quarta-feira, 2 de setembro de 2026

uma miragem...



- uma mensagem branca passa pela mente, e esta vai macerando o esquecimento, mas nas sombras dos teus olhos, consigo ver com s meus, que o amor é mais forte e tenaz que a confusão  o caos que às vezes quer apoderar-se do esquecimento e apagar o odor a madressilva, o mel quente e o prazer que ainda nos atravessa... no oásis da memória continuam os sonhos como milagre, numa claridade distinta onde permaneces e eu continuo a amar-te... não fugiram de mim recordações que sõ astros vermelhos de verão a morar no meu coração...

natalia nuno

imagem minha

terça-feira, 1 de setembro de 2026

fragmentos...de vida



-  leio noite fora meus papéis que conseguiram ter existência ao longo de anos, neles, todos os sonhos, em palavras que ainda parecem esperar pela realização dos mesmos, vigilantes, por detrás de alguma sombra que os encerra entre quatro paredes... tudo se reduziu a palavras escritas e deixadas ao abandono, enterradas no tempo, parecem não poder perdoar-me...leio-as angustiada, já não lhes ouço as vozes, nem os olhares, nem sensações hoje bateram no coração, neste reencontro...o silêncio e um negro vazio,  companheiro das noites que afundam num subtil desassossego, neste  mar sombrio, em que as palavras, rompem a noite enferma...

natalia nuno

imagem minha

ilusões...



- tanto caminho por descobrir e tão pouco tempo para me encontrar comigo mesma, história d'amor sem final feliz, tem como horizonte a solidão, onde os sonhos se habituam ao vazio, a minha sombra nunca me abandona e única obsessão é que não pretendo fugir dela...a vida foge, mas de vez em quando começa como se nada fosse, apenas um instante, e o sonho traz-me a felicidade aquela que nunca consegui alcançar...com um sorriso hipócrita, o inverno tenta convencer-me que ainda não passaram os dias todos da minha vida, que somos velhos companheiros e por isso não estou solitariamente só, que quando sonho tenho as minhas recordações, e toda a paisagem da minha terra, que me protege da dor do esquecimento...são cegas as ilusões, mas são velas acesas que reflectem luz em certas ocasiões...

natália nuno

foto minha

coisas minhas...



- as memórias são muito importantes em dias de solidão, são elas que nos dão aconchego, algum consolo ao lembrar os impulsos do coração quando jovem, os momentos de êxtase, todo o bem que vivemos, o presente é importante sim, não deixarmos perder a existência dos sentidos, sermos persistentes viver o melhor possível, não nos deixarmos cair no marasmo do vazio... para tentarmos decifrar o que há-de vir? o futuro é sempre duvidoso, misterioso, e pode ser um vasto tempo de gelo e silêncio...remeto-me na saudade enquanto a memória não estiver esquecida, apercebo-me da queda, mas o sonho ainda me vigia!

coisas minhas, a fazerem parte deste meu tempo de esperar, como poderia libertar-me e voar? tento harmonizar a vida com as palavras e esqueço a cinzenta rotina...ergo um fogo contra o tempo e minha noite fica constelada, e vivo na saudade daquele rio d'amor, que jamais se apaga...

natalia nuno

foto minha tirada na Escócia.

domingo, 30 de agosto de 2026

voltarás...



- virá a madrugada...deixará na noite a última constelação e trará o cheiro a ribeiros e a rosas do teu coração, voltarás, sim voltarás para mim, são os pássaros que me dizem...estendem-se os teus olhos dentro dos meus olhos, a esperança será a estação onde viveremos de novo, com a vontade sedenta dos jovens...revivendo poemas abandonados, estamos perto da estação invernosa, partiu o calor do verão, o sol ainda penetra nas sombras das ramas, e ainda se ouve a canção de estío, cantatas das cigarras, tudo ao compasso da brisa que surge da planície, tudo é felicidade, a tua chegada acontece na espessura da tarde com fogo e alegria, nossos corpos se unem...somos aves que voam no sol do ocaso, livres, de asas estendidas...

natália nuno

foto minha

de pensamento em pensamento...



