terça-feira, 28 de junho de 2011

AMANHÃ



Correm rios,
entre serras e penedos,
numa ânsia de chegar.
no meu coração regatos bravios
numa ânsia de te amar.

Há borboletas em preguiça
esvoaçando,
por entre a ramagem
minha alegria é postiça,
vou talhando
a jeito minha escrita
em misteriosa linguagem,
linguagem de quem grita.

Correm rios, corre o tempo
misterioso,
vai apagando meu pensamento
levando por veredas
meu coração saudoso.

Canta o sol sobre os valados
deixa raios beijando o chão
sobrevive tudo o que amámos?
ah...só dentro do coração!

Deito-me à sombra do salgueiro
ouvindo o murmurar da água
acaricio as folhas do loureiro
que baloiçam, tal como a minha mágoa.

calam-se as vozes das cigarras
insólita alegria minha
desprendo-me das amarras
meu peito desaperto, a felicidade
se aninha.

O sol acendeu as brasas
fez-se relâmpago no olhar do falcão
no sonho, vou abrindo as asas
só meus pés vão p'lo chão.

Passa esvoaçando um pardal
o assobio dum melro eu ouço
é que hoje sinto-me imortal!
amanhã quiçá no fundo dum poço.

No fundo do esquecimento
só no olhar cresce o céu
no coração o lamento
para trás, tudo o que é meu.

E em fuga o destino
Que me lança em qualquer mar
Enigma que não atino
que a vida tem, pra me ofertar.

Alto sonho que de mim se apodera
como se fosse um tornado
ai quem dera...quem me dera
ter nascido com o destino fadado.

Serei pássaro sem trinado
amanhã quando morrer
o sol maduro por cima do meu telhado
me dará contas de outro sofrer.

natalia nuno
rosafogo
GERÊS, 26/06/2011

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VERDE DE ESPERANÇA



Lembranças loucuras minhas
Memórias deste meu Outono
O mundo onde me abandono
Memórias traços de andorinhas.
Vão e vêem como os medos!
Como luz que se abre p'la manhã
Cascatas que meus olhos bebem
Da varanda dos arvoredos.
Tudo o que a mente
Presencia e imagina
Do quanto ainda tem presente,
da saudade de menina.

Vou desdobrando palavras
Com o tremor do vento
E há estevas que florescem bravas
Ao pulsar do Verão,
sem um lamento.
Enquanto, se lamenta meu coração.

Estou ficando demente
Chega a mim o aroma da infância
Na montanha a memória o sente.
A tristeza abre portas por entre a folhagem
E a criança é já miragem.
Dói-me a nostalgia
O tempo avança vorazmente
Cada pedra cai sobre o meu dia
E eu amo cada dia perdidamente.

natalia nuno
rosafogo
GERÊS, 25/06/2011

quinta-feira, 23 de junho de 2011

AVE FERIDA



Arrumo os pensamentos
Antes que chegue o Inverno
Antes que o fio dos esquecimentos
Transforme a vida num inferno.
Enquanto a noite não desce
E às sombras deixa o coração
E a solidão não acresce
E me deixa prostrada no chão.

Mais depressa do que devia
Antes que faça e desfaça
Pobre de mim que seria,
Se este tempo que passa
Me amortalhasse de medo
Num chão seco, me enterrasse
em segredo?

Arrumo sem hesitações
Pensamentos, sonhos e ilusões
Faço o caminho sem paragem
O tempo me trouxe limitações
Mas eu insisto na viagem.

Meu rosto já não sabe quem é
Que importa, se este rosto já foi?!
Meu corpo é árvore que morre
Morre de pé
Tão breve que dói
Esta vida que corre!

rosafogo
natalia nuno

quarta-feira, 22 de junho de 2011

AMA-ME



Os sonhos, caem no outono
Confundem-se com o murmúrio do vento
São como folhas mortas ao abandono
Caindo num musgo lamacento.

Mas amor, eu te olho de relance
E a minha manhã ganha forma
Entre o madrugar e o entardecer
Eu aguardo que a vida amanse
Meu coração se conforma
E continua a bater.

