sábado, 10 de janeiro de 2026

a vida é uma sinfonia...



olho para trás
e vejo uma mão erguida
a dizer-me adeus
será a vida
será a paz
ou será o adeus dos meus?

ouço o ranger 
das tábuas do sobrado
meus pais passando furtivamente
finalmente dou conta
de ter sonhado

deixo nuvens 
de poeiras, atrás de mim
os vizinhos espreitam aos postigos
meu Deus ninguém sabe ao que vim
nem os amigos!

vou avançar, sem parar
levo a mão ao coração
se não soubesse que estava a sonhar
tinha caído redonda no chão

desapareci na esquina
ali onde fui menina
com todas as minhas fantasias
onde sonhei em dó maior
e o coração ardia dentro do peito
se a felicidade não é isto?!
seja lá o que fôr.

vão meus passos 
sussurrando na folhagem
olham-me os salgueiros chorões
com olhar comovente
conhecem-me desde que sou gente

sinfonia em dó menor
há felicidade maior?!
inacreditável, um sonho
uma oportunidade
para falar do que me dá saudade.

natalia nuno
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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

eu e as noites...

 


que se vá a noite, 
que me rodeia de sonhos de mentira, 
que se vão as sombras
que enchem meu pensamento
quase o bater do coração me retira
e me confundem num respirar lento

a noite traz-me memórias distantes
que me recordam a vida que encontrei
e me quedo em momentos sufocantes
e de outros que não vivi e jamais viverei

que se vá a noite,
já não existe medo, apenas nostalgia
só esta sombra que nem é noite e nem é dia
fere-me a prisão dos meus passos
e nas letras d'amor
já se foram os abraços

repetida monotonia
vai vertendo cansaços
o porvir, já não é de gargalhadas
e na minha memória irrompem cenas
onde tu já não me aguardas.

guardo no poema palavras que tão só são
palavras de silêncio e solidão.

natalia nuno
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domingo, 28 de dezembro de 2025

poema tímido...



cortejo as palavras sem saber
ao certo, se virão a saltar felizes,
ou então,
- a trovejar, 
deixando os girassóis a tremer 
até meus dedos as libertar

surjam, e tragam curiosidade
e me iluminem os dedos
ou fique apenas a olhar
com saudade
e então invente um novo poema,
- talvez
com alguma timidez

a folha branca morre de solidão
espera p´la minhas mãos paradas
como criança chorosa
de pálpebras cerradas
ou como fruto a apodrecer
e fica o poema por nascer!?

talvez seja só ilusão
e nada venha a acontecer,
ou venha a esperança a irromper
cúmplice duma grande paixão

nnuno
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tempo de melancolia...




folhas de semblante avermelhado
que o outono deixou cair
fazendo um tapete aveludado
que é belo ao pisar sentir

moribundas, caem na terra
fria
é assim do tempo a ditadura
tempo de melancolia,
é também tempo de solidão 
e ternura

geme na noite a escuridão
negra de silêncio e tédio
toda a esperança é posta
entre amor e oração
que ao coração dos pobres
é remédio

é Natal, com canções no ar
perfumado
e de orações
de júbilo incendiado

como se nunca mais pudesse ser
para alguns será solitário e triste
e sem palavras de amor
e conforto, resta a esperança
de sentir em Cristo 
um novo reconforto.

natalia nuno
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

estrelas já não alumiam...



tremem as madrugadas
com chuvas e trovões
e as vidas alagadas
sem sonhos, nem ilusões
desalentadas, ideias em desalinho
uma imensa ventania,
é a vida, em louco redemoinho.

adormecemos nesta sensaboria
somos como almas esquecidas
as labaredas já não inflamam 
o coração, e
as estrelas já não alumiam
a escuridão

trago no pensamento
uma tempestade
e no coração palavras de amor e saudade
que me regam a alma de ternura

os céus aclaram, boa ventura, 
engendra-se o amor por mais um dia
viver um pouco mais, ilumina-se o caminho
e o sonho rodopia
e tudo que sonhei rodopia.


natalia nuno
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sem trégua...



sento-me nesta tarde a tocar a noite, e vou dialogando comigo própria como se quisesse adivinhar o caminho ainda por descobrir, percorro algum passado e vejo-me sempre a sorrir, na criança encantada que ainda me vem seduzir...nada nem ninguém destrói essa imagem, tão perto de mim e tão perdida, penetra-me, mas logo me abandona e a saudade vem à tona, e o frio da vida surge e, logo asfixia...já não aguento o vazio das horas, nem suporto a solidão, os sonhos são migalhas de pão que me separam da morte, estou só, neste comprido corredor, já nada tenho, nem  dor, nem grandes palavras onde me possa refugiar

- escuto o desagregar...


nnuno

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domingo, 14 de dezembro de 2025

palavras sonâmbulas...



como o celeiro abriga o trigo, o coração abriga a saudade, que é uma mistura de amor e ternura,  de afecto, vindo do passado, que arrecado e não deixo passar ao lado, trago na bagagem a memória do que vivi, o que ainda me estimula, e é uma mais valia enquanto a mente funciona... mesmo seguindo sendo eu mesma, à minha frente uma neblina fosca, que me deixa na dúvida, e me põe a caminhar por ruas estreitas, incertas, onde a única certeza, é a vontade que tenho de não me deixar desabar, enquanto restar uma última esperança,.. aguento o vazio das horas, há nelas sentimentos inexplicáveis, que se vão perdendo sem me aperceber, mas que ainda me molham o peito e fazem doer...quero mergulhar no sonho, sentir a correnteza de mansinho, quero depois estar do lado da vida...por vezes minha cabeça trago confusa, porque a torturante saudade se faz acompanhar de ansiedade crescente...

natalia nuno