-  há pelos campos flores baralhadas, remando contra a força do vento, morrendo açoitadas, assim, morrem os sonhos no silêncio dos que sofrem de saudade, ao peso das lágrimas...vivem-se assim tempos de asperezas, onde o remédio é resistir às pressões do dia a dia, ando para aqui de pensamento em pensamento, interrogo-me constantemente do porquê nem as flores escaparem com vida, e numa rapidez espantosa serem despetaladas no encontro com o tempo, oscilante é a vida, ameaçador o tempo, fico a sonhar indiferente e sem vontade, tudo fica assim mesmo...só o coração pode mudar e transformar o nevoeiro instalado em sol, abrindo o verão e agasalhando de novo a esperança, enquanto eu sonho... o céu parado, o verde das hortas, a tarde tranquila, os rouxinóis a despedirem-se, os mochos aguçando o apetite a noite a aproximar, a coruja a piar, e nós os quatro na cozinha comendo a sopa de feijão tranquilamente, o pão na mesa e a chama na lareira, a candeia alumiando, fecham-se os olhos de sono e num golpe de asa... pus os pés em casa... mas, era sonho!

Seja manhã ou já tarde no dia, tudo chega ao fim, não lamento, pois trago em mim Poesia, que é festa no coração partido de saudade e é, dança nos meus dedos, ou até flor cheirosa no jardim... saudades trago de mim.

prosa escrita faz tempo, sem presunção de ser escrita requintada, despreocupada, escrevi-a consoante me surgiu na mente.

natalia nuno

foto do pinterest

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

avançando às cegas...



em que lugar estranho
deixei minha mente
e a voz que já não 
é a minha?

perdida, sozinha,
e os instantes então reunidos
num sussurro inquieto
quase perdidos

já nem posso recordar
os instantes que vivi
dentro de mim a estourar
a saudade de ti

secaram as flores
tudo desprovido de alma e rumor
perdido em si, nosso amor,
somos já cinza

e nem mais uma palavra
a negrura ardente
atrás de nós
onde anda a minha mente
que é feito da minha voz?

natalia nuno
imagem pintarest



quinta-feira, 27 de agosto de 2026

O que vou fazer comigo?...




 - o que vou fazer comigo?

ainda tenho medo do escuro do corredor, ainda me deito do lado mais encostado à parede, ainda sofro com os ruídos das tabuas do soalho, tapo a cabeça com o cobertor de papa para não ouvir o corujar das corujas, o sono detem-me, e eu lembro todas estas memórias, de manhã era toda a luz que chegava ao pequeno quarto, entrando pela janela pequena trazendo-me ternura e sossego, depois dum sono inquieto...em troca da paz rezava uma avé maria, da obscuridade da noite, não lembrava mais, nos dias em que o sol era cego e ventava chovendo, ficava quebradiça, mirando atrás das vidraças da cozinha pequena da avó,o mau tempo e sonhava fechando as pálpebras à espera de poder de novo correr pelas ruas da aldeia... e uma mão, a mais macia de sempre acariciava-me

- era a avó com suas asas que me protegia...

natalia nuno

foto minha

terça-feira, 25 de agosto de 2026

uma brisa leve...




- uma brisa leve chegou-me à janela, trouxe-me uma luz mágica tão íntima da infância, e o aroma  bem vincado ainda na minha memória, e ainda que tivesse tardado, continuaria igual, nada pode destruir as memórias... quando as aves me vinham saudar, as folhagens das árvores murmuravam-me tantas coisas que ainda não entendia, o rio turbulento no seu rumor deixava-me olhar no seu espelho, matando a sede aos salgueiros esguios das margens, que alegremente baloiçavam os ramos dobrados ao seu encontro, os frutos acendiam a manhã com os aromas das suas polpas abertas ao vento, os girassóis aguardavam a vinda do sol, e as abelhas fabricavam o mel de flor, tudo era amor e ternura, as laranjeiras eram como noivas, todas branquinhas, agitava-se o meu coração de ânsia, como se nunca terminasse o calor daquele lugar onde vim ao mundo, era o centro da minha vida, livre e ditoso...

