palavras escritas com o coração, em qualquer verso está vazada a saudade poética que a memória canta. A fascinação pelo campo, o idílio das águas, a inquietação o sonho, a ternura o desencanto e a luz, toda uma bagagem poética donde sobressai o sentimento saudade... motivo predilecto da poeta. visite-me também em: http://flortriste1943.blogs.sapo.pt/
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
aliança entre nós...
dois dedos de conversa...
- caíram muros desamparados, ficaram as sombras e as marcas dos que por ali passaram e nos corações dos que ficaram resta a saudade infinita...reverdece a natureza, o rio continua a cantar, o sino não envelheceu seu som é o mesmo de sempre, o moinho parou de moer o pão e ali, sente-se a solidão, era grande o serviço prestado ao povo que ali levava o milho e o trigo, e os arvoredos à sua volta gostavam de o ouvir na sua ventura de trabalhar o dia inteiro...também a ída ao poço, já não é o que era, jorrava água para o interior das enfusas ou quartas, e passavam-se bons bocados de conversa, momentos aprazíveis entre as mulheres da aldeia quer fosse ao frio rigoroso de Janeiro, ou ao calor escaldante Agosto, os homens mais jovens na praça olhavam-nas de soslaio, já que os mais velhos se entretinham com um copo de vinho na sua frente, na taberna do Aspirante e noutras da aldeia, e as moças não rejeitavam a conversa se por acaso algum viesse à fala... a noite arrefecia, chegava o sereno com sua frescura e lá se ia ao estendal apanhar a roupa, pelo caminho mais dois dedos de conversa sobre as noticias desse dia, mais um segredo que corria de boca em boca, depois vinha a ceia que o dia tinha sido farto de trabalho, mas à mesa a fartura era pouca e a fome apertava...às vezes havia brigas entre os casais, onde ninguém metia a colher, no dia seguinte a mulher perdoava e a vida seguia o seu rumo normal... não há nada que pague o encantamento que é sentir o aroma da infância e o amor silencioso que o envolve...
natalia nuno
imagem pinterest
rosa dos ventos...
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
uma miragem...
- uma mensagem branca passa pela mente, e esta vai macerando o esquecimento, mas nas sombras dos teus olhos, consigo ver com s meus, que o amor é mais forte e tenaz que a confusão o caos que às vezes quer apoderar-se do esquecimento e apagar o odor a madressilva, o mel quente e o prazer que ainda nos atravessa... no oásis da memória continuam os sonhos como milagre, numa claridade distinta onde permaneces e eu continuo a amar-te... não fugiram de mim recordações que sõ astros vermelhos de verão a morar no meu coração...
natalia nuno
imagem minha
terça-feira, 1 de setembro de 2026
fragmentos...de vida
- leio noite fora meus papéis que conseguiram ter existência ao longo de anos, neles, todos os sonhos, em palavras que ainda parecem esperar pela realização dos mesmos, vigilantes, por detrás de alguma sombra que os encerra entre quatro paredes... tudo se reduziu a palavras escritas e deixadas ao abandono, enterradas no tempo, parecem não poder perdoar-me...leio-as angustiada, já não lhes ouço as vozes, nem os olhares, nem sensações hoje bateram no coração, neste reencontro...o silêncio e um negro vazio, companheiro das noites que afundam num subtil desassossego, neste mar sombrio, em que as palavras, rompem a noite enferma...
natalia nuno
imagem minha
ilusões...
- tanto caminho por descobrir e tão pouco tempo para me encontrar comigo mesma, história d'amor sem final feliz, tem como horizonte a solidão, onde os sonhos se habituam ao vazio, a minha sombra nunca me abandona e única obsessão é que não pretendo fugir dela...a vida foge, mas de vez em quando começa como se nada fosse, apenas um instante, e o sonho traz-me a felicidade aquela que nunca consegui alcançar...com um sorriso hipócrita, o inverno tenta convencer-me que ainda não passaram os dias todos da minha vida, que somos velhos companheiros e por isso não estou solitariamente só, que quando sonho tenho as minhas recordações, e toda a paisagem da minha terra, que me protege da dor do esquecimento...são cegas as ilusões, mas são velas acesas que reflectem luz em certas ocasiões...
natália nuno
foto minha
coisas minhas...
