- uma brisa leve chegou-me à janela, trouxe-me uma luz mágica tão íntima da infância, e o aroma bem vincado ainda na minha memória, e ainda que tivesse tardado, continuaria igual, nada pode destruir as memórias... quando as aves me vinham saudar, as folhagens das árvores murmuravam-me tantas coisas que ainda não entendia, o rio turbulento no seu rumor deixava-me olhar no seu espelho, matando a sede aos salgueiros esguios das margens, que alegremente baloiçavam os ramos dobrados ao seu encontro, os frutos acendiam a manhã com os aromas das suas polpas abertas ao vento, os girassóis aguardavam a vinda do sol, e as abelhas fabricavam o mel de flor, tudo era amor e ternura, as laranjeiras eram como noivas, todas branquinhas, agitava-se o meu coração de ânsia, como se nunca terminasse o calor daquele lugar onde vim ao mundo, era o centro da minha vida, livre e ditoso...
natalia nuno
imagem minha

2 comentários:
Uma delicia de leitura Natália, pois esta sua viagem a um passado, muito tem do que eu vivi num cantinho de interior. A suavidade dos movimentos, a natureza em harmonia com seus elementos deixou a brisa mais leve amiga.
Que bom ler nesta tarde esta beleza.
Carinhoso abraço na feliz semana.
Olá estimado amigo, depois dum período difícil, dum acidente rodoviário, faz um ano em Set. tenho andado menos por aqui, mas não esqueci os amigos, hoje fiquei feliz por encontrá-lo e agradeço a leitura, vamo-nos agarrando às memórias, não esquecendo donde viemos, a mim me faz feliz recordar. Um abraço com muito carinho, desejo que esteja bem.
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