natalia nuno

imagem minha

já tudo é fumo...



tenso de estar à espera, o poema,
por uma palavra espera!
busca em vão vida,
e desespera

para ele tudo é um mistério
um labirinto sem saída
já nada é vida,
os erros do caminho
são sentimentos silenciosos
só no borbulhar de ideias
ele se encontra com a saudade,
que ainda é de verdade.

salpico o poema de saudade
e amor
aproximo-lhe meus braços
dou-lhe a minha mão
já tudo é fumo
e a história se esquece,
o poema são todas os seres
que trago no coração.

natalia nuno
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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

noite de névoa...




o silêncio cresce, as árvores avançam com um perfil sombrio, as folhas inquietas, cresce uma profunda tristeza, passo por pessoas que não poderão compreender-me nunca, só a luz da manhã vem oferecer-me paz, apago os presságios e os temores, não me assustam as rajadas de vento e chuva, esqueço a obscuridade, é tudo suave, e então surge  morte sem me dar tempo, me enterra no tempo, afinal é o dia que temo...com um ar ofegante e a voz apagada, me deixo perdida como náufrago em noite de névoa, apenas um frágil queixume, afinal já tantos outros morreram...

natalia nuno

foto minha

cordão umbilical...



tudo se cumpriu
mas, não como nos sonhos
daquela menina de silhueta 
magra
a miúda da minha memória
que quer que a traga
agarrada a mim 

parece não querer cortar
o cordão umbilical
que nos une
como gostava de a reconfortar

garota que parece ter adormecido
com o rosto entre as mãos
os nossos silêncios
são mistérios que tecem memórias
onde o sol começa a desaparecer,
diante dos nossos olhos estendeu--se
uma poderosa luz a chegar
ao horizonte
levamos o sonho com apertado
amor

na noite, no seu amplo corredor,
acolhe-nos o aroma da infância
protegida,
bocejamos sem temor
ao deixarmos a vida.

natália nuno
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sábado, 22 de agosto de 2026

cresce o silêncio...



 - nada nos livra do punho dos dias, arrasta-nos com golpes de cansaço, e o sorriso que parecia nunca esmorecer, envelheceu, quanta luta inútil, triste  ignorância, agora longe dos sonhos, um peso constante é, sentir o pulsar do tempo com desespero... o sonho ou talvez a paixão, o medo e a loucura sejam a cega destruição... a tua voz, alguma vez me confortou, esta recordação feroz fere-me o coração, agora a vida é esperar, esperar por algo estranho que vamos aceitando com a mesma ciência que ensinou a viver, o silêncio cresce, na almofada cruzam-se as memórias de momentos partilhados, agora de paz... restam os lençóis desolados.

natalia nuno


alquimia...



há uma lágrima que nos afoga
e uma vertigem que nos derruba
e a própria voz nos interroga
o porquê, da vida em fuga

há horas que são inutilidade
sussurros que nos deixam
- em solidão!
não procuramos piedade,
mas procuramos respostas
nas linhas da nossa mão

no horizonte que escreve
a distância
o sorriso das estações vividas,
quando confiados aos dias
da infância,
lembramos a ternura
e a suavidade já quase esquecidas

resgato com palavras os sonhos de então
e na alquimia da minha mente
resgato a recordação
com uma ternura ardente.

natalia nuno
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um mundo perdido...



o sol cresce pela manhã
mas uma névoa permanece
já brota vida ao redor
mas na memória alguma dor
de um mundo perdido
que esquece
a Paz!

esperamo-la com incerteza
num amanhecer dum dia novo
a guerra sempre corrompe a esperança
e torna furtiva a certeza
no olhar da criança

nos corações bate o frio
mesmo sendo Verão
perdida por lentas madrugadas
palavras cansadas
perdem o brio
respiram o delírio
do sofrimento
que de longe me alcança
fico como água morta
parada, que já não avança

o coração sonha
e apesar da agonia
esquece o cansaço e aguarda
a surpresa, do regresso, dum mundo
melhor, trazendo um futuro inebriado
entre os seres e um profundo amor 
tantas vezes procurado.