- as memórias são muito importantes em dias de solidão, são elas que nos dão aconchego, algum consolo ao lembrar os impulsos do coração quando jovem, os momentos de êxtase, todo o bem que vivemos, o presente é importante sim, não deixarmos perder a existência dos sentidos, sermos persistentes viver o melhor possível, não nos deixarmos cair no marasmo do vazio... para tentarmos decifrar o que há-de vir? o futuro é sempre duvidoso, misterioso, e pode ser um vasto tempo de gelo e silêncio...remeto-me na saudade enquanto a memória não estiver esquecida, apercebo-me da queda, mas o sonho ainda me vigia!
coisas minhas, a fazerem parte deste meu tempo de esperar, como poderia libertar-me e voar? tento harmonizar a vida com as palavras e esqueço a cinzenta rotina...ergo um fogo contra o tempo e minha noite fica constelada, e vivo na saudade daquele rio d'amor, que jamais se apaga...
natalia nuno
foto minha tirada na Escócia.
domingo, 30 de agosto de 2026
voltarás...
- virá a madrugada...deixará na noite a última constelação e trará o cheiro a ribeiros e a rosas do teu coração, voltarás, sim voltarás para mim, são os pássaros que me dizem...estendem-se os teus olhos dentro dos meus olhos, a esperança será a estação onde viveremos de novo, com a vontade sedenta dos jovens...revivendo poemas abandonados, estamos perto da estação invernosa, partiu o calor do verão, o sol ainda penetra nas sombras das ramas, e ainda se ouve a canção de estío, cantatas das cigarras, tudo ao compasso da brisa que surge da planície, tudo é felicidade, a tua chegada acontece na espessura da tarde com fogo e alegria, nossos corpos se unem...somos aves que voam no sol do ocaso, livres, de asas estendidas...
natália nuno
foto minha
de pensamento em pensamento...
- há pelos campos flores baralhadas, remando contra a força do vento, morrendo açoitadas, assim, morrem os sonhos no silêncio dos que sofrem de saudade, ao peso das lágrimas...vivem-se assim tempos de asperezas, onde o remédio é resistir às pressões do dia a dia, ando para aqui de pensamento em pensamento, interrogo-me constantemente do porquê nem as flores escaparem com vida, e numa rapidez espantosa serem despetaladas no encontro com o tempo, oscilante é a vida, ameaçador o tempo, fico a sonhar indiferente e sem vontade, tudo fica assim mesmo...só o coração pode mudar e transformar o nevoeiro instalado em sol, abrindo o verão e agasalhando de novo a esperança, enquanto eu sonho... o céu parado, o verde das hortas, a tarde tranquila, os rouxinóis a despedirem-se, os mochos aguçando o apetite a noite a aproximar, a coruja a piar, e nós os quatro na cozinha comendo a sopa de feijão tranquilamente, o pão na mesa e a chama na lareira, a candeia alumiando, fecham-se os olhos de sono e num golpe de asa... pus os pés em casa... mas, era sonho!
Seja manhã ou já tarde no dia, tudo chega ao fim, não lamento, pois trago em mim Poesia, que é festa no coração partido de saudade e é, dança nos meus dedos, ou até flor cheirosa no jardim... saudades trago de mim.
prosa escrita faz tempo, sem presunção de ser escrita requintada, despreocupada, escrevi-a consoante me surgiu na mente.
natalia nuno
foto do pinterest
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
avançando às cegas...
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
O que vou fazer comigo?...
