopram os ventos da incerteza
A vida avança...
Procuro-me entre os outros,
já ninguém me reconhece.
Caminho de pés nus
Meu coração adormece.
À distância um longo caminho
E o tempo do amor de antes
Palavras mortas em pergaminho
Palavras que se guardarão para sempre
num cantinho do coração amante.
Esquece-se a lágrima de rolar
E o sangue deixa de palpitar
Sonhos da vida, sonhos meus
De forma clara dizendo-me adeus.
A vida foi paridora de sonhos
já cansados.
Agora se arremessa sobre mim
de olhos fechados.
Letra a letra...deixo escrito
Nos muros da minha alma o que vai
O silêncio vazio...o grito
No hoje e no amanhã que de mim sai.
natalia nuno
rosafogo