por falta de PAZ nunca alcançado!

natalia nuno
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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

guerra e paz...





como irrompe o ódio e a miséria se não é o nosso desejo?- tanta violência à nossa volta, a esperança diz-nos que a alegria terá retorno...e  a palavra sonha, e foge como o vento, levando uma imensidade de momentos de frio e solidão, e a nostalgia agora, surge nos olhares de quem pouco ou nada possui, para traz ficam os apagados rostos que não voltam, os que choram as ausências, as ruas soalheiras onde houve vida, foram-se as recordações e os sorrisos dos últimos encontros...porquê? - a Paz, será que disse um adeus definitivo?- que passem as águas turvas, para que possamos brindar à vida.

natalia nuno

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a natureza...



um encontro um instante, a captura veloz, a mão firme e cuidadosa, para trazer comigo a beleza que faz com que os sonhos regressem, de que lugar ou tempo?...tudo se cruza na memória e lá volta o instante em que olhei o firme firmamento e a recordação chega, fico cheia de optimismo, porque amo a vida, e com oo desejo de começar amanhã de novo...o tempo já ensombra os meus olhos, mas sou feita de matéria e sonhos e Deus me toca o coração e este revive, é como uma velha colina rodeada de mar, que resiste ao frio e ao calor e lá surgem mais uns dias em que o sol gira nas minhas mãos...

natalia nuno

foto minha

nostalgia mestra na ruína...



penetra em mim a nostalgia
não tem nome e nem sei
de onde vem
fica nos meus olhos cravada,
como uma miragem, como alguém
que me deixa calada

talvez queira que perca a esperança
tempo meu, este sem memória
mágoa e estranheza de esquecer
a criança
mestra na ruína da minha história.

sábia preparação
para o que vai para além da vida
e uma tenaz disposição
para aquietar o coração

nostalgia, o mágico fulgor
da poesia
no silêncio apenas tu e eu
e a luz de Julho emoldurada,
intervém uma voz do céu
voz que me deixa
- numa inquietude assustada.

natalia nuno
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água é vida...




há um silêncio iluminado, e a esperança veste-se de menina, há serenidade e isso nos basta... aquietam-se os ruídos do Mundo, apenas um leve olhar e um aroma familiar, contemplo serena este lar que é a natureza, pareço ouvir à distância a voz da infância, onde me recordo cheia de optimismo, chega-me a recordação da harmonia que me convidava a uma fresca sombra.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

lá cai mais um dia...



a luz que o sol distribui tão generosamente tudo gera, é ele o olhar da manhã que aquece o dia e esmaga a noite, adoça a vida, com sua mão quente percorre nosso corpo, e depois corre disfarçado por entre as sombras e vai deitar-se por detrás do horizonte, deixa a saudade, o cansaço, os sentidos adormecidos e a luz se fecha. As rosas respiram o orvalho da noite nos montes tão velhos como o dia e, a noite faz-se paz... até que ensolarada nasce a vida de novo no dia que clareia...nas telhas partidas dos telhados já entram raios, é o sol que abre as pestanas dizendo bom dia à terra, o ar do campo é lavado e saudável, acordam os girassóis, não há tempo a perder que o sol vai caindo calmo e tranquilo fechando os olhos...lá cai mais um dia... espero há horas calada, pelo amanhecer da noite, mais uma tarde que se despede, os sinos tocam as trindades, de repente lembro as horas e é então que sinto no vazio um novo um sonho, cheio de novas esperanças no sereno da noite, faço aceno ao dia que parte, a solidão é difícil e profunda, tão próxima estou do passado e tão ausente do presente, dou dois passos em frente e ando só por andar não por ter pressa de chegar. invento sonhos a vida inteira, trago o coração doído, o tempo sempre à minha beira e, eu pensando tê-lo perdido.

