palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
domingo, 16 de maio de 2010
Comentário
Rosa
Deixa que o nosso comentário seja este pequeno poema, que com o maior apreço te dedicamos
Rosafogo deixa que te cante
E te coloque em justo pedestal
Segue a tua rota sempre avante
Jorrar teus versos em manancial
Ler-te será sempre um privilégio
Honra que não cabe a qualquer
Escutar teus versos sortilégio
Clamando voz divina de mulher
Que o teu verbo nunca perca o vigor
Fiel aos cânones da tradição
Seres poeta é ostentares bela flor
Livre curso dando à tua inspiração
Olema /Antonius
Resolvi trazer este comentário que os Poetas amigos fizeram ao meu poema »Na calada da noite» no
Luso Poemas, achei dum carinho tão grande, de que me orgulho tanto, que não resisti a trazê-lo para
fazer parte da minha caminhada poética, aqui neste meu espaço.
natalia nuno
rosafogo
Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=132536#ixzz0o8SC6Wns
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sábado, 15 de maio de 2010
SAUDADE
SAUDADE
Há nos meus versos saudade
Poeira no meu olhar
E eu sinto em profundidade
A ferida que não quer sarar!
Passa o vento p'los figueirais
Chuva miúda, terra molhada
Já se foram os demais
Gastos! P'la caminhada.
Meu coração é que escreve
No teu chão ainda pisado
Que a terra lhes seja leve
A tantos que hei amado!
Minhas palavras gastas estão
São já acessos de melancolia
Sempre leio na minha mão
Que um dia,voltarei a ti! Um dia.
rosafogo
natalia nuno
É mais um poesia à terra onde nasci.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
ESTE TEMPO ME TOMA
ESTE TEMPO QUE ME TOMA
Transfigurou-me o tempo, me abandono
Fiquei do outro lado das despedidas
Com tanto silêncio, já me chega o sono
Trago gestos e palavras repetidas.
Goteja o orvalho é já madrugada
E eu indiferente à minha vontade
Trago da vida, a esperança estilhaçada
Sou no tempo a comoção da saudade.
Trago a fronte a latejar
Palavras me saem imprecisas
Este tempo me toma, e eu a deixar
Minhas raivas, em lentidão, indecisas.
Se ando fora do tempo é ousadia
Suspiro p'lo sol que me foge!
Vivo de sonhos e utopia
E peço ao dia que não me deixe por hoje.
Largo meu coração aos ventos
Palavras se estatelam no chão
Borbulham na minha cabeça pensamentos
E insistem as batidas do coração.
E assim, estala de novo em mim a vida
Um tesouro em silêncio abandonado
Como se voltasse ao ponto de partida
Ao final deste caminho traçado.
rosafogo
natalia nuno
quinta-feira, 13 de maio de 2010
NA CALADA DA NOITE
NA CALADA DA NOITE
Esgueiro-me na noite, calada.
Meus olhos voltados para o céu
Trago em mim a morte atrelada
Nem me deixa saborear o que ainda é meu.
Neste Outono da minha ternura
Meu silêncio vem envenenar
O sono desperta e a noite é escura.
E eu apenas quero a Vida amar!
Já a saudade me roía
Eu a querer ir sempre mais além
Mas com estas velhas asas como podia?!
Sentei-me na noite como quem espera alguém.
Assim parados ficam meus anseios
O que se agita, se ouve, apenas o vento
Passam por mim devaneios
Num emaranhado enternecimento,
onde crescem flores e nascem sorrisos,
e aparecem novos sonhos sem avisos.
Nesta noite, perfume as rosas me dão
Já nem necessito olhar as estrelas
Arranjei modo de entender meu coração
Fantasias, loucuras, deixo-me a tecê-las.
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 12 de maio de 2010
VERSOS À TOA
Minha mesa quando está posta
Até parece um altar
Branca toalha que se gosta
E o pão de Deus a sobrar.
Queria parar a Primavera
A esperança agasalhar
Dos sonhos ficar à espera
De os puder concretizar.
Trago minhas mãos vazias
Meus sonhos embaciados
No viver destes meus dias?
Trago risos encurralados.
Minha vida já está traçada
Muro que hei-de tranpôr
Com pranto fiz a chegada
Ao partir seja o que fôr.
Mais um passo, mais espinho
Mesmo assim é curta a vida
Caminho, é o fim do caminho
Trago a esperança falecida.
Mas prendo-me à Primavera
Entôo cantigas de saudade
Recordo a juventude, bela era!
E como se foi o tempo da Mocidade
De saudade tenho o peito cheio
Do futuro pouco adivinho
Como pássaro no ramo com seu gorgeio
Canto à Vida com carinho.
Hoje os campos estão em festa
Atapetados de bonitas cores
- Em minha morada modesta
Na mesa uma jarra de flores.
Que venha quem vier por bem
Esta casa é Portuguesa com certeza
Pão, vinho e amizade sempre tem...
Pois se é uma casa Portuguesa?!
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 11 de maio de 2010
POR ENTRE OS DEDOS
Volto teimosamente ao passado
Deixo-me entre os olivais
e a vinha
Neste amor sempre arrebatado
de suspiros e de ais
E de saudade que é minha.
Piso uvas no lagar
Escuto do sino as badaladas
São seis horas há que rezar
O terço com mãos encardidas e descarnadas.
Que importa se nada esqueço!?
Nem a foice nem a enxada
À seara de trigo regresso
Vejo-a ao vento agitada.
Há-de à memória chegar-me
Voz d'outros ventos segredar-me
Que tudo já teve um fim
Prefiro que não me digam nada
Que tenho o pavor em mim
Da lucidez desafinada.
Mas choro, choro porque sou sobrevivente
E recordação tudo o mais...
Da minha terra da minha gente?!
Só a lembrança, eles partiram
E já partiram meus pais.
Já não vejo outra saída
A vida por entre os dedos, desnorteada!
Só não sei p'ra quando a despedida
Prefiro que não me digam nada.
natalia nuno
rosafogo
domingo, 9 de maio de 2010
APESAR DO ENTARDECER
Repito recordações vezes sem conta,
e o peito me dói
Fugaz como um sonho o tempo se foi.
O tempo que passou assim...
Vou ficar tranquila, serena,
sem pena de mim!
Não vou falar das incertezas que sinto
Aqui no final de todos os finais
O meu céu é já indistinto.
Meu sonho a vida pisou demais.
Aqui o meu grito já chega confuso
A vida passou como uma enxurrada
O tempo se apoderou dela como intruso
Um pássaro predador que passa e não deixa nada!
O pensamento em estardalhaço me põe a tremer
Nele sinto o rufar de tantos tambores
Às vezes apenas o gemido, dum bicho qualquer
Que ferido se deixa arrastar de dores.
Hoje me deixo completamente absorvida
Dialógo com as minhas vidraças
Dentro deste velho peito reconforto a Vida
Apesar do entardecer... esqueço as ameaças.
natalia nuno
rosafogo
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