Tenho saudade da tua voz
Agora só o silêncio se faz ouvir
Saudades de nós
Das palavras que eram música,
Saudades de sorrir.
Olhos baços de melancolia,
Minhas pétalas não respiram
Minhas raízes,
São agora sombras em agonia.
Volto ao crepúsculo, à noite, ao vazio
E a tua ausência me dá frio
Declina o sol no meu peito
Nas horas tardias
Onde ficou aquele jeito?
Das carícias que me fazias?
Meu corpo agarra-se à vida
Querendo a minha tristeza esquecer
Mas o rosto teima em transparecer
Da vida, a investida.

De mim, de ti restam traços
Que os tempos mal retêm
Esquecidos os nossos braços
Dos abraços que já não têm.
Um instante, é agora uma vida inteira
A tarde não demora!
Senta-te  amor à minha beira
Ama-me, ainda que o sol vá embora.

Volto ao crepúsculo, à noite, ao vazio
E a tua ausência me dá frio
Declina o sol no meu peito
Nas horas tardias
Onde ficou aquele jeito
Das carícias que me fazias?

rosafogo
natalia nuno


,

terça-feira, 21 de junho de 2011

ATRAVESSO A VIDA



Vão-se os dias apagando
Nada permanece como é
Tudo vai mudando
A Vida vou evocando,
Assim continuo de pé.

Do Amor as imagens vão e vêm
Brilham na mente como cristais
São fogo e  ainda têm
Labaredas imortais.

Caio exausta, vencida
Trago o corpo adormecido
Evoco tua imagem querida
O dia se desdobrou, vencido
Confundido
Com a noite e a obscuridade.
E o fogo que brotava
Já é só saudade
Do amor,
Resta pouco mais que nada.

rosafogo
natalia nuno
imagem do blog-imagens para decoupage

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O MEU QUERER




Queria seguir a corrente
Das águas do teu mar
E aprisionar-me a ti únicamente
Rendida ao teu amor ficar.
E viver em ti e contigo
Desde o ressurgir ao morrer do dia
Até ao levantar das estrelas
Até que a lua sorria.

Dois corpos que se incendeiam
Que morrem no mesmo abraço
Queria ficar nessa teia
Seguir contigo teu passo.
Ser ave livre de repente
Nessa luz amanhecida
Ser tua água transparente
Ser teu poema, tua vida.

Ser a paisagem do teu olhar
O horizonte da tua memória
Ser a fuga e o aproximar
Renascer de novo na tua desmemória.
Percorrer o teu corpo, sedenta
Reacender o alento apagado
Esquecer as rugas, como quem inventa
Que o Sol entrou em nós inesperado.

Banhar as palavras em insanidade
Lançá-las do alto dos rochedos
Fazê-las brotar em fontes azuis de saudade
E rodopiá-las na febre dos meus dedos.
E eu continuo a querer!
Estar contigo até ao esquecimento
Deixar os anos decorrer
Em fantasias ébrias
Largar o pensamento.

natalia nuno
rosafogo

domingo, 19 de junho de 2011

AROMA DE FLOR



Revivo meus versos abandonados
Através dos meus olhos longa é a distância
Sonhos sedentos e cansados
Lembrando ao longe a infância.
E à distância vejo
Um olhar já carregado de melancolia
E dentro de mim a quimera, o desejo,
Da menina que amanhecia.

Meus passos sem rasto
Sonhos, pétalas a amanhecer
Com saudade me afasto
Dessa menina, que deixei de ser.
Quando a vida ardia,
mágica, com fulgor,
e eu sentia
ao meu redor... amor.
Era o fogo da felicidade!
Hoje a lembrança é o valor que me resta
Tudo foi reduzindo, até a saudade!
A solidão das horas desce funesta,
afoga na tristeza a chama do meu rosto.
Nesta breve vida, já é sol-posto.

Vazias as horas,
de silêncio e obscuridade
Revivo meus versos
Vislumbrando a menina com saudade.
Minhas palavras mastigam esquecimento
Mas meu sonho belo me enlaça
Perpetua a criança no meu pensamento.
Aroma de flor que ainda por mim passa.

natalia nuno
rosafogo