natalia nuno

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vento forte...



sopra um vento forte
entre o começo e o fim
entre a vida e a morte
já não lhe ofereço resistência
vai-me levando assim
já tropeço por fim!

passam por mim pássaros
chilreantes
a alegrar meu coração 
sonhador
por alguns instantes,
pesadamente o cansaço
- vem à tona!
o silêncio rompe o fio do vento
meu corpo se abandona
e um sonho me dá alento.

natalia nuno
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poema revisto.

sábado, 1 de agosto de 2026

música de Outono...

 no patamar da noite 

fecham-se flores no jardim
e eu recebo a saudade em mim
esse precioso sentimento
que tudo torna presente
traz música de outono 
ao pensamento...




e amortalha os ais que o coração sente

na nostalgia da tarde,
há rosas que chamam por
mim 
lembranças sem fim
ouço-lhes a voz
e o silêncio torna-se profundo
a noite espreita, imensa é a escuridão

minha vontade numa esquiva hesitação
sou pássaro cansado da viagem
sem asas onde se abrigar
sobrevive na esperança
de o amor o poder tocar

natalia nuno
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sexta-feira, 31 de julho de 2026

amo a luz...



quando o sol dorme
adormece o coração
amadurece a escuridão
e, eu que amo a luz
acalento-me na esperança
duma nova madrugada

logo a mina alma respira
e o coração bate
no desejo de ser amada

cansado o desejo
vai começar amanhã de novo
à espera do teu beijo
entra a noite agressora e desolada
despoja-me do sono
de novo,
- até de madrugada.

poema revisto
natalia nuno
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rente ao mar...



hoje o mar alterou-se
sabe-se lá porquê?!
ficou paranoico, avassalador
mas depois deixou-nos a fúria
de o amarmos em liberdade
com saudade...

mais tarde passou-lhe a cólera
e veio beijar-nos com paixão e delicadeza
e ali mesmo fiz um verso
com destreza...

foi o desvario
nele adormeci o sol
coloquei as cigarras a cantar nos canaviais
e acreditei que eram de verdade
meus ais...

o que eu, o sol e o mar
sonhávamos  estava ali
era amor, era amar
que sobrava de mim e de ti.

natalia nuno/rosafogo
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poema recuperado


palavras de cansaço...




já não sei suster
esta nostalgia 
que me deixa
mais amarga, dia após dia

é difícil de romper
este meu rosto frio
e é a espessura do silêncio
que me causa calafrio

palavras de cansaço
como se nada me confortasse
fio cortante, sem um abraço
e o amor que nos uniu 
é como se cansasse

uma parede entre nós
resta aquela recordação nostálgica
que o tempo, vem tornando feroz

só a saudade se senta ao nosso lado
ainda nos traz um fardo de alegrias
encoraja a perseverar o amor que resta
- com cuidado!
e abraça-se a nós os nossos dias.

natalia nuno
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experiência repetida...




o vento voa
enlaça-me numa tranquila solidão
esqueço-me de tudo o que doa
um sonho inteiro por mim passa,
será apenas ilusão?

traz frescura matinal
chega a mim o cheiro dos pinheiros
de verão
e um desejo novo ao coração

ao de leve o vento
vem-me roçar
desenlaça lembranças vividas
desejadas e queridas
que quero lembrar,
não é que não doa

tudo se aprofunda abruptamente
sem dar-me descanso à mente

como trepadeira apavorada
onde procuro enlear-me
cheia de esperança, apressada
a extinguir-se um sonho maior
e eu a querer abraça-lo com amor.

natália nuno
imagem pinteerest


domingo, 26 de julho de 2026

dou vida ao poema...




ali sobre a mesa
há presenças invisíveis
em livros por ler
palavras que voam com o vento
da noite, e
querem que me afoite
a criar mais um poema

poema que pode ser d' amor
que traga a brancura da sua
magia
com a chama dum poema 
fascinante
que irradie neste instante
a luz que em nós vivia.