- o que vou fazer comigo?
ainda tenho medo do escuro do corredor, ainda me deito do lado mais encostado à parede, ainda sofro com os ruídos das tabuas do soalho, tapo a cabeça com o cobertor de papa para não ouvir o corujar das corujas, o sono detem-me, e eu lembro todas estas memórias, de manhã era toda a luz que chegava ao pequeno quarto, entrando pela janela pequena trazendo-me ternura e sossego, depois dum sono inquieto...em troca da paz rezava uma avé maria, da obscuridade da noite, não lembrava mais, nos dias em que o sol era cego e ventava chovendo, ficava quebradiça, mirando atrás das vidraças da cozinha pequena da avó,o mau tempo e sonhava fechando as pálpebras à espera de poder de novo correr pelas ruas da aldeia... e uma mão, a mais macia de sempre acariciava-me
- era a avó com suas asas que me protegia...
natalia nuno
foto minha
terça-feira, 25 de agosto de 2026
uma brisa leve...
- uma brisa leve chegou-me à janela, trouxe-me uma luz mágica tão íntima da infância, e o aroma bem vincado ainda na minha memória, e ainda que tivesse tardado, continuaria igual, nada pode destruir as memórias... quando as aves me vinham saudar, as folhagens das árvores murmuravam-me tantas coisas que ainda não entendia, o rio turbulento no seu rumor deixava-me olhar no seu espelho, matando a sede aos salgueiros esguios das margens, que alegremente baloiçavam os ramos dobrados ao seu encontro, os frutos acendiam a manhã com os aromas das suas polpas abertas ao vento, os girassóis aguardavam a vinda do sol, e as abelhas fabricavam o mel de flor, tudo era amor e ternura, as laranjeiras eram como noivas, todas branquinhas, agitava-se o meu coração de ânsia, como se nunca terminasse o calor daquele lugar onde vim ao mundo, era o centro da minha vida, livre e ditoso...
natalia nuno
imagem minha
já tudo é fumo...
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
noite de névoa...
o silêncio cresce, as árvores avançam com um perfil sombrio, as folhas inquietas, cresce uma profunda tristeza, passo por pessoas que não poderão compreender-me nunca, só a luz da manhã vem oferecer-me paz, apago os presságios e os temores, não me assustam as rajadas de vento e chuva, esqueço a obscuridade, é tudo suave, e então surge morte sem me dar tempo, me enterra no tempo, afinal é o dia que temo...com um ar ofegante e a voz apagada, me deixo perdida como náufrago em noite de névoa, apenas um frágil queixume, afinal já tantos outros morreram...
natalia nuno
foto minha
cordão umbilical...
sábado, 22 de agosto de 2026
cresce o silêncio...
- nada nos livra do punho dos dias, arrasta-nos com golpes de cansaço, e o sorriso que parecia nunca esmorecer, envelheceu, quanta luta inútil, triste ignorância, agora longe dos sonhos, um peso constante é, sentir o pulsar do tempo com desespero... o sonho ou talvez a paixão, o medo e a loucura sejam a cega destruição... a tua voz, alguma vez me confortou, esta recordação feroz fere-me o coração, agora a vida é esperar, esperar por algo estranho que vamos aceitando com a mesma ciência que ensinou a viver, o silêncio cresce, na almofada cruzam-se as memórias de momentos partilhados, agora de paz... restam os lençóis desolados.
natalia nuno
alquimia...
um mundo perdido...
