sexta-feira, 8 de abril de 2011

BATE LEVEMENTE



Hoje é demasiado brando o vento
Do sol um resto de suavidade
Se arrastam nuvens sem alento
E em mim se arrasta a saudade.
No ocaso o Sol inflama
Com seus raios tranquilos de sono
Já se apaga em mim a chama
Na vida consumida
Me abandono.

Vou enchendo folhas
Com a mão nervosa
Evito olhar quando me olhas
Como se eu ainda fosse uma rosa.

Multiplicam-se no pensamento
Mil e uma ideias
A olhar as macieiras me sento
De primavera tão cheias!
E eu num Outono sem alento.
Os anos me marcaram a Vida
Também a infância e os livros
E tudo quanto amei, estremecida
Todos continuam para mim vivos.

Ouço o voo dos pássaros, incessante
Isolada me deixo na natureza
Meu espírito vazio por instante
E meu pensamento sem nenhuma certeza.

Seria bom dormir
P'lo vento embalada
Deixar-me ir...
Mas brando ele está hoje!
Nem mexe a ramada
Nem uma aragem
Levou minha imagem
E já a vida me foge.

Vai o Sol a desaparecer,
Saio do meu torpor
Só para te ver,
Mais uma vez meu AMOR.

natalia nuno
rosafogo
imagem do blog-imagens para decoupage

quinta-feira, 7 de abril de 2011

JÁ OS VENTOS ME FUSTIGAM




Memória e desmemória
Labitrinto de sombras e visões
Meus dedos palpitando na escrita
Já não sei se vivo só de ilusões.

Se é sorte ou desdita
Andar na penumbra adormecida
Nesta sombra encadeada
Solitária sem saída.
Como lágrima desprezada.

Uma e outra vez
Sempre o mesmo pensar
O tempo me tráz surdez,
passa por mim...a correr
Exala avareza, sinto-o passar.
Indefesa, como posso compreender?
Desunindo-me do Mundo
Com afiado gume
deixando-me golpe profundo.

Já os tempos me castigam
Já as manhãs não me abrem as portas
Já os ventos me fustigam
Calafrios nas horas mortas.
O silêncio?
Espreguiça-se nos meus ouvidos
E as palavras vão nascendo
Vão-me fugindo os sentidos
Como estrelas vão morrendo!

Tudo como relâmpago fugiu
Tudo como labareda se apagou
O sonho, onde está? Alguém o viu?
Também ele p'los meus versos passou.

rosafogo
natalia nuno
imagem do blog-imagens para decoupage.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

MORRO SEM MORRER



Será que a palavra felicidade
já não faz sentido?
Faltam-me forças para amar,
Mas de tudo que foi perdido
Quero para sempre lembrar.
Penso que já não estou aqui
Só a memória me faz companhia
Minha alma perdida  por aí
De afecto e ternura vazia.

Confundo-me no meio da multidão
Sem que alguém em mim repare
E na liberdade da minha solidão
Vou curando a ferida para que sare.

Vou criando a ilusão
De alguma vez ser comprendida
Que algum dia por certo dirão
- De saudade andou perdida!
Escrevi meu livro precioso,
Volto a mergulhar na leitura
De corpo e alma,
neste poema misterioso
Que pulsa em mim com ternura.

Esquecerei até as estações
Posso suprimir o que me rodeia
Suplico, deixem-me as ilusões!
Quero ficar, solitária na minha teia.
Jurei não sucumbir á dor
De ver moribunda a poesia
Neste Mundo sem Amor
Em noite escura ou á luz do dia.


rosafogo
natalia nuno
imagem ret.- blog imagens para decoupage

PRIMAVERA DA VIDA


Disponho apenas da espera
Dum som, dum odor
Ou dum sabor.
Para relembrar a Primavera.
Primavera da vida
Um mito feito nada
Migalha já escurecida
Me sinto injustiçada.

Paira sobre a minha memória
Uma figura graciosa
Que brota como uma rosa
Que aparece
Desaparece
Testemunha da minha história.

É ela que me conduz ao destino
Dela me vem a força e a vontade
Me põe neste desatino
Ao acaso da saudade.

Nada está morto na mente
E a minha alma está em todo o lado
Meu coração assim sente
Derrama amor ao lembrar o passado.
Os sonhos se desvanecem,
São efémeras constelações
Mas as recordações?
Essas não perecem!

Foi ontem era menina
Ainda estou dela a dois passos
Aperto-a contra o peito
Envolvo-a nos meus abraços
E até horas tardias
Bem do meu jeito
Vou sonhando fantasias
Nesta doce passividade
Acorrentada, livremente á saudade.

natalia nuno
rosafogo

Imagem ret. do blog-imagens para decoupage.

terça-feira, 5 de abril de 2011

RENASCEM RECORDAÇÕES



Renascem
na memória recordações
E é nelas que eu respiro, vivo,
me tranquilizo
São verdadeiras emoções
Nelas que me inspiro sempre
que preciso!

Nelas minha poesia idealizo.

Renascem e,
Mitigam-me as angústias e esqueço,
Redescubro o gosto de viver
Me reconfortam e nelas adormeço.
São memórias que não vou nunca esquecer.
Eliminam minhas desarmonias
Aliviam minhas tensões
Ajudam a passar meus dias
São verdadeiras emoções.

E no silêncio e tranquilidade
Esqueço ruídos e pesadelos
Ás vezes me sinto longe, eu e a saudade
Perto da criança que ainda me faz apelos.

rosafogo
natalia nuno

imagem-blog imagem decoupage

MEMÓRIA DUM TEMPO



Ao Sol, à chuva, na neblina,
na noite ou sob o voo das andorinhas
Vou sonhando, sonho de menina
Imersa em fantasias minhas.
Trago em mim
A espessura dos anos,
Escrevi mágoas e desenganos
Assim:
Trago meu livro inacabado,
Fiz apenas um esboço
O resto trago calado
Feito nada, no fundo dum poço.

Sem esforço de rememoração
Já tantos anos á distância
Ainda desperta a recordação
Dos dias felizes da infância.

Ao acaso surgem livres na minha mente
Tão livres como vôos de andorinhas
Repetem-se insistentemente
Expontaneamente
Estas memórias minhas.
Ao revê-las sempre uma nova alegria
Varro cuidadosamente a memória
Quero-a leve, quero lembrar cada dia
Cada página da minha história.

Quando a memória tiver sono
Serei um mar sem governo
Uma voz no tempo ao abandono
Num sono para sempre eterno.

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 4 de abril de 2011

LEMBRANÇA COR DE AÇAFRÃO



Pululam flores leves e abundantes
Flores espalhadas com a cor do açafrão
Outras de tom lilás
Lembram-me finos caracóis, por instantes
E a saudade me leva lá atrás.
Quando mal pisava o chão.

Lembranças em vaivém,
Um perfume acariciador
Que exala aqui e além
De prazer e de dor.

Uma lembrança trémula e cintilante
Como uma pedrinha azul, turva já
Meu olhar a capta neste instante
Com fidelidade a vê por lá.

O pensamento é o grande doador
Aflora e desencadeia a lembrança
E eu ainda amo a criança
Sinto-me dela prisioneira
Lhe tenho amor,
A recordo como a uma flor
Que bem cheira.

Só a memória é a ponte
Que a ela me conduz
É tão doce voltar à fonte
Ficar absorvida na luz.

A ausência se torna presença e então!?
Volto a olhar as flores cor de açafrão
Da lembrança, breve felicidade
E muita, muita a saudade.