uma inquietude me traz
nele afundo o olhar
atónita a minh'alma
diz-me não saber se sou
capaz...

levanto o meu pulsar
e dou vida ao poema
seja d'amor ou dor
mágico será o tema.

natalia nuno.
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sexta-feira, 24 de julho de 2026

viva recordação...



ainda treme a brisa
chega-me o odor das murtas
e eu rapariga ardente
recordo o sussurro dos salgueiros
enquanto a gente
dava os beijos primeiros

por perto o rumor do rio
e as aves vinham a caminho
era a época do cio
e algumas já faziam ninho

meus lábios alegres
no desejo dos teus
ferve meu coração
um desassossego este amor
que Deus nos deu
é tão viva esta recordação

a juventude envelheceu
juventude, a jóia do delírio
labareda que tudo cega
nem o esquecimento apagará,
é sonho que de nós não despega
e que um Deus único embelezará

natalia nuno
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quarta-feira, 22 de julho de 2026

presenças invisíveis...



os poemas são meus filhos
às vezes vivem em momentos
de deserto
outras no coração
- ou ali por perto!

às vezes fustigam-me
criticam-me de não condenar
o mundo
outras deixam-me em silêncio
profundo

não me deixam embelezá-los
tiram-me até a lucidez
tento até deformá-los
mas são meus filhos
e eu vou amando um a um
à vez.

às vezes fazem-me perguntas
ignorantes
outros surgem apaixonados
desditosos e amantes
e às vezes pela dor são convocados.

natalia nuno
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devo ou não devo?!...



a vida foi um calendário
vivido hora a hora
onde o amor se alimentou
e a ausência feriu
- distante o sonho ficou!

não quer nem é possível regressar
e golpeia, golpeia na dor
sem parar

tudo é verde, pacífico
e quente,
e a gente
vai tecendo alguma esperança
traz na memória uma lâmpada
secreta,
que lhe traz o fogo de criança

o que escrevo, apaga-se depressa
fica no ar o sonho
dum coração que não se expressa

na alma a poesia permanece
é como aroma do trevo
é ternura silvestre
saudade que sobe e desce
abandoná-la devo, ou não
devo?

natalia nuno
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segunda-feira, 13 de julho de 2026

as sombras...

vou andando, vou embora
levo o caminho do poente
vem chegando minha hora
levo pó corroendo a mente

já tomba a noite e é escuro
não quero o tempo perdido
o percorrido foi tão duro...
que precisa ser esquecido

a percorrer, já é tão pouco
a dor adormecida melhora
este apelo da noite é louco
mil sombras já vão embora

bago maduro de uva negra
prisão que a paixão me deixa
assim meu corpo se entrega
já com a vida se desleixa...

a inquietude que me arrasta
no fluxo ardente das veias
do silvo dos bosques m' afasta
amo até à eternidade! m'creias.

natalia nuno
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terça-feira, 30 de junho de 2026

estado d'alma...



meu estado d'alma
propício à melancolia
deixa-me na inércia,
desfeita como um sopro
de abandono

na amenidade
da tarde 
pouco arrebatada
deixo-me na harmonia
de mais um dia

viver, já não é o mesmo
sonho
a mesma sensação
mas, é bem viva
a recordação

fixo os olhos
num ponto distante
e vejo a vida a fechar-se
como uma flor incolor
de vez a desfolhar-se

até ao vazio final!

natalia nuno
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segunda-feira, 22 de junho de 2026

sentença...



golpeia a dor como se eu
tivesse  
uma janela, onde ela
pode entrar sempre que quer
insiste e continua
e agarra o corpo como
se este lhe fosse pertença

ainda que por vezes seja sentença
atravesso o deserto,
e não deixo que me vença
.
insiste e esmaga
sigo sem rumo nem saída
até que a fé me traga
alento à vida
e me livre das suas garras

com voz de amargura
perco-me nas sombras dos meus
olhos
a sentir a tirania
é quando ela avança
com o maior desdém

sem me dar esperança!

natalia nuno
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ergue-te até ao fim...