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
guerra e paz...
como irrompe o ódio e a miséria se não é o nosso desejo?- tanta violência à nossa volta, a esperança diz-nos que a alegria terá retorno...e a palavra sonha, e foge como o vento, levando uma imensidade de momentos de frio e solidão, e a nostalgia agora, surge nos olhares de quem pouco ou nada possui, para traz ficam os apagados rostos que não voltam, os que choram as ausências, as ruas soalheiras onde houve vida, foram-se as recordações e os sorrisos dos últimos encontros...porquê? - a Paz, será que disse um adeus definitivo?- que passem as águas turvas, para que possamos brindar à vida.
natalia nuno
imagem minha
a natureza...
um encontro um instante, a captura veloz, a mão firme e cuidadosa, para trazer comigo a beleza que faz com que os sonhos regressem, de que lugar ou tempo?...tudo se cruza na memória e lá volta o instante em que olhei o firme firmamento e a recordação chega, fico cheia de optimismo, porque amo a vida, e com oo desejo de começar amanhã de novo...o tempo já ensombra os meus olhos, mas sou feita de matéria e sonhos e Deus me toca o coração e este revive, é como uma velha colina rodeada de mar, que resiste ao frio e ao calor e lá surgem mais uns dias em que o sol gira nas minhas mãos...
natalia nuno
foto minha
nostalgia mestra na ruína...
água é vida...
há um silêncio iluminado, e a esperança veste-se de menina, há serenidade e isso nos basta... aquietam-se os ruídos do Mundo, apenas um leve olhar e um aroma familiar, contemplo serena este lar que é a natureza, pareço ouvir à distância a voz da infância, onde me recordo cheia de optimismo, chega-me a recordação da harmonia que me convidava a uma fresca sombra.
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
lá cai mais um dia...
- a luz que o sol distribui tão generosamente tudo gera, é ele o olhar da manhã que aquece o dia e esmaga a noite, adoça a vida, com sua mão quente percorre nosso corpo, e depois corre disfarçado por entre as sombras e vai deitar-se por detrás do horizonte, deixa a saudade, o cansaço, os sentidos adormecidos e a luz se fecha. As rosas respiram o orvalho da noite nos montes tão velhos como o dia e, a noite faz-se paz... até que ensolarada nasce a vida de novo no dia que clareia...nas telhas partidas dos telhados já entram raios, é o sol que abre as pestanas dizendo bom dia à terra, o ar do campo é lavado e saudável, acordam os girassóis, não há tempo a perder que o sol vai caindo calmo e tranquilo fechando os olhos...lá cai mais um dia... espero há horas calada, pelo amanhecer da noite, mais uma tarde que se despede, os sinos tocam as trindades, de repente lembro as horas e é então que sinto no vazio um novo um sonho, cheio de novas esperanças no sereno da noite, faço aceno ao dia que parte, a solidão é difícil e profunda, tão próxima estou do passado e tão ausente do presente, dou dois passos em frente e ando só por andar não por ter pressa de chegar. invento sonhos a vida inteira, trago o coração doído, o tempo sempre à minha beira e, eu pensando tê-lo perdido.
natalia nuno
imagem pinterest
vento forte...
sábado, 1 de agosto de 2026
música de Outono...
no patamar da noite
sexta-feira, 31 de julho de 2026
amo a luz...
rente ao mar...
palavras de cansaço...
experiência repetida...
domingo, 26 de julho de 2026
dou vida ao poema...
sexta-feira, 24 de julho de 2026
viva recordação...
quarta-feira, 22 de julho de 2026
presenças invisíveis...
devo ou não devo?!...
segunda-feira, 13 de julho de 2026
as sombras...
terça-feira, 30 de junho de 2026
estado d'alma...
segunda-feira, 22 de junho de 2026
sentença...
ergue-te até ao fim...
quinta-feira, 18 de junho de 2026
a vida sempre nos cobra...
perante o imprevisível
sábado, 6 de junho de 2026
nascer e morrer...
segunda-feira, 1 de junho de 2026
sonho dum viajante...
erguem-se as minhas palavras
os arautos...
os sinos tem sempre uma mudez
sombria
a escada sombria...
a vida às vezes é um círculo de luz
terça-feira, 21 de abril de 2026
último pensamento...
quando o tempo nos oprime...
sábado, 4 de abril de 2026
medo...














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