-onde queres ir?
não fujas de ti
agarra-te às recordações
não afogues os teus dias
no vazio das desilusões

corre o risco, 
ergue-te até ao fim
sente a sedução do vento
livre
e vive!

não desças à fronteira 
do nada
de repente ensimesmada
onde o sonho anda distante
de si mesmo

tece a esperança, deixa as dúvidas
e a agonia
não te rendas
amanhã talvez seja o dia
te mostre que a felicidade
pode estar de regresso
e tu entendas
que uma nova luz
ainda te pertence

natália nuno
imagem pintarest






quinta-feira, 18 de junho de 2026

a vida sempre nos cobra...



perante o imprevisível

uma dor se dobra
é a vida que nos cobra

sempre clamo pelo distante,
p'los sonhos que não sonhei
nada me dói mais neste instante
do que a saudade,
do que sobrevive
na memória e nela guardei

sempre uma inquietante ameaça
e o tempo quase prescrito
porém ainda uma luz que passa
e o amor à vida, se abre aflito

sinto as palavras quebradas
comtemplo as janelas nubladas
velhos sentires que o desconsolo
invoca
a névoa difunde-se sem cuidados
os olhos estão velhos,
os cheiros perdem-se na minha boca
ficam os sons  oxidados.

a vida nos cobra!

natalia nuno
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sábado, 6 de junho de 2026

nascer e morrer...




o pó do anos rola irado
pela estrada
deixando-nos como pedra
golpeada

a dor se esconde no coração
pelo dano deixado
nesta hora estragada
só a solidão

um amargo despertar
quando já tudo é ruína
aprofunda o dano,
calar os sonhos
é o destino

cair, subir,
à porta das lágrimas vale
a pena bater?
a morte sopra nos olhos
como fera esfomeada
que nos quer abater.

nascer e morrer
sempre na cegueira
de renascer das cinzas,
até cansar de arder
- nesta fogueira!
resta a espera agonizante
do último instante...

natalia nuno
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segunda-feira, 1 de junho de 2026

sonho dum viajante...

 


erguem-se as minhas palavras

lutam a todos os momentos
nesta vertigem que aqui soa,
não há nenhuma, que não doa

os pensamentos num mutismo
denso, louco,
enlouquecem, 
envelhecem,
e eu cismo,
porquê sofrer por tão pouco

quando adormeço
atravesso fronteiras
e as palavras são as primeiras
a descobrir a esperança
a levar-me nas asas do sonho
aquando era criança

saio da minha triste frieza
fico viajante que aguarda
na incerteza
pelo sol dum instante,
pela felicidade que tarda.

natalia nuno
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os arautos...

 


os sinos tem sempre uma mudez

sombria

como se aguardassem o dia
d'alguém que está de partida,
hoje, ou amanhã talvez

em engrenagens ondulam
levam o som à distância
recordando a chegada da morte,
cresce a ânsia...
em quem recebe tal sorte.

tudo acaba, até o sino esquece
o seu tanger
em curtos intervalos, 
indolente, sem saber,
com seu vulto confuso
quando voltará a ter uso

rapidamente é arauto da aurora
que traz na hora
o esplendor da luz entreabrindo,
é baptizado ou casamento,
e o som é bem vindo
virou o vento...
assim se chora de alegria, 
ou de tristeza

a vida nunca é em vão
tudo é benção
ou um sopro, um instante
- para os que vão.
 

natalia nuno
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a escada sombria...

 


a vida às vezes é um círculo de luz


outras é nuvem nostálgica
sombria, que me conduz
para o cume do acaso,
levando
minhas horas piores

como ave que foge
para o desconhecido
quando a tarde quebra,

fica meu sonho perdido!

o dia vencido
e a noite se abre fria,
pestaneja a escuridão
e aquele último pássaro
leva de mim o que resta de ilusão!

asas mais escuras, agita-se a mente
nimbo de saudade,
lembro breves instantes de vida
desaparecendo das minhas horas
maiores.
e a visão perdida.

natalia nuno
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terça-feira, 21 de abril de 2026

último pensamento...


o tempo dita-me a sua lei
põe sobre os meus ombros
o peso de sonhos angustiados
e os olhos de sombras
nublados

a nostalgia  observa-me
escuta-me a alma

há dias que incendeiam a memória
e o último pensamento
onde havia sol, hoje é vereda
sem luz

aurora bela e triste
da minha vida passada
Abril era presença clara
e tu a primavera esperada

o passado não pode apagar-se
com minha inocência
aprendi a amar-te,

as minhas rimas ainda cantam 
nosso amor
sinto ainda na pele o sortilégio  
desse sabor.

natalia nuno
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quando o tempo nos oprime...



como será o todo
que ainda nos será concedido
o resto que ainda
irá ser por nós vivido?

será um lugar sombrio
ou lugar de olor
 a rosas?
haverá amor
ou o sentir de enorme
solidão?

estará tudo por um fio
ou trará ainda ambição?!
ou serão dias perversos, 
e a dor nos atormente
sem compaixão?

vão-se apertando as horas
perdem-se os sentidos 
somos andorinha,
que nem lembra que voou
pra chegar ao final da corrida
ou cujo sonho sonhou, 
que nos deixa no nimbo da saudade 
sentida

como  será o todo
o que será que nos espera?
ao final da viagem sem regresso

- quem espera desespera!

natalia nuno
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sábado, 4 de abril de 2026

medo...

 

o peito é um mar sombrio, quando a noite surge enferma sem estrelas...as ondas em movimento brusco, vão em grande tumulto desbravando os meus sonhos de náufraga... a cada dia mais inalcançáveis até me deixarem obscuramente no esquecimento...é este o medo que sobe os muros por detrás de cada sombra...
natalia nuno
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miragem...



uma miragem branca passa pela mente, e esta vai macerando o esquecimento, mas nas sombras dos teus olhos, consigo ver com os meus, que o amor é mais forte e tenaz que a confusão e o caos que às vezes quer apoderar-se do pensamento e apagar o odor a madressilva, o mel quente e o prazer que ainda nos atravessa...no oásis da memória continuam os sonhos como milagre, numa claridade distinta onde permaneces e eu continuo a amar-te...não fugiram de mim recordações que são astros vermelhos de verão a morar no meu coração.

natalia nuno

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Gota d´água...



Será luz a nova flor que se abre?

 Permanece o silêncio... talvez só uma comovida flor que o orvalho resolveu golpear, num prazer desperto de levar para longe a semente, com a promessa de fazer tremer a gota de água que a fará germinar...se te amo, é porque deixas o teu perfume a cerejas silvestres! Dá-me a tua promessa, acende meu arco-íris de prazer antes que enferruje a minha esperança e as palavras me resvalem na garganta...como um tíbio raio de sol, onde a claridade já estremece.

natalianuno
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quarta-feira, 1 de abril de 2026

calam-se os rouxinóis...



cai-me na alma uma neblina
memórias de dias distantes
procuro em vão amainar
- o coração,
caminhante entre caminhantes
na esperança que outros dias virão.

as flores abriram
as saudades surgiram

quanto por um dia eu daria
pelo próximo passo
pelo próximo abraço
e, dói, porque tudo se foi

todos os dias o vento da
saudade
em memórias me deixa afogada
relembro com ansiedade

dos olhos cai uma lágrima errante
de súbita nostalgia
de quem se atreveu a viver
num sonho de mais um dia.

natalianuno
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sexta-feira, 27 de março de 2026

encosto a saudade ao peito...



este meu voltar atrás,
a olhar o florir dos cardos
a ouvir a música nos prados
quando não anoiteceu ainda
faz com que as lágrimas
me visitem,
e, me deixe a pensar
entre a saudade e a solidão

com espanto no meu coração
e a delicadeza das palavras
que deixo no ar
vou acolhendo poemas como uma criança
que acaba de acordar...

natalia nuno
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